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Meio Ambiente

Da sala de aula à COP15: a trajetória que transformou olhar em conservação

Professora leva à conferência internacional projeto que conecta ciência, educação e o encanto de observar aves

Por José Cândido | 20/03/2026 14:30

Da sala de aula à COP15: a trajetória que transformou olhar em conservação
Entre binóculos e silêncio atento, o grupo redescobre a cidade pelo olhar das aves — um convite à conexão com a natureza que passa, muitas vezes, despercebida.

RESUMO

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A professora e pesquisadora Simone Mamede, que iniciou sua carreira há 30 anos em uma escola municipal de Campo Grande, chega à COP15 com um projeto inovador que une ciência cidadã e observação de aves. Sua trajetória contribuiu para tornar Campo Grande a Capital da Observação de Aves. O projeto "Pré-COP15: Diálogos e Passarinhadas", selecionado para o Espaço Brasil na Blue Zone, propõe uma abordagem multidisciplinar que conecta Biologia, Geografia, Direito, Turismo e Educação. Durante a conferência, serão realizadas atividades práticas de observação de aves nos dias 24 e 27 de março.

O voo começou baixo, quase silencioso, dentro de uma sala de aula simples da rede municipal de Campo Grande. Ali, há cerca de 30 anos, uma jovem estudante de Ciências Biológicas dava seus primeiros passos entre livros, curiosidade e um olhar atento para a natureza. O que talvez ninguém imaginasse naquele momento é que aquele olhar — sensível, inquieto e persistente — atravessaria décadas, ganharia força e alcançaria um dos maiores palcos ambientais do mundo.

Hoje, a professora e pesquisadora Simone Mamede chega à COP15 não apenas como acadêmica, mas como símbolo de uma trajetória construída com propósito. Entre o ensino, a pesquisa e a defesa da biodiversidade, ela transformou experiências locais em conhecimento capaz de dialogar com o planeta.

Da sala de aula à COP15: a trajetória que transformou olhar em conservação
Da sala de aula em Campo Grande aos debates da COP15, a professora Simone Mamede leva na bagagem uma trajetória construída com ciência, educação e compromisso com a conservação. (Foto rede social)

Atualmente vinculada à Universidade Federal do Tocantins (UFT) e à pós-graduação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Simone carrega consigo raízes profundas fincadas em Campo Grande — cidade que ajudou a projetar nacionalmente como referência em observação de aves.

Mais do que mapas e estudos, sua contribuição ajudou a revelar algo maior: que a biodiversidade urbana não é apenas um dado científico, mas uma ponte entre o ser humano e o ambiente em que vive. Parques, praças e áreas verdes deixaram de ser apenas paisagem para se tornarem territórios de vida, equilíbrio e pertencimento.

Foi também em uma escola pública, a Escola Municipal Professora Maria Tereza Rodrigues, no bairro Santa Emília, que sua vocação ganhou contorno. Ali, entre alunos e desafios cotidianos, nasceu a certeza de que ensinar é, antes de tudo, despertar conexões.

Projeto que conecta ciência e sensibilidade

Agora, essa história ganha um novo capítulo com a seleção do projeto de extensão “Pré-COP15: Diálogos e Passarinhadas” para o Espaço Brasil, na Blue Zone da COP15.

A iniciativa, coordenada por Simone, vai além da pesquisa acadêmica. Ela propõe encontros, escutas e experiências. Une ciência cidadã, educação ambiental e observação de aves em uma proposta que convida as pessoas a enxergarem — e sentirem — a natureza de forma mais próxima.

É desse encontro entre conhecimento e sensibilidade que nasce o “passarinhar”.

Mais do que observar aves, a ideia é criar vínculos. É parar, respirar e perceber o movimento do mundo natural. É entender que aquelas espécies que cruzam continentes carregam histórias invisíveis, dependem de territórios preservados e conectam diferentes partes do planeta.

O projeto reúne áreas como Biologia, Geografia, Direito, Turismo e Educação, formando uma rede que ultrapassa universidades e alcança comunidades. Cada “passarinhada” é um convite a olhar para o céu — e, ao mesmo tempo, para dentro.

Voltar para casa com outro significado

Participar da COP15 em Campo Grande, para Simone, é mais do que uma conquista profissional. É um retorno carregado de significado.

“Sou sul-mato-grossense e estar em Campo Grande durante a COP15 me traz reflexões sobre o nosso papel como cidadãos planetários, na busca pela conservação da Terra com qualidade de vida para todos”, afirma.

A cidade onde viveu, pesquisou e construiu parte de sua trajetória hoje se consolida como a Capital da Observação de Aves — reconhecimento que também carrega sua contribuição. Estudos, roteiros, mapeamentos e anos de dedicação ajudaram a construir essa identidade.

E agora, o caminho se fecha em um ciclo simbólico: a pesquisadora que começou ensinando em uma escola municipal retorna à cidade levando um projeto que ensina o mundo a olhar melhor para a natureza.

Passarinhar durante a COP15

Durante a programação da conferência, o público também poderá viver essa experiência na prática.

As “passarinhadas” acontecem nos dias 24 e 27 de março, em Campo Grande, reunindo participantes em atividades abertas de observação de aves. Organizadas pela UFT, UFMS e Instituto Mamede, as ações fazem parte do projeto “Vem Passarinhar”.

Mais do que eventos, são encontros com o tempo desacelerado da natureza. Um convite a perceber detalhes, escutar sons esquecidos e reconhecer que preservar começa pelo simples ato de olhar.

Porque, no fim, talvez seja isso que a trajetória de Simone Mamede nos ensina: grandes transformações começam com um gesto pequeno — como parar para observar um pássaro.