Justiça autoriza vítima de sequestro a atuar na acusação contra o próprio pai
Crime aconteceu em outubro de 2025, quando a mulher foi levada para cativeiro a mando do narcotraficante
A juíza Eucelia Moreira Casal autorizou que uma mulher e o marido atuem como assistentes de acusação no processo em que aparecem como vítimas de extorsão mediante sequestro. O crime aconteceu em 24 de outubro de 2025 e foi ordenado pelo pai da mulher, o narcotraficante Gerson Palermo, em Campo Grande.
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Uma mulher e seu marido foram autorizados pela Justiça a atuar como assistentes de acusação no processo em que são vítimas de extorsão mediante sequestro, ocorrido em Campo Grande. O crime, segundo denúncia do Ministério Público, foi ordenado pelo próprio pai da vítima, o narcotraficante Gerson Palermo. O sequestro aconteceu em outubro de 2025, quando a vítima foi atraída ao centro da cidade e rendida por homens armados. Durante o cativeiro, ela sofreu agressões e ameaças. Os criminosos exigiam dinheiro que, segundo eles, havia desaparecido anos antes. A vítima foi posteriormente abandonada na região das Moreninhas.
Conforme denúncia do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), a mulher foi sequestrada após ser atraída para um encontro no Centro da Capital. Segundo a investigação, ela foi orientada a encontrar um homem em um veículo estacionado na Rua 14 de Julho. Ao chegar ao local, ela foi rendida por dois homens armados que a obrigaram a entrar no carro e anunciaram o sequestro.
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A investigação apontou que o sequestro teria sido planejado por Gerson Palermo, pai da vítima, com apoio de Reinaldo Silva de Farias e de outros dois suspeitos não identificados. O objetivo seria pressionar familiares da vítima a entregar dinheiro que, segundo os acusados, teria desaparecido anos antes.
Durante o período em que esteve em cativeiro, ela foi ameaçada e agredida. Os sequestradores chegaram a enviar uma fotografia da vítima amarrada e um áudio de despedida para pressionar a família a pagar o valor exigido.
Após algumas horas, a vítima foi abandonada em uma área da região das Moreninhas e conseguiu pedir ajuda.
A mulher e o marido entraram com pedido para atuarem como assistentes de acusação. Esta semana, a juíza Eucelia autorizou a participação dos dois. A medida permite que as vítimas acompanhem diretamente o andamento da ação penal, tenham acesso aos atos do processo e possam sugerir provas ou se manifestar durante a tramitação.
Na decisão, a magistrada também determinou a inclusão de novos endereços no sistema de monitoramento eletrônico de Reinaldo. Caso o investigado se aproxime desses locais em um raio de até 300 metros, o sistema deverá emitir alerta. Os endereços foram indicados pelas próprias vítimas para ampliar a segurança. Porém, o pedido para que o processo tramitasse sob sigilo foi negado, mantendo a ação pública.
Além da extorsão mediante sequestro, a denúncia também aponta que a vítima sofreu agressões físicas durante o período em que ficou em cárcere privado. Durante as investigações, policiais encontraram ainda armas de fogo de uso restrito na casa de Reinaldo, que foi preso em flagrante, mas agora está sob monitoramento eletrônico.
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