Empresa de SC vence licitação de R$ 91 mi para gasoduto de fábrica de celulose
Contrato integra pacote bilionário de infraestrutura do Projeto Sucuriú e deve ser concluído até 2027
A MSGás (Companhia de Gás do Estado de Mato Grosso do Sul) homologou o resultado da licitação para a construção do gasoduto do Projeto Sucuriú, em Inocência, a 331 quilômetros de Campo Grande, considerado uma das principais obras de infraestrutura em andamento no Estado. A vencedora do certame é a empresa catarinense Geometral Construções Ltda., que apresentou proposta de R$ 91.373.410,40.
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A MSGás homologou a licitação para construção do gasoduto do Projeto Sucuriú, em Inocência (MS), que será executado pela empresa Geometral Construções Ltda. por R$ 91,3 milhões. A obra prevê 125 quilômetros de tubulação para interligar o Gasbol à futura unidade da Arauco, maior fábrica de celulose em linha única do mundo. O projeto integra investimentos para consolidar o "Vale da Celulose" no estado. A Arauco investirá R$ 25 bilhões na planta industrial, que produzirá 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano, gerando 14 mil empregos na construção e 6 mil na operação, com início previsto para 2027.
O resultado foi oficializado após o encerramento do prazo recursal e publicado no Diário Oficial do Estado nesta quinta-feira (20). A licitação, realizada na modalidade eletrônica trata da execução da obra de construção e montagem de um gasoduto de distribuição de gás natural com aproximadamente 125 quilômetros de extensão.
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A tubulação será em aço carbono, com diâmetro nominal de 8 polegadas, e terá como finalidade interligar a estrutura existente do Gasbol, em Três Lagoas, à unidade industrial da Arauco, em implantação no município de Inocência, a cerca de 331 quilômetros de Campo Grande.
O gasoduto é peça fundamental para garantir o fornecimento de gás natural ao complexo industrial da Arauco, iniciativa que prevê a instalação da maior fábrica de celulose em linha única do mundo em Mato Grosso do Sul.
Com investimento superior a R$ 25 bilhões, a planta terá capacidade de produção estimada em 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano, com previsão de início de operação até o fim de 2027. O projeto também deve gerar mais de 14 mil empregos durante a fase de construção e cerca de 6 mil postos diretos e indiretos na fase operacional.
Nesse contexto, o fornecimento de gás natural é considerado estratégico tanto para os processos industriais quanto para o suporte logístico da região, que apresenta intenso fluxo de caminhões ligados às cadeias de celulose, madeira e mineração.
De acordo com as informações do projeto, o gasoduto terá capacidade inicial de transporte de até 130 mil metros cúbicos de gás por dia. Esse volume deverá ser ampliado durante a fase de implantação da fábrica, podendo alcançar até 280 mil metros cúbicos diários.
Após a entrada em operação da unidade industrial, a tendência é de estabilização do consumo em cerca de 50 mil metros cúbicos por dia, conforme o perfil produtivo da planta.
Além do uso industrial, o gás natural também poderá ser utilizado como combustível veicular, ampliando a oferta energética na região leste do Estado, que atualmente conta com distribuição concentrada principalmente em Campo Grande e Três Lagoas.
Embora o contrato firmado com a empresa vencedora tenha valor de R$ 91,3 milhões, o investimento total no gasoduto já havia sido estimado anteriormente entre R$ 160 milhões e R$ 170 milhões. A diferença se deve à inclusão de outras etapas do projeto, como aquisição de materiais, equipamentos e estruturas complementares necessárias à operação do sistema. A expectativa é de gerar entre 400 a 500 empregos diretos ao longo do período de implantação do gasoduto.
Antes da conclusão da obra, soluções provisórias já vêm sendo adotadas para garantir o fornecimento de gás. A Arauco, por exemplo, adquiriu dois caminhões específicos para transporte de gás natural, que serão utilizados para atender demandas nos municípios de Dourados e Inocência.
O gasoduto faz parte de um conjunto mais amplo de investimentos estruturantes que visam consolidar o chamado “Vale da Celulose” em Mato Grosso do Sul. Além da infraestrutura energética, o projeto prevê a implantação de um ramal ferroviário exclusivo para escoamento da produção.
Esse corredor logístico permitirá que 100% da celulose produzida seja transportada por ferrovia até a malha da Rumo, seguindo diretamente para o Porto de Santos (SP), com foco no mercado externo.
A expectativa do governo estadual e da MSGÁS é que as obras do gasoduto tenham início nos próximos meses. A conclusão está prevista para 2027, em sincronia com o cronograma de implantação da fábrica da Arauco.


