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Capital

Nos bairros, parquinhos públicos se tornam cemitérios de estruturas deterioradas

Brinquedos quebrados, furtos e falta de manutenção marcam praças da Capital

Por Geniffer Valeriano | 15/02/2026 10:35
Nos bairros, parquinhos públicos se tornam cemitérios de estruturas deterioradas
No Parque do Sóter, restou apenas um escorregador e as estruturas dos antigos brinquedos que ocupavam a área (Foto: Marcos Maluf)

Quem tem crianças em casa sabe o quanto pode ser desafiador entretê-las. Em férias, fins de semana ou emendas de feriados, como no Carnaval, praças e parquinhos públicos costumam ser aliados das famílias. Em alguns bairros de Campo Grande, porém, o que deveria ser espaço de lazer virou um cemitério de estruturas deterioradas.

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Parquinhos públicos de Campo Grande enfrentam problemas de deterioração e vandalismo. Em diversos bairros, como Cidade de Deus e Jardim São Lourenço, estruturas estão danificadas, com balanços sem assentos, gangorras quebradas e escorregadores enferrujados. A situação afeta até mesmo parques maiores, como o Parque do Sóter e a Praça do Rádio. Em alguns locais, moradores tentam preservar os equipamentos através de iniciativas comunitárias, mas a falta de manutenção regular e os frequentes casos de vandalismo comprometem os espaços de lazer infantil da cidade.

Na Cidade de Deus, quem vai até a praça do bairro encontra duas barras de sustentação de balanço, mas sem assentos ou correntes. Das quatro gangorras que havia no local, uma já não existe mais. O escorregador apresenta sinais de ferrugem e uma fresta aberta na parte final do brinquedo.

Guilherme Oliveira, de 17 anos, trabalha em frente à praça onde os brinquedos foram instalados. Segundo ele, o parquinho chegou ao bairro há cerca de dois anos e, por um “bom tempo”, ficou conservado, mas logo começou a ser danificado.

Nos bairros, parquinhos públicos se tornam cemitérios de estruturas deterioradas
Nos bairros, parquinhos públicos se tornam cemitérios de estruturas deterioradas
Mato toma conta de parquinho na Cidade de Deus (Foto: Marcos Maluf)

“Isso aí é o povo que rouba para vender, principalmente os balanços. A gangorra tinha quatro, mas o povo rouba tudo. [...] Ninguém vem cortar o mato, ninguém cuida. Ficou um ano bem conservado e depois começaram a quebrar e a roubar”, relatou.

Além das estruturas danificadas, o espaço enfrenta outro problema: o descarte de lixo. Sem lixeiras na área de lazer, o chão acumula embalagens de salgadinhos e até garrafas de cerveja.

Apesar da situação, Guilherme afirma que as crianças continuam frequentando o local. “Eles brincam mais no brinquedo vermelho, de escalar, e um pouco no escorrega. Mas, de resto, não tem gangorra, não tem balanço.”

No Jardim São Lourenço, restaram apenas dois trepa-trepas. Dos balanços e gangorras, sobraram as estruturas metálicas. Dos dois escorregadores, um está sem escada e o outro com o apoio das mãos quebrado. No chão, há apenas resquícios do tapete de E.V.A. que revestia a área.

Nos bairros, parquinhos públicos se tornam cemitérios de estruturas deterioradas
Nos bairros, parquinhos públicos se tornam cemitérios de estruturas deterioradas
No Jardim São Lourenço até escada de escorregador foi levada embora (Foto: Marcos Maluf)

Rafaela da Silva, de 25 anos, lembra que viveu a “era de ouro” do espaço. “Lembro que vinha sempre com a minha mãe. Quando eu brincava, ainda tinha balanços, gangorras e até gira-gira. É uma pena ver que hoje o parquinho está nessa situação”, lamentou.

Nem mesmo parques maiores escapam da deterioração. No Parque do Sóter, o espaço infantil é amplo, mas conta apenas com um escorregador, um cavalinho e areia para as crianças. Estruturas de madeira dos antigos brinquedos permanecem no local.

Na Praça do Rádio, a área infantil também acumula estruturas vazias. Troncos de madeira permanecem sem brinquedos instalados. O balanço de ferro tem apenas um assento. O escorregador e o trepa-trepa resistem em melhor estado. A cerca e o portão do parquinho foram arrancados.

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Osvaldo é "guardião" do parquinho no Bairro Coophavila II (Foto: Marcos Maluf)

Na Vila Fernanda, na Rua Francisco Antônio de Souza, o parquinho foi instalado há quatro anos após ação do Ministério Público do Trabalho. O presidente do bairro, Carlos Alberto Romero, de 48 anos, conta que, no primeiro ano, o espaço tinha horário de funcionamento, das 5h às 22h.

“Foi criando um burburinho na comunidade por conta disso. Tudo bem que é público, mas, se não tiver alguém que zele, chega nessa condição. Chegou um tempo em que pularam a cerca, destruíram o barquinho e as grades, e tive que acionar a Guarda para levá-los”, afirmou.

Desde então, o espaço permanece aberto durante todo o dia. Atualmente, a área segue danificada. Na estrutura de escalada que dá acesso ao escorregador, restaram apenas as cordas. Os balanços foram levados e as grades continuam quebradas.

Mesmo assim, o que restou ainda é utilizado. “No fim da tarde, muita gente leva as crianças ali para o que sobrou. Mas tudo que é feio não traz incentivo para a criança vir ou para uma mãe trazer”, disse.

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Apesar de tentativa de cuidado, parquinho da Vila Fernanda também foi alvo de danos (Foto: Marcos Maluf)

Cuidado comunitário

Com os filhos já adultos, Carlos afirma que a preocupação é garantir que outras crianças tenham acesso a um espaço adequado de lazer. “Estamos em uma região com 14 parcelamentos do Grande Caiobá, que é vulnerável, com infraestrutura precária. O que temos está destruído. A gente precisa muito desse cuidado.”

Para tentar manter o local em condições mínimas, ele recorre ao senso comunitário e a parcerias com comerciantes. “Buscamos parcerias privadas. Temos, por exemplo, um empresário com máquina de solda, mas não temos soldador. Não é pegar dinheiro, é conseguir mão de obra ou material.”

No Coophavila II, na Rua da Enseada, um dos responsáveis pelos cuidados do parquinho é o aposentado Osvaldo Pisuno, de 81 anos. “Quem montou fui eu, minha esposa e um amigo. A criançada aproveitam, gostam de brincar. Eu passo o dia cuidando daqui,” contou.

Mesmo com a dedicação, o balanço foi danificado recentemente, mas deve ser consertado. “Quando vejo um marmanjo lá, já dou um grito e ele vai embora”, disse.

A reportagem procurou a Prefeitura de Campo Grande para saber quantos parquinhos existem na Capital e como é feita a manutenção dessas áreas. Até o momento, não houve retorno.

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