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Meio Ambiente

Abertura oficial da COP reforça diagnóstico duro e cobra ação além do discurso

Autoridades destacam limites de ações isoladas e pedem recursos e articulação internacional

Por Ângela Kempfer | 23/03/2026 11:13
Abertura oficial da COP reforça diagnóstico duro e cobra ação além do discurso
Mesa de autoridades durante abertura oficial nesta segunda-feira (Foto: Juliano Almeida)

Apesar de encontro de líderes ontem, a abertura oficial da COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS) ocorreu hoje pela manhã em Campo Grande, marcada por alertas sobre o avanço da crise ambiental e pela defesa de cooperação internacional para frear o declínio da biodiversidade.

RESUMO

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A abertura oficial da COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS), realizada em Campo Grande, foi marcada por alertas sobre a crise ambiental e apelos por cooperação internacional. A ministra Marina Silva destacou o simbolismo do Pantanal como exemplo de conectividade ecológica.Dados apresentados na conferência revelam que 24% das espécies listadas estão globalmente ameaçadas e 49% em declínio populacional. Autoridades enfatizaram a necessidade de transformar compromissos em ações concretas, ressaltando que a proteção ambiental está diretamente ligada ao desenvolvimento sustentável.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil, Marina Silva, destacou o simbolismo da realização do evento no Mato Grosso do Sul, às portas do Pantanal. Segundo ela, o bioma representa a essência da conectividade ecológica. “É onde os rios se tornam lagos, onde a floresta se abre em campos, onde as aves do norte e do sul encontram seu lugar para descansar”, afirmou.

A ministra também defendeu a integração entre diferentes áreas e saberes. “Devemos conectar nações, políticas, ciência e conhecimento tradicional para garantir que as espécies migratórias sigam seu caminho”, disse. Para Marina, “a vida não é dividida em linhas rígidas”, mas ocorre em “transições generosas”, reforçando a necessidade de ações conjuntas.

Na sequência, a vice-diretora executiva do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), Elizabeth Mrema, ressaltou que os desafios ambientais exigem resposta global. “Nenhum país consegue agir sozinho. A sobrevivência depende de todos nós, em uma ação internacional coordenada”, afirmou.

Ela destacou ainda o papel estratégico do Brasil na conservação da biodiversidade. “O Brasil desempenha um papel crítico para as espécies migratórias através de florestas, áreas úmidas, rios e oceanos”, disse, ao classificar o país como um anfitrião “natural e convincente” da conferência.

Abertura oficial da COP reforça diagnóstico duro e cobra ação além do discurso
Cervo-do-pantanal são vistos próximo do Buraco das Araras em Bonito (Foto: Ueslei Marcelino/MMA)

A secretária executiva da CMS (Convenção sobre Espécies Migratórias), Amy Fraenkel, reforçou que o tema desta edição, Conectando a Natureza para Sustentar a Vida, reflete a importância da conectividade ecológica para o futuro do planeta. “Ela não é essencial apenas para as espécies migratórias — sustenta toda a vida na Terra, incluindo nossas economias, nossa saúde e nosso futuro”, afirmou.

Amy apresentou dados que reforçam o cenário de alerta. “24% das espécies listadas estão globalmente ameaçadas e 49% apresentam declínio populacional”, disse. Apesar disso, destacou avanços possíveis com cooperação internacional. “A recuperação da tartaruga-verde e do antílope saiga mostram o que podemos alcançar quando trabalhamos de forma colaborativa”.

Encerrando as falas principais, o secretário de Energia, Clima e Meio Ambiente do Itamaraty, Maurício Carvalho Lyrio, destacou que é preciso transformar compromissos em ações concretas. “Palavras bonitas e boas intenções não são suficientes. A conectividade tem custos”, afirmou.

Segundo ele, países em desenvolvimento enfrentam limitações estruturais e precisam de apoio. “Mecanismos financeiros, cooperação técnica e capacitação precisam acompanhar a ambição política”, disse.

Lyrio também reforçou a relação entre meio ambiente e desenvolvimento. “Proteger as espécies migratórias é, ao mesmo tempo, política climática, política de biodiversidade e política de desenvolvimento”, afirmou.

A escolha de Campo Grande como sede foi apontada como estratégica. Próximo ao Pantanal, o local evidencia os impactos já sentidos na região. “Secas e incêndios florestais não são riscos abstratos. Eles afetam habitats, produção de alimentos e o bem-estar das comunidades”, alertou.

Ao final da abertura, a mensagem comum foi de urgência e cooperação. As autoridades defenderam que ainda é possível reverter parte dos danos ambientais, desde que haja ação coordenada entre países e compromisso político com a implementação das medidas discutidas na conferência.

A COP15 segue nos próximos dias com negociações voltadas à proteção das espécies migratórias e à preservação dos ecossistemas.