De plantão policial a “anaconda”, Sidney noticiou casos inesquecíveis
Repórter deixou quase 300 registros de colaborações no Campo Grande News e inúmeras histórias
Sidney Assis era daqueles que tinham sede de notícia e não media esforços para conseguir o que precisava. Ao longo de uma vida no jornalismo, algumas coisas inusitadas entraram quase no currículo do profissional. Para ter ideia do nível de dedicação e do jeitinho peculiar de noticiar, ele chegou a medir uma sucuri gigante com o próprio corpo em uma reportagem. Nesta terça-feira (13), Sidney faleceu aos 57 anos, mas deixou inúmeras histórias, entre elas a icônica da "anaconda" com mais de 8 metros.
RESUMO
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O jornalista Sidney Assis, conhecido por sua dedicação ao jornalismo e pelo bordão "Coxim precisa saber", faleceu aos 57 anos nesta terça-feira (13). Durante sua carreira, ganhou notoriedade por reportagens inusitadas, incluindo um registro histórico em 2009, quando mediu uma sucuri de oito metros usando seu próprio corpo como referência. Radialista popular no norte de Mato Grosso do Sul, Sidney foi correspondente do Campo Grande News desde 2007 e exerceu dois mandatos como vereador em Coxim. Sua morte mobilizou a cidade, com cortejo acompanhado por viaturas policiais e do Corpo de Bombeiros, além do fechamento de estabelecimentos comerciais em sinal de luto.
Era para ser apenas mais uma reportagem sobre uma cobra que engoliu um bicho no Pantanal, mas acabou virando registro histórico do radialista. Ele aproveitou que a cobra estava "hibernada" após engolir a presa com mais de 50 kg para mostrar a indignação com o tamanho da serpente. Sem medo de também ser devorado, ele deitou ao lado dela e ainda abraçou o réptil.
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"Olha só o tamanho da cabeça dessa sucuri. Como uma cobra com uma cabeça desse tamanho, essa anaconda, com uma boca desse tamanho consegue engolir um presa tão grande como essa que ela acabou de engolir?".
O ato gerou preocupação em quem assistia à cena na época, "nem brinca", falavam ao fundo. Depois de deitar, Sidney ainda soltou um "Isso é pra ter ideia do tamanho. Eu caberia dentro da barriga da sucuri gigante com mais de 8 metros". O registro aconteceu em 2009, no município de São Gabriel do Oeste, em uma das nascentes do Rio Coxim.
“Dez pessoas tentaram levantar a cobra pela barriga, mas não foi possível, devido ao peso do animal que ela havia engolido. A cobra, que virou a atração do dia, foi mantida viva e retornou ao seu habitat natural,” compartilhou na época.
Sidney também virou figurinha carimbada nas rádios da região norte de Mato Grosso do Sul, com a famosa frase “Coxim precisa saber”. Agora o bordão, que virou sinônimo de notícia, nunca mais será ouvido com a mesma emoção.
Na redação do Campo Grande News, quando o telefone tocava na baia 3 da editoria policial e do outro lado da linha a voz dizia “aqui é o Sidney Assis falando”, era sinal de assunto sério. Para quem não vive no meio jornalístico e está totalmente fora do que acontece na região norte talvez seja difícil dimensionar, mas a morte do radialista parou Coxim e municípios próximos de lá.
Sidney Assis era correspondente desde 2007. A primeira colaboração registrada foi em 30 de dezembro, quando informou sobre o tombamento de uma carreta carregada com soja que bloqueou a BR-163. A partir dali, foram 292 colaborações oficiais, além de incontáveis ajudas informais, principalmente em pautas policiais, sustentadas por uma rede de contatos construída ao longo dos anos.
Além do “Coxim precisa saber”, Sidney também tinha bordões como “polícia neles, DJ”, que também extrapolou o rádio e passou a representar informação rápida, direta e popular. Por isso, o silêncio repentino causou estranhamento. Sidney morreu em decorrência de problemas graves no fígado.
Embora fosse radialista, ele também teve passagem pela política. Exerceu dois mandatos como vereador na cidade, pelo PSDB, sempre mantendo ligação direta com a comunicação local.
Despedida
A trajetória de Sidney Assis, considerado o radialista mais popular do norte do Estado, motivou manifestações públicas de pesar, inclusive do governador Eduardo Riedel (PP). A despedida ocorreu em cortejo pelas ruas de Coxim, com a participação de viaturas da polícia e do Corpo de Bombeiros, num último gesto coletivo de reconhecimento.

Segundo o colega da rádio Vale do Taquari, Aloísio Guirra, conhecido como Verdinho, há muito tempo não se via uma despedida daquela dimensão.
“As forças de segurança foram voluntariamente se despedir. Até três funerárias estavam presentes, mesmo sem prestar serviço. Na avenida principal da cidade, a Virgínia Ferreira, lojas fecharam em sinal de luto pela nossa perda”, relatou o amigo.
Verdinho disse ainda que o legado de Sidney seguirá vivo na memória das pessoas. “Um senhor me parou na rua e disse: ‘O Sidney cuidava tanto das pessoas que acabou se esquecendo de si mesmo’. É isso que ele era, a voz do povo no rádio”.
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