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Interior

Por falta de verba, risco é entrega de Ponte Bioceânica ficar para 2027

Etapa de aterro e infraestrutura da BR-267 trava uso imediato da travessia

Por Izabela Cavalcanti e Kamila Alcântara | 26/02/2026 13:46
Por falta de verba, risco é entrega de Ponte Bioceânica ficar para 2027
Lado brasileiro da ponte que está sendo construída sobre o Rio Paraguai, em Porto Murtinho (Foto: Mopc/PY/Divulgação)

O Corredor Bioceânico deverá encurtar em mais de 9,7 mil quilômetros a rota marítima das exportações brasileiras. Em um exemplo prático, em uma viagem para a China, a estimativa é de redução de 12 a 17 dias. Segundo a Receita Federal, o fluxo inicial estimado é de 250 caminhões por dia.

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A conclusão da Ponte Bioceânica, que promete reduzir em 9,7 mil quilômetros a rota marítima das exportações brasileiras para a Ásia, pode ser adiada para 2027. O principal entrave está no lado brasileiro, onde faltam recursos para obras de aterro e terraplanagem no acesso pela BR-267. A estrutura principal da ponte, com 1.294 metros de extensão, deve ser finalizada no primeiro semestre de 2024. No entanto, o acesso paraguaio tem previsão de entrega para agosto de 2026, enquanto o brasileiro enfrenta dificuldades financeiras para conclusão das obras, que demandam investimentos de 100 milhões de dólares.

De acordo com o prefeito de Porto Murtinho, Nelson Cintra, enquanto o lado paraguaio avança nas obras de acesso, o trecho brasileiro enfrenta dificuldades financeiras, principalmente na etapa de aterro e terraplanagem.

Mesmo com a estrutura principal pronta no tempo previsto, no primeiro semestre deste ano, o acesso pela rodovia brasileira pode não estar finalizado a tempo, o que impediria a utilização imediata da travessia.

“As pontes estão tocando. Agora, o aterro está parado, por falta de recursos. O acesso da BR-267 até a ponte é o problema, esse acesso é muito complexo. São 100 milhões de dólares, então está faltando recurso. A ponte fica pronta até julho, o acesso não vai estar pronto, não vai dar para usar. Já era para estar ficando pronta, mas vem faltando dinheiro, faltando recursos, vai capengando, vai devagar”, enfatizou.

O prefeito relatou ainda que esteve reunido com o delegado da Receita Federal em Porto Murtinho e destacou que parte do andamento depende da liberação de recursos pelo DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), inclusive para a estrutura da alfândega.

“Está faltando recursos para a alfândega, está faltando recursos para a terraplanagem. As obras de arte estão tocando, as pontes. A gente quer que fique pronto isso aí, já chega, estamos há quantos anos lutando”, afirmou.

Conforme informado pela Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) ao Campo Grande News, as obras da ponte sobre o Rio Paraguai seguem o cronograma do Consórcio PYBRA e devem ser concluídas no primeiro semestre deste ano.

Ao comentar o prazo para a conclusão do corredor como um todo, o secretário estadual da Semadesc, Jaime Verruck, afirmou que a previsão de 2027 depende do fluxo financeiro.

“Sim, depende do fluxo de recursos, então, nós temos o acesso, temos o funding, então depende do fluxo de recursos. A previsão é essa aí de 27. Termina a ponte e depois. Então, a gente está colocando o horizonte de hoje aí a um ano e meio, dois anos, para terminar todas as obras, inclusive as obras lá do Paraguai”, declarou.

A previsão de entrega do acesso à ponte no lado paraguaio, obra do MOPC (Ministerio de Obras Públicas y Comunicaciones), é agosto de 2026.

Ponte - A estrutura tem 1.294 metros de extensão e 21 metros de largura. Atualmente, faltam cerca de 101 metros para o encontro entre as duas partes.

Após o encontro das aduelas, ainda serão realizados a instalação de cabos de aço embutidos na laje de concreto armado, o retensionamento dos 168 estais que sustentam o vão central e a colocação de 168 amortecedores nesses cabos.

Além disso, os dois pilares principais e os estais receberão sensores eletrônicos que monitoram cargas e enviam dados em tempo real para o acompanhamento dos esforços da estrutura.

Também falta a instalação da iluminação fluvial, que garante o tráfego seguro de embarcações no Rio Paraguai, além do acabamento do piso da ponte e da colocação de grades de proteção para pedestres e ciclistas.

Na sequência, serão feitos o asfaltamento, a pintura, a colocação de placas de sinalização e a iluminação ornamental.

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