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Interior

Após matar esposa, homem usou celular da vítima e passou o dia com corpo em casa

Suspeito confessou crime pela manhã; às 8h30 enviou “bom dia” para a enteada se passando pela esposa

Por Gabi Cenciarelli | 08/03/2026 10:38
Após matar esposa, homem usou celular da vítima e passou o dia com corpo em casa
Mãe e filha em encontro recente (Foto: Direto das Ruas)

No Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8), o desabafo de uma filha expõe os detalhes de mais um feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul. Leisiane Cruz Vieira perdeu a mãe, Leise Aparecida Cruz, de 40 anos, assassinada dentro de casa na sexta-feira (6), em Anastácio, e decidiu contar a história para que a morte dela não seja apenas mais um número nas estatísticas da violência contra mulheres. Edson Campos Delgado confessou ter matado a mulher pela manhã, chamado o socorro de noite e usado o celular da vítima para enganar familiares.

RESUMO

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Em Anastácio, Mato Grosso do Sul, Edson Campos Delgado confessou ter assassinado sua esposa, Leise Aparecida Cruz, de 40 anos, na manhã do dia 6 de março. Após o crime, o suspeito permaneceu na residência com o corpo da vítima e usou o celular dela para enganar familiares. O caso foi revelado pela filha da vítima, Leisiane Cruz Vieira, que recebeu mensagens do celular da mãe mesmo após o horário do crime. O feminicídio foi descoberto quando exames do Instituto de Medicina Legal apontaram sinais de asfixia. A vítima deixa um filho de três anos, fruto do relacionamento com o suspeito.

Em relato enviado ao Campo Grande News, a jovem descreve a data como “o dia mais doloroso da minha vida”.

Segundo a investigação, o principal suspeito do crime é Edson Campos Delgado, marido da vítima. O delegado responsável confirmou que ele confessou ter matado Leise por volta das 7h da manhã.

Mesmo depois do crime, ele permaneceu na casa durante todo o dia com o corpo da mulher. Às 8h30, uma mensagem chegou ao celular de Leisiane, enviada do WhatsApp da mãe. “Bom dia flor do dia ”.

Após matar esposa, homem usou celular da vítima e passou o dia com corpo em casa
Leise Aparecida Cruz foi encontrada morta dentro de casa (Foto: reprodução)

Era exatamente assim que Leise costumava falar com a filha todos os dias. Sem imaginar o que havia acontecido, Leisiane respondeu normalmente. Só mais tarde descobriria que, naquele momento, a mãe provavelmente já estava morta. Segundo a filha, depois daquela conversa o celular de Leise deixou de responder.

Somente no fim da noite, por volta das 23h, Edson entrou em contato dizendo que a mulher estava passando mal e que havia chamado socorro. Pouco depois, afirmou que a levava ao hospital.

Às 1h58 da madrugada, ligou para o marido de Leisiane informando que Leise havia morrido. Até então, a família acreditava que poderia se tratar de um problema de saúde.

A verdade começou a aparecer após a análise inicial do IMOL (Instituto de Medicina e Odontologia Legal), que apontou sinais de asfixia. Diante das evidências, o homem acabou confessando o crime.

Após matar esposa, homem usou celular da vítima e passou o dia com corpo em casa
Marido confessou ter matado mulher (Foto: Redes Sociais)

Relacionamento que mudou

Leisiane conta que o relacionamento entre os dois nem sempre parecia violento.

Eles se conheciam desde a época da escola e já haviam sido casados anteriormente com outras pessoas. Anos depois, se reencontraram e começaram a relação, cerca de cinco anos atrás.

Da união nasceu um menino, hoje com três anos, que após a morte da mãe passou a ficar sob os cuidados dos avós.

Segundo a filha, no início Edson demonstrava ser uma pessoa completamente diferente.

“Ele era um doce, um anjo, muito carinhoso. Quando foram morar juntos ele começou a ser completamente possessivo. Controlava o dinheiro dela, fazia violência financeira para que ela não pudesse sair de casa.”

De acordo com a filha, a mãe falava sobre o sofrimento dentro da relação e chegou a dizer que pensava em denunciá-lo.

“Ela dizia que ia denunciar, mas tinha medo.”

Dor que vira denúncia

No texto enviado à reportagem, Leisiane descreve a mãe como uma mulher cheia de vida e profundamente dedicada aos filhos.

“Minha mãe sempre foi uma pessoa extremamente alegre, cheia de vida, cheia de luz. Quem conhecia a Leise sabia que ela iluminava qualquer ambiente.”

Para a filha, falar sobre o que aconteceu também é uma forma de impedir que a história da mãe seja esquecida.

“Minha mãe não era apenas mais um nome. Ela era filha, mãe, amiga. Uma mulher cheia de sonhos.”

A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio, o sexto registrado em Mato Grosso do Sul em 2026.

A Central 180 funciona 24 horas, de graça, e a ligação pode ser anônima. Em caso de emergência, procure a polícia pelo 190. Violência contra mulheres, crianças, idosos ou qualquer pessoa não pode ser silenciada.

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