Abertura oficial da COP reforça diagnóstico duro e cobra ação além do discurso
Autoridades destacam limites de ações isoladas e pedem recursos e articulação internacional
Apesar de encontro de líderes ontem, a abertura oficial da COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS) ocorreu hoje pela manhã em Campo Grande, marcada por alertas sobre o avanço da crise ambiental e pela defesa de cooperação internacional para frear o declínio da biodiversidade.
RESUMO
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A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil, Marina Silva, destacou o simbolismo da realização do evento no Mato Grosso do Sul, às portas do Pantanal. Segundo ela, o bioma representa a essência da conectividade ecológica. “É onde os rios se tornam lagos, onde a floresta se abre em campos, onde as aves do norte e do sul encontram seu lugar para descansar”, afirmou.
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A ministra também defendeu a integração entre diferentes áreas e saberes. “Devemos conectar nações, políticas, ciência e conhecimento tradicional para garantir que as espécies migratórias sigam seu caminho”, disse. Para Marina, “a vida não é dividida em linhas rígidas”, mas ocorre em “transições generosas”, reforçando a necessidade de ações conjuntas.
Na sequência, a vice-diretora executiva do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), Elizabeth Mrema, ressaltou que os desafios ambientais exigem resposta global. “Nenhum país consegue agir sozinho. A sobrevivência depende de todos nós, em uma ação internacional coordenada”, afirmou.
Ela destacou ainda o papel estratégico do Brasil na conservação da biodiversidade. “O Brasil desempenha um papel crítico para as espécies migratórias através de florestas, áreas úmidas, rios e oceanos”, disse, ao classificar o país como um anfitrião “natural e convincente” da conferência.
A secretária executiva da CMS (Convenção sobre Espécies Migratórias), Amy Fraenkel, reforçou que o tema desta edição, Conectando a Natureza para Sustentar a Vida, reflete a importância da conectividade ecológica para o futuro do planeta. “Ela não é essencial apenas para as espécies migratórias — sustenta toda a vida na Terra, incluindo nossas economias, nossa saúde e nosso futuro”, afirmou.
Amy apresentou dados que reforçam o cenário de alerta. “24% das espécies listadas estão globalmente ameaçadas e 49% apresentam declínio populacional”, disse. Apesar disso, destacou avanços possíveis com cooperação internacional. “A recuperação da tartaruga-verde e do antílope saiga mostram o que podemos alcançar quando trabalhamos de forma colaborativa”.
Encerrando as falas principais, o secretário de Energia, Clima e Meio Ambiente do Itamaraty, Maurício Carvalho Lyrio, destacou que é preciso transformar compromissos em ações concretas. “Palavras bonitas e boas intenções não são suficientes. A conectividade tem custos”, afirmou.
Segundo ele, países em desenvolvimento enfrentam limitações estruturais e precisam de apoio. “Mecanismos financeiros, cooperação técnica e capacitação precisam acompanhar a ambição política”, disse.
Lyrio também reforçou a relação entre meio ambiente e desenvolvimento. “Proteger as espécies migratórias é, ao mesmo tempo, política climática, política de biodiversidade e política de desenvolvimento”, afirmou.
A escolha de Campo Grande como sede foi apontada como estratégica. Próximo ao Pantanal, o local evidencia os impactos já sentidos na região. “Secas e incêndios florestais não são riscos abstratos. Eles afetam habitats, produção de alimentos e o bem-estar das comunidades”, alertou.
Ao final da abertura, a mensagem comum foi de urgência e cooperação. As autoridades defenderam que ainda é possível reverter parte dos danos ambientais, desde que haja ação coordenada entre países e compromisso político com a implementação das medidas discutidas na conferência.
A COP15 segue nos próximos dias com negociações voltadas à proteção das espécies migratórias e à preservação dos ecossistemas.



