Ramal ferroviário é esperança para diminuir acidentes no Vale da Celulose
Uso da linha férrea deverá diminuir até 190 viagens de caminhões por dia nas rodovias da região
A construção do ramal ferroviário que conectará diretamente a planta do Projeto Sucuriú, da empresa chilena Arauco, em Inocência, à malha norte e permitirá que a produção siga de trem até o Porto de Santos, é esperança de mais segurança nas rodovias do Vale da Celulose.
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O ramal ferroviário que conectará o Projeto Sucuriú, da empresa chilena Arauco, à malha norte será construído em Inocência, Mato Grosso do Sul. Com 47 quilômetros de extensão, a linha férrea promete reduzir cerca de 7 mil viagens de caminhões por mês nas rodovias da região do Vale da Celulose. O projeto, primeira "shortline" ferroviária após o Novo Marco Regulatório das Ferrovias de 2021, prevê investimento de US$ 4,6 bilhões. A estrutura incluirá passagens para animais e propriedades vizinhas, seguindo paralela às rodovias MS-377 e MS-240, visando melhorar a segurança no transporte da produção até o Porto de Santos.
O uso do corredor logístico de 47 quilômetros, que terá a pedra fundamental lançada nesta sexta-feira (6), deverá diminuir até 190 viagens de caminhões por dia. Ao fim do mês, serão cerca de 7 mil viagens a menos nas rodovias da região.
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A linha ferroviária seguirá paralela às rodovias MS-377 e MS-240, atravessando exclusivamente áreas rurais de Inocência. Para garantir a segurança e preservar os acessos às propriedades vizinhas, o projeto prevê a construção de passagens inferiores e superiores, além de remanejamentos viários e ajustes específicos para a travessia de animais.
O auxiliar florestal Eric Alexandre da Silva Brito, 23 anos, é de Selvíria, cidade a 403 quilômetros de Campo Grande, e se mudou para Inocência para trabalhar. Para ele, a construção da linha férrea também traz benefícios para quem escolheu morar longe da família.
"Vai ser bom porque não tem muito acidente, como está acontecendo agora, com vários acidentes. É muito triste, os familiares em casa ficam esperando você chegar e vai acontecer um acidente no ônibus ou na carreta", disse.

A operadora da Arauco, Luana Alves da Silva, de 29 anos, também é de Selvíria e desde que chegou viu a cidade de quase 8 mil habitantes se transformando. "A cidade está crescendo, está expandindo bem mais. E onde você passa, já não tem mais nem espaço pra andar, tem tanta gente que tem aí", contou.
Ela também acredita que o ramal férreo vai garantir mais segurança. "Melhor porque as outras empresas são tudo caminhão. Aqui vai fazer tudo de trem. Menos acidente nas BR, porque hoje tem muitos", disse.
O ramal ferroviário atenderá com exclusividade à unidade industrial da Arauco, que representa a entrada da companhia chilena no segmento de celulose no Brasil. O projeto prevê investimento de US$ 4,6 bilhões na construção de uma planta com capacidade produtiva de 3,5 milhões de toneladas de fibra curta por ano.
Trata-se da primeira “shortline” ferroviária a ser implantada após o Novo Marco Regulatório das Ferrovias, instituído em dezembro de 2021.
O Projeto Sucuriú marca a entrada da divisão de celulose da Arauco no Brasil. O investimento de US$4.6 bilhões inclui a construção de uma planta com capacidade de produção de 3,5 milhões de toneladas de fibra curta de celulose/ano. A etapa de terraplanagem começou em 2024 e a previsão de entrada em operação é no final de 2027.
Cidade em transformação - Quem chegou a Inocência antes do início da construção da fábrica, consegue descrever a transformação da cidade. Para os sócios Admilson Marques de Freitas, de 59 anos, e Gabriela Paschoaleto, de 40 anos, a mudança vai gerar crescimento econômico.
"Algumas pessoas reclamam, mas é assim mesmo. Você está no processo e isso trás as coisas boas e também vem as dificuldades. Mas isso é normal no crescimento da cidade. Para a gente que está no setor imobiliário melhorou muito. Tem vários contatos, inclusive, com a empresa que vai fazer a ferrovia. Então, para a gente, é muito importante", disse o sócio.
Admilson é de Rio Brilhante e mora em Inocência há 35 anos. Já Gabriela é do interior de São Paulo e chegou a Mato Grosso do Sul há 15 anos. Segundo eles, com o boom populacional, Inocência perdeu o traço típico de interior hoje ninguém conhece mais ninguém nas ruas. "A gente que tinha que sete mil habitantes antes de tudo, hoje ainda tem mais já oito mil. A previsão é para chegar mais sete, oito daqui para o meio do ano", completa.
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