Grupo é preso por simular pesquisa sobre vacina para coleta de dados
Abordagens com promessa de pagamento via Pix levantaram suspeitas e levaram moradores a acionar a polícia
Cinco pessoas foram presas suspeitas de participar de um esquema que simulava uma pesquisa sobre a vacina da dengue para coletar dados pessoais de moradores em Ponta Porã, a 313 quilômetros de Campo Grande. Entre os suspeitos estão uma idosa de 69 anos, três mulheres de 55, 56 e 57 anos, além de um homem de 44 anos.
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Em Ponta Porã, Mato Grosso do Sul, cinco pessoas foram detidas por suspeita de participação em esquema fraudulento que coletava dados pessoais de moradores, simulando uma pesquisa sobre vacina da dengue. O grupo, composto por quatro mulheres e um homem, abordava residências solicitando informações de crianças e adolescentes. Os suspeitos se apresentavam como pesquisadores e, em alguns casos, como agentes de saúde ou representantes do Governo Federal, prometendo pagamento de R$ 30 via Pix pela participação. A prefeitura local confirmou que os envolvidos não fazem parte do quadro de funcionários municipais, e a suposta pesquisa não havia sido comunicada às autoridades.
A ocorrência foi registrada no Bairro Manuel Padial Urel. Equipes da Polícia Militar, foram acionadas para atender denúncia de possível prática de estelionato e usurpação de função pública. A suspeita é que os dados seriam usados depois em outros golpes.
De acordo com boletim de ocorrência, uma testemunha informou que na quinta-feira (19), por volta das 14h, uma mulher se apresentou em um endereço, no Bairro Jardim Ivone, como pesquisadora de uma empresa.
A abordagem incluía perguntas sobre a existência de crianças entre 10 e 14 anos na residência e convite para participação em uma suposta pesquisa sobre a vacina da dengue. A justificativa era atingir a meta de 75 entrevistas no bairro. Ao final, era prometido pagamento de R$ 30 via Pix.
Um detalhe levantou suspeita. A entrevistadora orientava que, caso a pessoa fosse questionada novamente sobre a participação, deveria responder que não e só depois explicar o motivo.
Na delegacia, outras testemunhas confirmaram abordagens semelhantes. Segundo os relatos, os suspeitos coletavam dados de crianças e adolescentes, como nomes, documentos, e-mails e chaves Pix.
Também há relatos de que alguns dos envolvidos se apresentavam como agentes de saúde e, em um dos casos, como integrantes do Governo Federal.
As versões sobre a origem dos entrevistadores também divergiam. Para alguns moradores, diziam ser de Campo Grande. Para outros, afirmavam ser de Dourados.
Outro ponto considerado irregular é que a suposta pesquisa não foi comunicada às prefeituras dos municípios onde estava sendo realizada.
Durante a abordagem, foram apresentados documentos indicando que a pesquisa teria como contratante uma empresa. Uma das envolvidas, que se identificou como coordenadora de campo, afirmou que o levantamento é de caráter qualitativo sobre o conhecimento da vacina contra a dengue. Ela negou ter se apresentado como agente de saúde e disse que as entrevistadoras atuam como freelancers, com treinamento formalizado.
Segundo a versão apresentada, o pagamento de R$ 30 via Pix era oferecido como incentivo, já que as entrevistas tinham duração entre 20 e 30 minutos.
Diante da repercussão e da desconfiança gerada, a Polícia Militar encaminhou os suspeitos, testemunhas e vítimas.
Em conversa com o Campo Grande News, o prefeito de Ponta Porã, Eduardo Campos (PSDB), informou que o secretário municipal de Saúde foi até a delegacia para esclarecer que os suspeitos não fazem parte do quadro de funcionários do município.
“Algumas pessoas se passavam por agente comunitário de saúde e estava bastante intensa a ação do grupo, hoje foram pegos pela polícia. Foram encaminhados para a delegacia, não sei detalhes. Mas a casa deles caiu. O delegado pediu que enviasse a chefia dos agentes para relatar o que estava acontecendo, prestar esclarecimento e dizer que essas pessoas não fazem parte do corpo de funcionários do município”, disse.
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