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Saúde e Bem-Estar

Contrabandeados até em pneu, emagrecedores cruzam fronteira sem qualquer cuidado

CRF alerta que transporte irregular pode estragar medicamentos e formar substâncias nocivas

Por Geniffer Valeriano e Helio de Freitas, de Dourados | 13/01/2026 12:57


RESUMO

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O Conselho Regional de Farmácia alerta sobre os riscos das canetas emagrecedoras contrabandeadas, após apreensão de 116 unidades escondidas em um pneu na MS-386. Os medicamentos, avaliados em R$ 88.329, eram transportados irregularmente do Paraguai para São Paulo. Segundo a presidente do CRF, Daniely Proença, o transporte inadequado compromete a eficácia dos medicamentos, que devem ser mantidos entre 2°C e 8°C. Além disso, produtos contrabandeados podem ser falsificados, contendo substâncias diferentes das descritas no rótulo, podendo causar reações adversas à saúde.

Contrabandeadas até dentro de pneus, as chamadas canetas emagrecedoras podem representar riscos sérios à saúde, alerta o CRF (Conselho Regional de Farmácia). Segundo a presidente Daniely Proença, o transporte irregular, sem controle de temperatura, pode comprometer a eficácia dos medicamentos e até provocar a formação de substâncias nocivas.

O alerta foi feito nesta terça-feira (13), após a apreensão de 110 unidades de tirzepatida e seis de retratrutide escondidas dentro de um estepe. O flagrante ocorreu na segunda-feira (12), quando um homem, que foi preso, tentava seguir para o Estado de São Paulo.

Conforme divulgado, os medicamentos foram contrabandeados do Paraguai. O motorista foi abordado durante fiscalização da Polícia Militar Rodoviária na MS-386, no distrito de Sanga Puitã, em Ponta Porã.

Durante a vistoria, os policiais notaram sinais de alteração no estepe do Ford Ka. Ao cortar o pneu, encontraram os produtos que têm origem estrangeira e entrada e comercialização proibidas no Brasil. A mercadoria foi avaliada em R$ 88.329.

Riscos — No início de 2026, houve aumento nas apreensões de medicamentos emagrecedores. A alta procura pelo genérico do Mounjaro em grandes cidades tem incentivado o contrabando do produto fabricado no Paraguai e também trazido de outros países.

Para evitar dúvidas, Daniely explica que, para manter a integridade das moléculas, os medicamentos precisam ser armazenados em temperaturas específicas. A tirzepatida, por exemplo, deve permanecer entre 2°C e 8°C, podendo ficar até 21 dias em temperatura ambiente, desde que abaixo de 30°C.

“O medicamento no estepe do veículo, ou escondido em partes não refrigeradas, atinge temperaturas muito elevadas, quebrando suas moléculas e causando a inativação total ou parcial do efeito”, reforça.

Se o princípio ativo sofrer alterações, a presidente do conselho afirma que o consumidor estará, na prática, jogando dinheiro fora. “O paciente fará uso de um medicamento caro e que não fará efeito. Fica frustrado, achando que o remédio não funciona ou que o corpo não responde bem ao tratamento, quando, na verdade, o produto está literalmente estragado”, explica.

Outro risco é a incerteza sobre a autenticidade do medicamento. Produtos contrabandeados podem ser falsificados e conter substâncias diferentes das descritas no rótulo.

“Se o princípio ativo não for verdadeiro, ainda pode haver formação de substâncias nocivas quando expostas a altas temperaturas, o que pode desencadear reações alérgicas, por exemplo”, acrescenta.

Sem alteração a olho nu — Por não possuírem indicadores de temperatura nas embalagens, a inspeção visual não é suficiente para garantir que o medicamento foi transportado corretamente.

“Às vezes, o produto que saiu da refrigeração apresenta manchas ou enrugamento da embalagem, mas nem sempre. No caso da tirzepatida, a solução injetável é transparente e incolor, ou levemente amarelada, e isso não muda mesmo após exposição à temperatura inadequada”, explica Daniely.

Visando a segurança do paciente, o Conselho Regional de Farmácia reforça que medicamentos devem ser utilizados apenas com prescrição médica, acompanhamento profissional e orientação farmacêutica adequada.

“Pior ainda é usar medicamento contrabandeado, colocando o tratamento e a própria saúde em risco. Ao adquirir um medicamento, procure um estabelecimento farmacêutico regulamentado, onde o profissional garante a procedência e a adequação ao tratamento”, finaliza.

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