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Interior

Em emergência sanitária, Dourados chega a 648 casos de chikungunya

Saúde pública avalia que doença já está em nível alarmante em diversos bairros e mobiliza população

Por Helio de Freitas, de Dourados | 23/03/2026 12:34
Em emergência sanitária, Dourados chega a 648 casos de chikungunya
Larvas de mosquito transmissor da chikungunya encontradas em Dourados (Foto: Flávio Verão/Divulgação)

Boletim divulgado nesta segunda-feira (23) pela Vigilância Epidemiológica mostra que o município de Dourados já contabiliza 648 casos confirmados de chikungunya, cenário considerado preocupante pela saúde pública.

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Dourados, em Mato Grosso do Sul, registra 648 casos confirmados de chikungunya, levando o município a decretar situação de emergência sanitária. A doença já causou quatro óbitos na Reserva Indígena, onde a epidemia teve início, e se espalha rapidamente pelo perímetro urbano.As autoridades de saúde intensificam ações de combate ao Aedes aegypti, com apoio da Força Nacional do SUS. Os bairros Jardim dos Estados, Novo Horizonte e Jóquei Clube apresentam alta incidência de focos do mosquito, assim como as aldeias Jaguapiru e Bororó, onde a situação é mais crítica.

São 1.426 notificações e 576 exames ainda aguardando resultado. Até o momento, quatro pessoas morreram em decorrência de complicações da doença, todas na Reserva Indígena, onde a epidemia começou, mas já atinge índices alarmantes em alguns bairros do perímetro urbano.

Diante do cenário que levou o prefeito Marçal Filho (PSDB) a decretar situação de emergência na semana passada, autoridades de saúde reforçam o pedido para que a população participe ativamente do combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da chikungunya e da dengue.

Conforme a prefeitura, a principal orientação é eliminar qualquer recipiente que possa acumular água, já que os ovos do mosquito podem permanecer viáveis por até um ano, aguardando apenas condições favoráveis para eclodir.

No sábado (21), representantes do município, do Estado e da Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde) que estão em Dourados concederam entrevista coletiva para pedir apoio na conscientização dos moradores. Uma força-tarefa da Secretaria Municipal de Saúde também está em andamento na Reserva Indígena e nos bairros.

Ainda nesta semana chegam a Dourados as EDLs (Estações Disseminadoras de Larvicida). Segundo o diretor da Força Nacional do SUS, Rodrigo Stabeli, os dispositivos atuam de forma inteligente no controle do mosquito.

“O instrumento atrai as fêmeas do Aedes aegypti para colocar ovos e, ao pousar, elas se contaminam com o larvicida. Depois, ao visitarem outros criadouros, acabam levando o produto e impedindo o desenvolvimento das larvas”, explicou.

Segundo ele, as ações contra o inseto dependem diretamente da colaboração da população. “Se olhar 10 minutos por semana a sua residência, consegue eliminar o vetor. Se tem mosquito na nossa casa, o foco está na nossa casa. Precisamos de uma grande mobilização para olhar os quintais”.

Jardim dos Estados (região norte), Novo Horizonte (região oeste) e Jóquei Clube (região leste) estão entre os locais com maior incidência de focos na cidade, além das aldeias Jaguapiru e Bororó, onde o avanço da doença é ainda mais preocupante, segundo a Vigilância Epidemiológica.

Em emergência sanitária, Dourados chega a 648 casos de chikungunya
Rivaldo Venâncio da Cunha (1º à esquerda) fala a jornalistas sobre a epidemia em Dourados (Foto: Divulgação)

Emergência - Considerado uma das maiores referências no país sobre a doença, o infectologista Rivaldo Venâncio da Cunha, que chegou a Dourados na semana passada, chama atenção para a gravidade da chikungunya, especialmente em comparação com outras arboviroses (doenças virais transmitidas pela picada de mosquitos infectados).

“A pessoa com dengue vai uma ou duas vezes à unidade de saúde. Já quem tem chikungunya pode ir cinco, oito, até dez vezes. Isso gera uma sobrecarga enorme no sistema”, disse ele. “Pessoas com problemas articulares, idosos ou com doenças como diabetes, hipertensão ou doenças autoimunes podem desenvolver formas mais graves da doença”, completou.

O infectologista elogiou a decisão do prefeito de decretar emergência em saúde pública no município. “Foi super correta a decisão em decretar a emergência antes do colapso da rede de saúde, ou seja, quando ainda existe tempo suficiente para evitar o caos na cidade”.

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