Nos bairros, parquinhos públicos se tornam cemitérios de estruturas deterioradas
Brinquedos quebrados, furtos e falta de manutenção marcam praças da Capital

Quem tem crianças em casa sabe o quanto pode ser desafiador entretê-las. Em férias, fins de semana ou emendas de feriados, como no Carnaval, praças e parquinhos públicos costumam ser aliados das famílias. Em alguns bairros de Campo Grande, porém, o que deveria ser espaço de lazer virou um cemitério de estruturas deterioradas.
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Parquinhos públicos de Campo Grande enfrentam problemas de deterioração e vandalismo. Em diversos bairros, como Cidade de Deus e Jardim São Lourenço, estruturas estão danificadas, com balanços sem assentos, gangorras quebradas e escorregadores enferrujados. A situação afeta até mesmo parques maiores, como o Parque do Sóter e a Praça do Rádio. Em alguns locais, moradores tentam preservar os equipamentos através de iniciativas comunitárias, mas a falta de manutenção regular e os frequentes casos de vandalismo comprometem os espaços de lazer infantil da cidade.
Na Cidade de Deus, quem vai até a praça do bairro encontra duas barras de sustentação de balanço, mas sem assentos ou correntes. Das quatro gangorras que havia no local, uma já não existe mais. O escorregador apresenta sinais de ferrugem e uma fresta aberta na parte final do brinquedo.
Guilherme Oliveira, de 17 anos, trabalha em frente à praça onde os brinquedos foram instalados. Segundo ele, o parquinho chegou ao bairro há cerca de dois anos e, por um “bom tempo”, ficou conservado, mas logo começou a ser danificado.
“Isso aí é o povo que rouba para vender, principalmente os balanços. A gangorra tinha quatro, mas o povo rouba tudo. [...] Ninguém vem cortar o mato, ninguém cuida. Ficou um ano bem conservado e depois começaram a quebrar e a roubar”, relatou.
Além das estruturas danificadas, o espaço enfrenta outro problema: o descarte de lixo. Sem lixeiras na área de lazer, o chão acumula embalagens de salgadinhos e até garrafas de cerveja.
Apesar da situação, Guilherme afirma que as crianças continuam frequentando o local. “Eles brincam mais no brinquedo vermelho, de escalar, e um pouco no escorrega. Mas, de resto, não tem gangorra, não tem balanço.”
No Jardim São Lourenço, restaram apenas dois trepa-trepas. Dos balanços e gangorras, sobraram as estruturas metálicas. Dos dois escorregadores, um está sem escada e o outro com o apoio das mãos quebrado. No chão, há apenas resquícios do tapete de E.V.A. que revestia a área.
Rafaela da Silva, de 25 anos, lembra que viveu a “era de ouro” do espaço. “Lembro que vinha sempre com a minha mãe. Quando eu brincava, ainda tinha balanços, gangorras e até gira-gira. É uma pena ver que hoje o parquinho está nessa situação”, lamentou.
Nem mesmo parques maiores escapam da deterioração. No Parque do Sóter, o espaço infantil é amplo, mas conta apenas com um escorregador, um cavalinho e areia para as crianças. Estruturas de madeira dos antigos brinquedos permanecem no local.
Na Praça do Rádio, a área infantil também acumula estruturas vazias. Troncos de madeira permanecem sem brinquedos instalados. O balanço de ferro tem apenas um assento. O escorregador e o trepa-trepa resistem em melhor estado. A cerca e o portão do parquinho foram arrancados.
Na Vila Fernanda, na Rua Francisco Antônio de Souza, o parquinho foi instalado há quatro anos após ação do Ministério Público do Trabalho. O presidente do bairro, Carlos Alberto Romero, de 48 anos, conta que, no primeiro ano, o espaço tinha horário de funcionamento, das 5h às 22h.
“Foi criando um burburinho na comunidade por conta disso. Tudo bem que é público, mas, se não tiver alguém que zele, chega nessa condição. Chegou um tempo em que pularam a cerca, destruíram o barquinho e as grades, e tive que acionar a Guarda para levá-los”, afirmou.
Desde então, o espaço permanece aberto durante todo o dia. Atualmente, a área segue danificada. Na estrutura de escalada que dá acesso ao escorregador, restaram apenas as cordas. Os balanços foram levados e as grades continuam quebradas.
Mesmo assim, o que restou ainda é utilizado. “No fim da tarde, muita gente leva as crianças ali para o que sobrou. Mas tudo que é feio não traz incentivo para a criança vir ou para uma mãe trazer”, disse.

Cuidado comunitário
Com os filhos já adultos, Carlos afirma que a preocupação é garantir que outras crianças tenham acesso a um espaço adequado de lazer. “Estamos em uma região com 14 parcelamentos do Grande Caiobá, que é vulnerável, com infraestrutura precária. O que temos está destruído. A gente precisa muito desse cuidado.”
Para tentar manter o local em condições mínimas, ele recorre ao senso comunitário e a parcerias com comerciantes. “Buscamos parcerias privadas. Temos, por exemplo, um empresário com máquina de solda, mas não temos soldador. Não é pegar dinheiro, é conseguir mão de obra ou material.”
No Coophavila II, na Rua da Enseada, um dos responsáveis pelos cuidados do parquinho é o aposentado Osvaldo Pisuno, de 81 anos. “Quem montou fui eu, minha esposa e um amigo. A criançada aproveitam, gostam de brincar. Eu passo o dia cuidando daqui,” contou.
Mesmo com a dedicação, o balanço foi danificado recentemente, mas deve ser consertado. “Quando vejo um marmanjo lá, já dou um grito e ele vai embora”, disse.
A reportagem procurou a Prefeitura de Campo Grande para saber quantos parquinhos existem na Capital e como é feita a manutenção dessas áreas. Até o momento, não houve retorno.
Confira a galeria de imagens:
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