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Capital

Influencer é presa por descumprir medida protetiva e perseguir sogra e cunhada

Polícia Civil classifica Daniele Santana Gomes, de 31 anos, como "pistoleira digital"

Por Anahi Zurutuza | 30/01/2026 19:37

O juiz Marcus Abreu de Magalhães, da 4ª Vara da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, determinou que, no fim da tarde desta sexta-feira (30), Daniele Santana Gomes, influencer digital de 31 anos também conhecida como “Coach irônica”, fosse presa por descumprir medida protetiva e perseguir a sogra e a cunhada. A decisão, acolhendo pedido do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), fala em violência digital e tem por objetivo garantir a “integridade física e psíquica das vítimas e de seus familiares”.

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A influenciadora digital Daniele Santana Gomes, de 31 anos, foi presa em Campo Grande por descumprir medida protetiva e perseguir a sogra e a cunhada. A decisão foi determinada pelo juiz Marcus Abreu de Magalhães, da 4ª Vara da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, após continuidade de agressões virtuais no Instagram e TikTok. A influenciadora possui histórico de 41 boletins de ocorrência, incluindo acusações de difamação, perseguição e ameaças. Segundo investigação da Polícia Civil, Daniele mantém uma estrutura multiplataforma com mais de 70 mil seguidores, atuando como "pistoleira digital" mediante possíveis vantagens econômicas.

Medidas protetivas haviam sido expedidas inicialmente proibindo Daniele e o namorado, Ítalo dos Santos Barros, de 27 anos, de se aproximarem das vítimas ou estabelecessem qualquer forma de contato. A decisão liminar também impede ambos de “divulgarem, compartilharem, mencionarem ou publicarem qualquer informação, imagem, áudio ou vídeo relacionados às vítimas ou familiares destas em quaisquer meios, especialmente mídias sociais e aplicativos de mensagem”.

Por fim, a ordem era para que o casal removesse, no prazo de 48 horas, contado a partir da intimação, “conteúdos ofensivos, difamatórios ou vexatórios já publicados ou divulgados em redes sociais ou plataformas eletrônicas análogas, que façam menção às vítimas e familiares destas”

No entanto, conforme relatado pelas duas mulheres, as agressões virtuais continuaram após a imposição das restrições judiciais, principalmente no Instagram e no TikTok. As publicações ofensivas foram mantidas ativas.

Na decisão, o magistrado enfatizou que, ao desrespeitar as ordens judiciais, Daniele demonstrou “absoluto desprezo pela autoridade deste juízo”, ultrapassando os limites da liberdade de expressão.

As publicações ofensivas mantidas ativas indicam uma violação consciente das medidas protetivas e configuram um desrespeito ao poder judiciário”, anotou o juiz Marcus Abreu de Magalhães ao decidir pela prisão preventiva (por tempo indeterminado) de Daniele.

Na decisão, o magistrado também alertou para os graves efeitos da violência digital, que, além de causar danos psicológicos profundos, tem consequências na saúde mental das vítimas, prejudicando sua dignidade e vida social. A persistência de Daniele nas agressões virtuais reforçou que a advertência anterior não foi suficiente para “impedir a continuidade delitiva”, o que, de acordo com o juiz, justifica a adoção de medidas mais severas.

A prisão foi decretada com base nos fundamentos da Lei Maria da Penha e Daniele foi pega pela Polícia Civil no fim da tarde de hoje em bar que fica na região do Tiradentes, em Campo Grande. Ela foi levada para a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher).

Influencer é presa por descumprir medida protetiva e perseguir sogra e cunhada
Daniele (de vestido preto) é levada por policiais até viatura e namorado (camiseta branca) a segue (Foto: Reprodução)

Histórico –  Investigação conduzida pela 3ª Delegacia de Polícia aponta que há um histórico de condutas semelhantes de Daniele contra outras pessoas. Levantamento feito no ano passado apontou a existência de 41 boletins de ocorrência contra a influenciadora, com acusações de difamação, stalking (perseguição), calúnia, injúria, ameaça e até lesão corporal dolosa.

“As vítimas identificadas até o momento apresentam perfis socioprofissionais, econômicos, etários e de gênero extremamente heterogêneos, abrangendo: médicos e clínicas de estética; advogados e escritórios de advocacia; influenciadores digitais e profissionais de marketing; empresários de diversos segmentos (restaurantes, livrarias, eventos, cosméticos, academias); fotógrafos, coaches, organizadores de eventos; jornalistas, psicólogos, pastores evangélicos, candidatos políticos, servidores públicos e magistrados (indiretamente)”, também diz o relatório elaborado na 3ª DP.

Esse padrão, aliado aos seguintes elementos já colhidos, permite inferir fundadamente que a investigada atua, em diversos casos, como verdadeira ‘pistoleira digital’, supostamente contratada ou incentivada mediante vantagem econômica (doações, Pix, parcerias comerciais disfarçadas ou promessas de reciprocidade futura)”, registra a investigação concluída no dia 28 de novembro do ano passado.

Conforme levantado pela Polícia Civil, Daniele “mantém estrutura multiplataforma com mais de 70 mil seguidores exclusivamente sustentada por conteúdo sensacionalista e destruição reputacional”.

A investigação aponta o namorado da influencer como coautor dos crimes imputados a ele, mas contra ele não há mandado de prisão. O espaço está aberto para o posicionamento das defesas de Daniele e Ítalo.

Influencer é presa por descumprir medida protetiva e perseguir sogra e cunhada
 Daniele Santana Gomes, influencer digital de 31 anos, e o namorado, Ítalo, em foto publicada nas redes sociais (Foto: Instagram/Reprodução)

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