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Saúde e Bem-Estar

Hospital de Três Lagoas é 1º a realizar cirurgia contra Parkinson no Estado

Procedimento de estimulação cerebral pode reduzir em até 80% uso de medicamentos para o tratamento da doença

Por Lucia Morel | 14/03/2026 15:33
Hospital de Três Lagoas é 1º a realizar cirurgia contra Parkinson no Estado
O aposentado Gilberto Barbieri, de 58 anos, convive com a doença há 15 anos. (Foto: Instituto Acqua)

A primeira cirurgia para tratar Parkinson em Mato Grosso do Sul foi realizada em Três Lagoas, no Hospital Regional da Costa Leste Magid Thomé na semana passada. Segundo dados do Instituto Acqua, responsável pela gestão da unidade, o procedimento de estimulação cerebral pode reduzir em até 80% uso de medicamentos para o tratamento da doença.

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O Hospital Regional da Costa Leste Magid Thomé, em Três Lagoas, realizou a primeira cirurgia de estimulação cerebral para tratamento de Parkinson pelo SUS em Mato Grosso do Sul. O procedimento pode reduzir em até 80% o uso de medicamentos para controle da doença. O paciente Gilberto Barbieri, de 58 anos, recebeu implantes de eletrodos cerebrais conectados a um dispositivo no peito, similar a um marca-passo. Durante a cirurgia, realizada com o paciente acordado, os médicos puderam testar os movimentos e identificar os pontos exatos para estimulação, visando reduzir sintomas como tremores e rigidez.

O hospital é público, e assim, se torna a primeira cirurgia do gênero pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Para o diretor técnico do hospital, Marllon Nunes, a realização do procedimento “demonstra a capacidade técnica do hospital e reforça seu papel como referência regional e estadual em assistência especializada, ampliando o acesso da população a tratamentos inovadores”, destacou.

Conforme a entidade, foram implantados eletrodos para estimulação cerebral no aposentado Gilberto Barbieri, de 58 anos, morador de Nova Andradina, que há 15 anos convive com os sintomas da doença, que começaram com tremores nas mãos e evoluíram para limitações motoras mais severas ao longo do tempo.

A cirurgia consiste na implantação de eletrodos em áreas profundas do cérebro responsáveis por modular os circuitos ligados ao controle dos movimentos. Conforme explica o médico neurocirurgião Eduardo Cintra Abib, responsável pela operação, as placas são inseridas em uma região chamada núcleo subtalâmico.

“Colocamos um eletrodo de cada lado do cérebro, porque cada hemisfério controla o lado oposto do corpo. Durante a cirurgia o paciente permanece acordado, para podermos testar os movimentos e identificar o ponto exato de estimulação que melhora sintomas como tremor e rigidez”, detalhou.

Após o implante, os eletrodos são conectados a um pequeno dispositivo semelhante a um marca-passo, implantado na região do peito. O aparelho envia impulsos elétricos ao cérebro que ajudam a regular a atividade responsável pelos movimentos.

Hospital de Três Lagoas é 1º a realizar cirurgia contra Parkinson no Estado
Toda cirurgia é acompanhada e visualizada em computadores. (Foto: Instituto Acqua)

Depois disso, conforme nota enviada pelo instituto, Gilberto permaneceu um dia na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e mais dois dias em observação, recebendo alta hospitalar no dia 8 de março. Ao final de duas semanas ele retornará ao hospital para a etapa de programação do dispositivo implantado, quando serão realizados os primeiros ajustes da estimulação.

“O sistema possui vários pontos de contato no eletrodo. A corrente elétrica pode ser direcionada para áreas específicas, de acordo com os sintomas predominantes de cada paciente, como tremor, rigidez ou instabilidade. No retorno vamos avaliar como foi a rotina dele e ajustar o dispositivo conforme a necessidade”, ressaltou Eduardo.

Para Gilberto, a cirurgia representa a possibilidade de recuperar autonomia e retomar atividades que ficaram mais difíceis nos últimos anos. “Quero poder fazer coisas simples sem ser refém dos remédios, sem tremer ou ficar paralisado. Quero viajar, pescar, visitar minha irmã que mora em uma fazenda em Pontes Lacerda, no Mato Grosso, e pegar meus netos no colo sem medo de derrubá-los,” conta.

A esposa, Elcia Oliveira Umbelino Barbieri, de 56 anos, com quem Gilberto é casado há 36 anos, acompanhou todo o processo e também vê a cirurgia com esperança. “Hoje sou motorista oficial dele. Hesitamos de sair de casa, dá receio de ir em eventos, festas, porque temos receio de o efeito do remédio acabar e ele congelar ou começar a tremer em público. As pessoas ficam olhando e é uma situação constrangedora, por isso muitas vezes preferimos ficar em casa, em certas ocasiões. Agora temos esperança de que a vida volte a ser mais tranquila”, disse.

Hospital de Três Lagoas é 1º a realizar cirurgia contra Parkinson no Estado
Equipe com o paciente durante a cirurgia (Foto: Instituto Acqua)


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