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O novo dinheiro global

Por Benedicto Ismael Camargo Dutra (*) | 02/04/2025 08:30

No pós-guerra, a partir de 1945, adveio uma fase de paz e progresso econômico. Muito já se falou que as identidades culturais e religiosas seriam a principal fonte de conflitos entre os povos, o choque das civilizações, sintetizado pelo cientista político Samuel Huntington. Com a evolução tecnológica e financeira, estão eclodindo conflitos voltados para o poderio econômico. A força do dinheiro fala mais alto. O capitalismo de Estado está moldando uma nova cultura. Se os confrontos religiosos criam fortes embates, os econômicos estão assumindo proporções globais, em que as questões místicas vão perdendo força.

A ampliação do poder econômico cria um cenário para confrontos envolvendo finanças e produtividade entre o capitalismo de livre mercado com grandes corporações, e o Estado capitalista que, pragmaticamente, vai ampliando a sua penetração no mundo todo numa guerra financeira, fabril e tecnológica, buscando uma nova ordem global.

No planeta com oito milhões de seres humanos encarnados e com crescentes imprevistos climáticos, a economia global se tornou um emaranhado de dúvidas criando um cenário de incertezas. Com isso, todos os indicadores tendem a oscilar ampliando os riscos. É como se fosse uma roleta imprevisível na qual os jogadores não sabem onde colocar as suas fichas. Para as nações há o risco de dificuldades para obter dólares, tendo de se sujeitar a custos mais elevados; para a população o risco é de aumentar a tendência mundial de precarização. Internamente, nas nações, há polarização política. Globalmente, agrava-se a geopolítica diante dos conflitos econômicos entre os Estados Unidos e a China. E de novo escavam pirâmides e túmulos, o segredo encoberto. Estariam os rumos da humanidade gravados nas estruturas de pedra da Grande Pirâmide de Gizé, no Egito?

O Estado-nação aglutina a renda geral; é aí que ingressam os oportunistas, a elite no comando que administra o Estado e não vacila em tirar proveitos. É perceptível que há um esforço para dizimar o Estado-nação, que já teria cumprido a tarefa que lhe foi determinada de chegar ao dinheiro fiduciário, mas caiu na mão de grupos manipuladores oportunistas que se fortalecem para se perpetuarem no poder. A impressão é que os EUA estão fazendo um esforço para recuperar a nação com medidas austeras e imposição de tarifas para reduzir a invasão de manufaturas produzidas externamente.

O planeta Terra está problemático ao extremo com a economia e finanças em desarranjo global. A instabilidade é geral. Eleva-se a cotação do ouro. Um outro tipo de moeda global está sendo gestada com a capacidade de controlar tudo e todos como se fossem gado, sem liberdade, sem força de vontade própria.

O mundo se embrutece. Saindo da infância descomprometida, os jovens se deparam com a brutal aspereza da vida. Melancólicos, sofrem com a percepção da rudeza à sua volta. Os adultos lhes oferecem modelos que os forçam a se refugiarem na prematura atividade sexual e nas drogas. Meninas ficam grávidas antes da hora. Há um conjunto das ações nefastas que tem como alvo atacar a joia da feminilidade para embrutecer o mundo, fortalecendo o medo e o ódio que enfraquece a espécie humana.

O futuro depende da capacidade de alcançar o reequilíbrio geral: ambiental, econômico, monetário e educacional, com liberdade e responsabilidade. Tudo é importante, mas o fundamental é o esforço individual para a reaproximação da espiritualidade perdida. Porém, o querer isso tem de partir do íntimo do ser humano buscando o saber da real finalidade da vida.

(*) Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP.

 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.

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