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Educação e Tecnologia

Pesquisa realizada em MS reduz tumor em 99% e pode revolucionar quimioterapia

Estudo da UFMS aponta nova estratégia para aumentar a eficácia do tratamento com menos efeitos colaterais

Por Jhefferson Gamarra | 03/03/2026 13:47
Pesquisa realizada em MS reduz tumor em 99% e pode revolucionar quimioterapia
Equipe responsável pela pesquisa na UFMS (Foto: Divulgação)

Uma pesquisa desenvolvida em Mato Grosso do Sul pode representar um avanço significativo no tratamento do câncer ao propor uma forma de tornar a quimioterapia mais eficaz e menos agressiva ao organismo. O estudo, conduzido na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), alcançou resultados expressivos em testes experimentais, com redução do crescimento de tumores em até 99,6%, utilizando nanotecnologia para direcionar medicamentos diretamente às células cancerígenas.

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Pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul alcança resultados promissores no tratamento do câncer, reduzindo tumores em até 99,6%. O estudo utiliza nanotecnologia para transportar medicamentos quimioterápicos diretamente às células cancerígenas, minimizando danos às células saudáveis. A tecnologia emprega nanopartículas de sílica combinadas com ácido fólico como direcionador, permitindo maior precisão no tratamento. O projeto, que já possui pedidos de patentes, demonstra potencial para aplicação no Sistema Único de Saúde e transferência tecnológica para o setor produtivo.

A iniciativa conta com apoio do Governo do Estado, por meio da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul), e da Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul).

A pesquisa avançou no desenvolvimento de uma nova forma de transporte de medicamentos quimioterápicos, etapa considerada essencial para garantir que o fármaco circule pelo organismo e atinja a célula doente com maior precisão. A tecnologia utiliza nanopartículas produzidas a partir de sílica, estruturas milhares de vezes mais finas que um fio de cabelo, que funcionam como “veículos” para conduzir os medicamentos diretamente até as células cancerígenas.

Com essa estratégia, é possível preservar a atividade anticâncer dos fármacos mesmo em concentrações menores, reduzindo o impacto sobre células saudáveis. “O planejamento do tamanho e da morfologia da matriz carreadora, assim como a adição dos fármacos, foi bem-sucedido, mantendo a atividade anticâncer dos medicamentos e reduzindo as concentrações necessárias”, afirma o professor Marcos Utrera Martines, da UFMS, responsável pela pesquisa.

Nos testes laboratoriais, as nanopartículas demonstraram alta capacidade de impedir a multiplicação das células tumorais, além de maior seletividade, ou seja, atuaram de forma mais intensa sobre células cancerígenas do que sobre células saudáveis. Esse resultado aponta para a possibilidade de diminuição dos efeitos colaterais comuns da quimioterapia convencional, como queda de cabelo, náuseas e comprometimento do sistema imunológico.

Em etapa posterior, os pesquisadores avaliaram o desempenho da tecnologia em testes experimentais voltados à análise do crescimento e do peso dos tumores. As nanopartículas contendo citarabina e doxorrubicina apresentaram os melhores resultados.

A combinação permitiu redução do crescimento tumoral de até 99,6% e diminuição superior a 90% no peso dos tumores analisados. Os dados reforçam o potencial da estratégia como alternativa promissora para ampliar a eficácia dos tratamentos oncológicos.

O estudo também incorporou o uso de ácido fólico como mecanismo de direcionamento. Muitas células cancerígenas apresentam grande quantidade de receptores dessa substância em sua superfície, o que facilita a condução preferencial do medicamento até o tumor. “O ácido fólico é usado como direcionador de fármacos porque diversas células cancerígenas superexpressam receptores de folato na sua superfície”, explica o professor Martines.

Potencial de aplicação no SUS e transferência tecnológica

Além dos resultados científicos, o projeto já resultou em pedidos de patentes e demonstra potencial de transferência tecnológica para o setor produtivo e para o SUS (Sistema Único de Saúde). As possibilidades incluem parcerias para desenvolvimento produtivo ou até mesmo a criação de empresas de base tecnológica voltadas à inovação em saúde.

A expectativa da equipe é que a continuidade dos estudos contribua para ampliar o acesso a tratamentos mais eficientes e com menor impacto ao organismo, beneficiando pacientes e fortalecendo a saúde pública.

Para o diretor-presidente da Fundect, Cristiano Carvalho, o apoio institucional é fundamental para consolidar avanços como este. “Ao apoiar projetos como este, a Fundect fortalece a pesquisa científica em Mato Grosso do Sul, estimula a formação de pesquisadores qualificados, atraindo mais doutores para nosso Estado, e contribui para o desenvolvimento de tecnologias com potencial de aplicação futura no Sistema Único de Saúde”, afirma.