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Lado Rural

Área de sorgo cresce 7.700% em MS e chega a 400 mil hectares na safrinha

Expansão ocorre em cinco safras e é impulsionada por contratos com usinas de etanol de milho

Por Ketlen Gomes | 13/01/2026 13:43
Área de sorgo cresce 7.700% em MS e chega a 400 mil hectares na safrinha
O sorgo é um grão parecido com o milho, que pode ser cultivado em áreas com pouca chuva, sendo uma opção para o produtor. (Foto: Divulgação/Semadesc)

De acordo com a Semadesc (Secretaria de Estado Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), o sorgo avançou de forma acelerada na segunda safra em Mato Grosso do Sul, deixando de ser alternativa emergencial e passou a integrar o planejamento econômico do produtor rural. A cultura ganhou espaço nos últimos cinco anos devido à demanda criada pelas usinas de etanol de milho e ao menor risco climático, com destaque para a safra 2024/2025.

RESUMO

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A área cultivada de sorgo em Mato Grosso do Sul registrou crescimento expressivo de 7.700% nos últimos cinco anos, saltando de 5 mil para 400 mil hectares. A expansão foi impulsionada pela demanda das usinas de etanol de milho e pela maior resistência da cultura às adversidades climáticas.O avanço ocorreu principalmente a partir da safra 2021/2022, com destaque para Ponta Porã e Maracaju. Segundo a Semadesc, a cultura deixou de ser alternativa emergencial e passou a integrar o planejamento econômico dos produtores, que encontraram na garantia de contratos de compra e previsibilidade de mercado os fatores decisivos para o investimento.

Levantamentos do SIGA (Sistema de Informações Geográficas do Agronegócio) mostram que a área cultivada passou de pouco mais de 5 mil hectares para cerca de 400 mil hectares. O aumento representa crescimento superior a 7.700% em cinco safras consecutivas.

Segundo o secretário Jaime Verruck, titular da Semadesc, a expansão não ocorreu por acaso e segue uma estratégia clara do setor produtivo. Ele afirma que o mercado se tornou o principal fator de decisão para o produtor. A demanda das usinas de etanol de milho sustentou a mudança no perfil da cultura.

“Embora o sorgo sempre tenha sido conhecido pelo produtor, sua expansão era limitada pela falta de demanda estruturada. Isso mudou quando as indústrias passaram a firmar contratos de compra, garantindo previsibilidade, escala e segurança econômica”, afirma.

Os dados do SIGA indicam que a virada ocorreu a partir da safra 2021/2022, quando o sorgo passou a ocupar áreas maiores. Após um período de ajustes, a cultura voltou a crescer de forma intensa na safra 2024/2025. Nesse intervalo, a área praticamente dobrou em relação ao ciclo anterior.

Para Verruck, o comportamento confirma que o sorgo passou a integrar o planejamento da safrinha. A cultura se encaixa melhor em áreas com janela curta após a soja e maior risco climático. A estratégia reduz perdas produtivas e financeiras no campo.

O secretário avalia que a consolidação das usinas de etanol de milho foi decisiva para esse avanço. Antes, a expansão do sorgo esbarrava na falta de demanda estruturada. A situação mudou com contratos de compra e previsibilidade de mercado.

Conforme o SIGA, cerca de metade da área de sorgo de segunda safra se concentrou em dez municípios. Ponta Porã e Maracaju lideram o plantio, seguidos por Bonito, Bela Vista e Sidrolândia. O mapa mostra avanço em regiões onde o milho enfrenta mais limitações climáticas.

O secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Semadesc, Rogério Beretta, afirma que o sorgo se firmou como alternativa viável ao longo dos anos. Ele destaca a maior resistência da cultura às adversidades climáticas e sanitárias. Essas características favorecem o cultivo em áreas marginais.

Beretta ressalta que a entrada das usinas de álcool de cereais alterou a lógica do plantio no Estado. A existência de mercado garantido e estrutura de armazenagem reduziram entraves históricos. Essas condições deram mais segurança ao produtor para investir.

No cenário nacional, o Brasil deve ultrapassar 6,6 milhões de toneladas de sorgo na safra 2025/2026, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Mato Grosso do Sul ocupa a quarta posição entre os maiores produtores do país. Para Verruck, o caso mostra que mercado, contratos e visão de longo prazo fortalecem a produção e o desenvolvimento regional.

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