Sem-terra pedem presidente nacional do Incra para liberar BR-163
Manifestante diz que negociação pela reforma agrária com superintendência regional já se esgotou
Os manifestantes do MST-MS (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra de Mato Grosso do Sul), que bloqueiam a BR-163, próximo ao Posto Locatelli, em Campo Grande, dizem que somente vão sair da estrada quando tiverem resposta às reivindicações, entre elas, a retomada da reforma agrária no Estado.
RESUMO
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O deputado federal Vander Loubet (PT) garante que já acertou a vinda do presidente, mas para sábado. "Consegui acertar a vinda do presidente nacional do Incra [(Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), César Fernando Schiavon Aldrighi] para resolver a ocupação ele vem amanhã de manhã", afirmou.
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Essa é a principal reivindicação do grupo. Desde as 3h, cerca de 200 manifestantes estão na rodovia, na altura do km 463 ao 466 no sentido sul e bloqueiam a passagem com galhos queimados. No protesto, gritam “Reforma agrária quando? Já!”, “Se a conquista é zero, 100% luta” e “1, 2, 3, 4, 5 mil, ou sai reforma agrária ou paramos o Brasil”.
Segundo a Motiva, concessionária responsável pela rodovia, o congestionamento chega a 5 quilômetros no sentido norte e 2 quilômetros no sentido sul.
O movimento é liderado por mulheres, segundo Sandra Maria Costa Soares, presidente da Fafer (Federação dos Agricultores Familiares e Empreendedores Rurais) e representante da Unitária Agrária de MS.
Sandra disse que o protesto vai continuar até que conversem com o presidente do Incra ou com representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar.
Eles também pedem a liberação de R$ 2 bilhões para aquisição de áreas destinadas à reforma agrária no Estado. Integram o grupo o MST, a UGT (União Geral dos Trabalhadores), a Fafer e o MSTB (Movimento Sem Terra Brasileiro).
“Não vamos abrir mão enquanto o presidente do Incra não descer para cá para negociar”, afirmou Sandra. Ela reclamou da morosidade do processo de reforma agrária no Estado, enquanto 19 mil famílias aguardam por um pedaço de terra.
A manifestante alega que há quase 20 anos não há movimentação nesse processo. Mas houve ação em agosto de 2025, quando foi criado o assentamento União e Reconstrução, em Cassilândia, a mais nova área de assentamento a ser implantada, em um imóvel de 718,7 hectares.
Antes, o último assentamento rural criado em Mato Grosso do Sul foi o Nazareth, em dezembro de 2013, em Sidrolândia. O Estado tem 194 áreas como essa, de acordo com o Incra, onde vivem quase 30 mil famílias.
No protesto, somente ambulâncias e outros veículos de saúde podem passar. Há pouco, uma viatura do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi autorizada a passar, o que aconteceu sob aplausos.

Sandra diz que o bloqueio na rodovia é parte da semana de protestos, iniciada na segunda-feira (16), com a ocupação da sede do Incra, em Campo Grande, na Vila Glória.
A presidente da Fafer diz que o grupo já esgotou qualquer negociação com a superintendência regional e, por isso, exige a presença de representantes de Brasília.
O superintendente do Incra em MS, Paulo Roberto da Silva, disse que está cuidando do caso, mas não deu detalhes sobre o que deve ser feito ou se algum representante de Brasília irá ao local.
Passagem - Como alternativa de rota, a orientação é que os motoristas usem desvios: no sentido norte, o acesso fica no km 461, com saída para a MS-040, e no sentido sul, o acesso é no km 466, com saída para Sidrolândia.
Quem está parado no bloqueio reclama. Bernardo Portinho, 62, estava a caminho do trabalho, em uma granja distante três quilômetros do ponto de manifestação. “Estou parado aqui desde as 5h30. Isso é muito injusto para quem vai trabalhar. Para eles tem efeito, para nós não.”
O frentista Carlos Perez, 60 anos, estava revoltado. “Isso é burrice. Vai ter solução isso aqui? Quer ter solução, trava banco.” Ele também estava a caminho do trabalho, a pouco mais de 1,5 quilômetro do local. Nem de bicicleta conseguiu passar.
Um médico veterinário de 31 anos relatou que foi impedido de passar para atender um pequeno produtor rural que enfrenta uma emergência, com uma vaca em trabalho de parto e possível necessidade de cesariana. Segundo ele, a demora pode levar à morte do animal, o que traria prejuízo direto ao produtor, já que a vaca produz, em média, 12 litros de leite por dia. O veterinário também afirmou que há, no congestionamento, um caminhão com carga de suínos em situação crítica.
Outro caso, mas que conseguiu aval para passagem, é o do motorista Carlos Amaro Freire, que está com uma carga de 2 mil caixas de soro para o Hospital Militar. O horário limite para entrega é às 12h. “Se não entregar hoje, só segunda.” Depois de conversar com os manifestantes, ele conseguiu passar.
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