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Meio Ambiente

Ibama alerta comerciantes sobre crime de venda de produtos com partes de animais

Ação reforça combate ao tráfico de fauna e busca conscientizar setor comercial antes de evento internacional

Por Jhefferson Gamarra | 20/03/2026 17:59
Ibama alerta comerciantes sobre crime de venda de produtos com partes de animais
Equipe do Ibama dando orientações para comerciantes indígenas no Mercadão (Foto: Divulgação)

Em preparação para a COP-15, o Ibama em Mato Grosso do Sul realizou, nesta sexta-feira (20), uma ação de educação ambiental em Campo Grande voltada à orientação de comerciantes e artesão. A iniciativa focou na conscientização sobre a ilegalidade da comercialização de produtos que utilizam partes de animais silvestres.

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O Ibama realizou ação educativa em Campo Grande (MS) para orientar comerciantes e artesãos sobre a ilegalidade da venda de produtos com partes de animais silvestres. A iniciativa acontece em preparação para a COP-15, evento internacional que reunirá 133 países entre 23 e 29 de março. O tráfico de fauna é o terceiro maior crime ambiental do mundo, atrás apenas do tráfico de drogas e armas. A legislação brasileira proíbe a comercialização de produtos derivados de animais silvestres sem autorização, com exceção do uso tradicional por povos indígenas sem fins comerciais.

A equipe do órgão visitou pontos de venda de artesanato e hotéis da capital, alertando sobre os riscos e as implicações legais dessa prática. A ação ocorre em um momento importante para o turismo de Campo Grande, diante do aumento da circulação de turistas e participantes esperado para o evento internacional, que será realizado entre os dias 23 e 29 de março.

O tráfico de fauna é considerado um dos maiores crimes ambientais do mundo, ficando atrás apenas do tráfico de drogas e de armas. A atividade envolve espécies nativas e migratórias e representa uma ameaça direta à biodiversidade, afetando o equilíbrio dos ecossistemas, cadeias alimentares e processos evolutivos. Durante o transporte ilegal, estima-se que apenas 10% dos animais sobrevivam, enquanto a maioria morre sem qualquer controle ou protocolo de biossegurança.

A realização da COP-15 reforça a relevância do tema. O encontro reúne 133 países e tem como objetivo avaliar o estado de conservação das espécies migratórias, estabelecer prioridades e definir ações conjuntas para proteção da biodiversidade global. Entre os pontos centrais está justamente o combate ao tráfico ilegal, que ganha ainda mais importância por envolver espécies que atravessam fronteiras.

Ibama alerta comerciantes sobre crime de venda de produtos com partes de animais
Equipe durante "blitz" na Esplanada Ferroviária (Foto: Divulgação)

No Mato Grosso do Sul, o enfrentamento desse tipo de crime ainda é um desafio. Operações de fiscalização frequentemente resultam na apreensão de aves, répteis e mamíferos comercializados ilegalmente. Além disso, o uso de partes de animais na produção de acessórios e itens decorativos, como brincos, colares e peças artesanais, ainda ocorre com frequência, muitas vezes por falta de informação.

A legislação brasileira proíbe esse tipo de comercialização sem autorização. O artigo 29 da Lei de Crimes Ambientais estabelece como crime vender, expor, adquirir, transportar ou utilizar espécimes da fauna silvestre, bem como produtos e objetos derivados. A única exceção prevista é para o uso por povos indígenas, quando relacionado a práticas tradicionais, culturais, espirituais ou de subsistência, sem fins comerciais.

Segundo o Ibama, tanto a venda por desconhecimento quanto por má-fé contribuem diretamente para a manutenção da cadeia ilegal e para a morte de animais. Por isso, a educação ambiental é apontada como ferramenta fundamental para prevenir infrações e reduzir a demanda por esses produtos.

A campanha também busca incentivar alternativas sustentáveis, como o artesanato que não utiliza matéria-prima de origem animal. A proposta é alcançar não apenas comerciantes, mas também turistas e a população em geral.

Representantes do setor comercial destacaram a importância da iniciativa. Ronald Kanashiro, vice-presidente da Associação dos Comerciantes do Mercado Municipal, afirmou que a orientação contribui para a atividade econômica local. “Esse tipo de orientação é excelente para a atividade comercial do local como um todo”, resumiu.

Já Rose Cardoso, da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, ressaltou que a ação ajudou a esclarecer pontos da legislação que ainda eram desconhecidos e que passarão a ser adotados nas atividades com artesãos.

De acordo com o Ibama, a estratégia combina ações educativas com o reforço da fiscalização. A expectativa é que a realização da COP-15 não apenas avance nas discussões globais sobre conservação, mas também deixe um legado local de maior conscientização e adoção de práticas sustentáveis.