Com casa no Alphaville, filho e pai são investigados por muamba no camelódromo
Esquema envolve cooptação de policiais para transporte de material ilegal até para Minas Gerais
Pai e filho, proprietários de boxes no Camelódromo, no Centro de Campo Grande, estão entre os alvos de mandados de prisão na Operação Iscariotes, deflagrada pela PF (Polícia Federal). O esquema contava com policiais cooptados para facilitar o contrabando, o descaminho e a lavagem de dinheiro.
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Pai e filho, proprietários de boxes no Camelódromo de Campo Grande, foram alvos de mandados de prisão na Operação Iscariotes, deflagrada pela Polícia Federal. A investigação revelou um esquema de contrabando e lavagem de dinheiro que contava com a participação de policiais. Os comerciantes, especializados em informática e eletrodomésticos, tinham empresas com capital social de R$ 150 mil cada. A organização criminosa contava com agentes de segurança que forneciam informações sigilosas e auxiliavam no transporte de mercadorias ilegais para Campo Grande e outros estados.
Conforme apuração da reportagem, a operação deflagrada esta manhã teve como alvo os boxes do comerciante Clenio Alisson Medeiros Tavares, de 46 anos e do filho dele, Brendon Alisson Medeiros Tavares, de 26 anos. Quatro foram lacrados e mercadorias retiradas do Camelódromo.
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Segundo dados do governo federal, Clenio Alisson mantém no Camelódromo a C.A.T Comércio e Acessórios Telecom Ltda, operando na venda de equipamentos e suprimentos de informática, com empresa constituída em 15 de abril de 2020 e capital social de R$ 150 mil.
Já o filho mantém BK Comércio de Eletrônicos Ltda no local, com nome fantasia "O Barateiro", sendo especializado em eletrodomésticos e equipamentos de áudio e vídeo, aberto em 13 de janeiro de 2021. O capital social também é de R$ 150 mil.
Mais cedo, o presidente do Camelódromo, Narciso Soares dos Santos, havia confirmado que os boxes do "O Barateiro" estavam entre os alvos.
Além dos boxes, a operação cumpriu mandados de busca e apreensão na casa deles, em endereços na Rua Bom Sucesso, na Vila Marcos Roberto e na Rua Guapeva, no Alphaville 3, que tem conta de energia no nome de Brendon.
A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos empresários. Os respectivos telefones estão desligados.
Outros dois alvos já identificados são os policiais civis Célio Rodrigues Monteiro, conhecido como “Manga Rosa” e Edivaldo Quevedo da Fonseca. “Manga Rosa" já foi alvo de outras três operações nos últimos seis anos.
Segundo o delegado Anezio Rosa de Andrade, da PF, também foram alvos três policiais rodoviários federais, um policial militar e um bombeiro.
A reportagem confirmou que os três PRFs investigados são aposentados. Em nota, a assessoria da PRF (Polícia Rodoviária Federal) informou que eles não tem vínculo ativo com o órgão há mais de oito anos.
Ainda em nota, a assessoria informou que, "uma vez comprovadas as irregularidades, supostamente cometidas após aposentadoria, os investigados poderão responder criminalmente, nos termos da lei".
Mais cedo, o vice-governador José Carlos Barbosa, o Barbosinha, disse que o governo estadual irá abrir os procedimentos administrativos para apurar a participação dos policiais.
Operação - Segundo a Polícia Federal, a organização criminosa contava com a participação de agentes vinculados a órgãos de segurança pública, aposentados e da ativa. Eles atuavam desde o fornecimento e monitoramento indevido de informações sigilosas extraídas de sistemas policiais oficiais até o transporte físico das mercadorias, com aparente utilização da função pública para favorecer a atuação do grupo.
Após o ingresso irregular no país, os produtos eram distribuídos em Campo Grande e em outros estados, especialmente Minas Gerais, muitas vezes de maneira fracionada em meio a cargas lícitas.
A PF informou que os investigados utilizavam veículos com compartimentos ocultos para transportar as mercadorias e também adotavam estratégias para esconder a origem do dinheiro obtido com as atividades ilegais, caracterizando lavagem de capitais.
A operação é da Polícia Federal e Delefaz (Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários em Mato Grosso do Sul), com apoio da Receita Federal.
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