Os personagens que marcaram a região fronteiriça
A fronteira com o Paraguai foi pródiga em personagens exóticos. Homens estranhos que fizeram fama em meados do século passado. A história nos legou uma dezena de apelidos que eram conhecidos por todos na região.
Bundão, aquele que ganhava todas as contendas.
Possuía as nádegas tão desenvolvidas que chegava a causar riso em Ponta Porã. Brigava constantemente quando era chamado pelo apelido desmoralizador. Trabalhador infatigável, era um poderoso esteio das fazendas onde passou. Vivia permanentemente calado. A conversa poderia se degenerar em chacota. Procurava evitar a qualquer custo. Por inúmeras vezes, foi às vias de fato, sempre massacrando o contendor. Sua força era espantosa.
Meia Bunda morreu afogado.
Arcelino Ferreira era seu nome. Um doente por pescaria. Talvez o mais famoso pescador da redondeza. Recebeu esse apelido por ser desprovido de uma das nádegas, em virtude de um berne que arruinou, advindo daí uma espécie de gangrena. Arcelino morreu afogado no rio Paraguai, quinze quilômetros abaixo de Porto Martinho. Trabalhava na Margarida e como tinha uns dias de folga resolveu pescar. Alugou uma canoa e foi descendo o rio. A canoa, muito leve, bateu em uma galhada que vinha rodando e virou, provocando a queda do pescador fanático na água barrenta. A canoa foi encontrada enroscada em galhos, circundada por aguapés e cipó-de-barranca. Meia Bunda nunca foi encontrado.
Touro Sentado.
Touro Sentado era um paraguaio que, no trabalho de chamuscar as folhas, era um autentico mestre. Trabalhou na fazenda de Panambi-Verá, lá para os lados da antiga Dourados. Touro Sentado tinha uma cintura colossal. Um volume que chamava a atenção até de crianças. Pesava 154 quilos. Trabalhador de grande produção. Trabalhava sentado em um toco de peroba. A barriga não lhe dava condição de trabalhar em pé. Daí o apelido que lhe assentava bem. Jamais se sentiu ofendido com a alcunha. Era uma das personagens mais famosas da região. Todos lhe queriam bem e seus serviços eram disputados.
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