Nos bastidores da água: a sala que vigia Campo Grande enquanto a cidade dorme
Centro de Controle de Operações acompanha em tempo real o abastecimento de água e sistema de esgoto da cidade

Abrir a torneira e ver a água correr parece um gesto simples, quase automático. O mesmo acontece quando o esgoto desaparece pelo ralo e segue seu caminho sem que ninguém precise pensar sobre isso. Mas, por trás dessa rotina silenciosa, existe uma engrenagem que nunca para — funcionando dia e noite para que a cidade continue vivendo sem interrupções.
RESUMO
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É no Centro de Controle de Operações (CCO) da Águas Guariroba que essa vigilância permanente acontece. Ali, longe dos olhos da população, técnicos acompanham em tempo real tudo o que envolve o abastecimento de água e o sistema de esgoto de Campo Grande, 24 horas por dia.
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Diante de um painel formado por telas que exibem mapas, gráficos e indicadores, a operação da cidade ganha forma em números. Pressão da rede, consumo, níveis dos reservatórios, funcionamento de bombas e estações elevatórias são monitorados continuamente. Qualquer alteração fora do padrão acende um alerta — e a resposta começa antes mesmo que o problema seja percebido nas ruas.
“O papel do CCO é antecipar a crise. Muitas intervenções acontecem antes de qualquer chamado da população. Nós monitoramos, identificamos e resolvemos situações que poderiam causar interrupções no abastecimento”, explica o supervisor do centro, Guilherme Pereira.
Quando os dados falam primeiro
O ambiente foi pensado para manter a atenção constante. Dez grandes telas recebem informações enviadas por cerca de 1.200 sensores espalhados pela cidade. Cada equipamento transmite dados em tempo real, permitindo que a equipe acompanhe o comportamento da rede como se observasse o pulso da cidade.
São 573 pontos monitorados apenas no sistema de água: 156 poços — incluindo 18 superpoços —, 121 reservatórios, 61 estações elevatórias de água tratada, captações nos mananciais do Guariroba e do Lageado, além de válvulas, pontos críticos de pressão e equipamentos que registram volume e fluxo.
Softwares inteligentes ajudam a interpretar esse volume de informações. O sistema identifica variações, aponta possíveis falhas e orienta decisões rápidas, reduzindo perdas e aumentando a eficiência da operação.
Durante o dia, oito profissionais se revezam entre controladores, analistas e coordenação. À noite, o monitoramento continua sem pausa, garantindo que a cidade permaneça assistida mesmo enquanto a maioria dorme.
Olhar atento até para o clima
O CCO também acompanha as condições climáticas em tempo real. A previsão de chuva intensa, por exemplo, pode mudar estratégias operacionais, preparando o sistema para variações de consumo ou situações de maior risco.
Cerca de 25 câmeras instaladas em pontos estratégicos ajudam a complementar as informações técnicas, permitindo decisões mais rápidas em cenários delicados. No sistema de esgoto, outras 29 estruturas — entre elevatórias e estações de tratamento — também permanecem sob vigilância permanente.
A eficiência que não aparece
Os números mostram a dimensão desse trabalho silencioso. Somente em janeiro, foram cerca de 40 mil ações realizadas diretamente do centro de controle, como acionamento remoto de bombas, ajustes de pressão e manobras na rede. No mesmo período, mais de 21 mil alertas foram analisados pela equipe.
Sem esse acompanhamento, muitos problemas só seriam percebidos quando já estivessem visíveis: falta de água, vazamentos, rompimentos ou extravasamentos de esgoto.
Com o CCO, a lógica se inverte. Primeiro o dado acusa, depois a equipe age — e, muitas vezes, o morador nem chega a saber que algo quase aconteceu.
Mais do que uma sala cheia de telas, o Centro de Controle de Operações é o lugar onde informação vira decisão e decisão vira ação. Um trabalho discreto, contínuo e essencial, que garante que a rotina da cidade siga fluindo — assim como a água que chega todos os dias às casas de Campo Grande.

