IPTU mais alto expõe contrastes entre bairros e critérios usados para reajuste
Entre planilhas e ruas, impacto do imposto varia conforme a região
A atualização do IPTU (Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana) em Campo Grande, baseada no novo PSEI (Perfil Socioeconômico Imobiliário), atingiu bairros com realidades urbanas bastante distintas.
RESUMO
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A atualização do IPTU em Campo Grande, baseada no novo Perfil Socioeconômico Imobiliário, revelou disparidades entre bairros da cidade. Enquanto regiões periféricas enfrentam problemas de infraestrutura básica, áreas mais valorizadas questionam aumentos sem melhorias recentes no entorno. Segundo a Prefeitura, 44,7% dos imóveis tiveram elevação de categoria, impactando diretamente o valor do imposto. A metodologia considera fatores como valorização imobiliária e renda média da região. Moradores de diferentes bairros relatam aumentos significativos, com casos de atrasos na entrega dos carnês e questionamentos sobre os critérios utilizados.
Enquanto moradores de regiões periféricas relatam limitações na infraestrutura, contribuintes de áreas valorizadas questionam aumentos mesmo sem mudanças recentes no entorno. Em comum, estão os impactos financeiros e a dificuldade de compreender os critérios aplicados.
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Segundo dados da Prefeitura de Campo Grande, 44,7% dos imóveis da Capital subiram de categoria após a revisão do PSEI, o que influenciou diretamente o valor do IPTU e da taxa de coleta de lixo. A metodologia considera fatores como valorização imobiliária, renda média da região, padrão construtivo e volume estimado de resíduos.
Levantamento técnico aponta que setores como Jardim Canguru, Paulo Coelho Machado, Jardim dos Estados e Santa Fé apresentam médias mensais elevadas de resíduos coletados. A prefeitura sustenta que “imóveis de maior valor tendem a apresentar padrões de consumo que resultam em maior demanda pelo serviço de coleta”.
No Jardim Canguru, porém, moradores dizem que a classificação não condiz com a estrutura disponível. No bairro, apenas as vias por onde passam ônibus são asfaltadas, não há coleta seletiva e parte dos contribuintes afirma não ter recebido o carnê do IPTU até o início do ano.
A vigilante Maria Eunice Oliveira, de 46 anos, relata que o imposto da casa subiu cerca de R$ 150. “Aqui subiu uns cento e cinquenta reais a mais. A gente recebeu já em cima do prazo para pagar a primeira parcela”, diz. Segundo ela, não houve tempo para planejamento. “Não deu nem para pensar em desconto. A gente acaba pagando porque sabe que, se esperar, demora muito para resolver.”

Pelas ruas dos bairros, os moradores disseram ao Campo Grande News que ainda nem receberam os boletos para saber o quanto aumentou ou como vão parcelar. É o caso do barbeiro Wagner Araújo, morador da região há sete anos. “Impostos do carro e da moto chegou. Da casa, nada. Nem sei quanto vai vir”, afirma. Segundo ele, a intenção é aguardar uma definição antes de procurar a Central do Cidadão. “Vou esperar passar um pouco, ver o que decidem.”
Outro lado da cidade - Já no Carandá Bosque, bairro com ruas pavimentadas e serviços urbanos consolidados, os carnês chegaram em dezembro e a coleta seletiva funciona com dias definidos. Mesmo assim, parte dos moradores questiona o reajuste aplicado.
A engenheira civil Carla Belliard, de 63 anos, afirma que o IPTU dos imóveis dela teve aumento médio de 30%. “Teve aumento, sim. Eles dizem que reavaliaram o enquadramento do imóvel, mas isso não procede”, afirma. Para ela, não houve nenhuma melhoria recente que justifique o reajuste. “Zero. Não mudou nada aqui.”
Carla diz que decidiu não pagar o imposto neste momento. “Eu vou esperar resolverem. Já assinei abaixo-assinado para a Câmara rever isso e, até que essa situação seja realmente resolvida, não vou pagar”, relata.
Outro morador do bairro, o engenheiro de computação Marcelo Genaro, conta que o valor subiu cerca de R$ 200. “Ano passado foi em torno de mil e quinhentos, esse ano veio perto de mil e setecentos”, diz. Para ele, embora o bairro tenha boa estrutura, o reajuste não veio acompanhado de melhorias. “Não fizemos melhorias no imóvel e nem houve melhorias na região. Então fica difícil entender.”
Ele reconhece que a coleta seletiva funciona, mas pondera. “Aqui passa praticamente todo dia o caminhão, mas mesmo assim a sensação é que o retorno é pequeno perto do que a gente paga.”
A prefeitura argumenta que a revisão do PSEI era necessária porque a base anterior, de 2017, estava defasada e gerava distorções. O estudo foi elaborado pela Gerência de Cartografia da Divisão de Avaliação e Geoprocessamento da Sefaz (Secretaria Estadual de Fazenda), com uso de imagens aéreas e dados do sistema municipal de geoprocessamento.
O levantamento também identificou ampliações não declaradas, incluiu novos imóveis no cadastro e retirou da taxa de lixo residências onde o caminhão da Solurb não realiza coleta.
Sobre os contribuintes que nem chegaram a receber os boletos em casa, a reportagem questionou a gestão municipal, mas ainda não houve retorno. O espaço está aberto para esclarecimentos.
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