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Brasileiro preso no Paraguai comandava envio de cocaína para a Europa

Alexandre Rodrigues Gomes foi denunciado pelo MPF por coordenar remessas para a Máfia dos Bálcãs

Por Helio de Freitas, de Dourados | 13/02/2026 11:21
Brasileiro preso no Paraguai comandava envio de cocaína para a Europa
Alexandre Rodrigues Gomes, filho do falecido deputado paraguaio Lalo Gomes (Foto: Divulgação)

Alexandre Rodrigues Gomes, preso há um ano e seis meses no Paraguai, foi denunciado pelo MPF (Ministério Público Federal) do Brasil acusado de comandar o tráfico aéreo de cocaína, em sociedade com a Máfia dos Bálcãs, organização criminosa originária do sudoeste europeu e principal fornecedora de drogas para a Europa.

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Alexandre Rodrigues Gomes, brasileiro preso no Paraguai há um ano e meio, foi denunciado pelo Ministério Público Federal por comandar o tráfico aéreo de cocaína em parceria com a Máfia dos Bálcãs, principal fornecedora de drogas para a Europa. Filho do falecido deputado paraguaio Lalo Gomes, Alexandre é acusado de coordenar o transporte de drogas da Bolívia e Colômbia até o Brasil, de onde eram enviadas à Europa. Entre 2020 e 2021, a organização teria despachado 11 toneladas de cocaína. Atualmente, ele está detido na Penitenciária de Segurança Máxima de Emboscada, em Asunción.

De nacionalidade brasileira, Alexandre é filho do ex-deputado paraguaio Eulalio Gomes, o Lalo, morto pela polícia do Paraguai durante operação em sua casa, em Pedro Juan Caballero, em agosto de 2024. Nascido em Ponta Porã, Lalo tinha forte influência política no Paraguai e enfrentava denúncias de envolvimento com o crime organizado da fronteira.

A ligação de Alexandre Gomes com a Máfia dos Bálcãs é citada em documentos do MPF obtidos pela OCCRP (Organized Crime and Corruption Reporting Project), um consórcio internacional de jornalismo investigativo e mídia independente.

De acordo com a organização internacional, no dia 9 deste mês, Alexandre Rodrigues Gomes foi formalmente denunciado pelo Ministério Público Federal por tráfico de drogas agravado pelo uso de armas de fogo.

Trechos da denúncia citados pela OCCRP revelam que, além de liderar sua própria organização criminosa, Alexandre atuava sob os interesses de criminosos europeus, coordenando o transporte aéreo de cocaína da Bolívia e da Colômbia até o Paraguai e depois para o território brasileiro, de onde os carregamentos eram despachados de navio para a Europa.

Além de contratar os chamados “narcopilotos”, o brasileiro é acusado de supervisionar pistas de pouso clandestinas – uma no Paraguai e outra no Brasil. A denúncia é baseada em investigações da Polícia Federal no âmbito da Operação Bálcãs, deflagrada em 26 de novembro do ano passado com apoio da Senad (Secretaria Nacional Antidrogas) do Paraguai e da polícia da Holanda.

Em Dourados, a 251 km de Campo Grande, a operação cumpriu cinco mandados de busca e apreensão e prendeu o empresário Jovenil Vieira Rodrigues.

As investigações que citam Alexandre Rodrigues Gomes representam a terceira fase da Operação Hinterland, deflagrada em 2023 contra os compradores de drogas enviadas através de portos brasileiros. Entre 2020 e 2021, 11 toneladas de cocaína apreendidas na Europa teriam sido enviadas pela organização.

Conforme a OCCRP, Alexandre Gomes não foi citado na investigação da Operação Hinterland. Entretanto, seu nome apareceu em conversas do Sky ECC, aplicativo de mensagens criptografadas, muito usado pelos criminosos.

À entidade de jornalismo investigativo, a advogada de Alexandre Gomes disse que não existem provas ligando seu cliente à Máfia dos Bálcãs ou a qualquer outro grupo investigado nas operações.

Sucessor do pai nos negócios, Alexandre Rodrigues Gomes foi preso na mesma madrugada em que Lalo Gomes foi morto. Atualmente, ele está recolhido na Penitenciária de Segurança Máxima de Emboscada, na região metropolitana da capital Asunción. Em dezembro de 2025, a defesa pediu a extradição dele para o Brasil, mas o recurso foi negado pela Justiça do Paraguai.

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