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Economia

Crise da Raízen preocupa trabalhadores, mas sindicato acredita em venda da usina

Com 1,7 mil empregos na unidade, sindicato relata apreensão, mas aposta em possível venda do polo

Por Inara Silva | 12/03/2026 17:53
Crise da Raízen preocupa trabalhadores, mas sindicato acredita em venda da usina
Raízen pediu recuperação extrajudicial (Foto: Divulgação)

O pedido de recuperação extrajudicial da Raízen, que busca renegociar cerca de R$ 65,1 bilhões em dívidas, repercutiu entre trabalhadores do setor sucroenergético em Caarapó, município a 282 quilômetros de Campo Grande. A cidade abriga a única unidade industrial da empresa no Estado e, apesar da preocupação inicial, o sindicato da categoria afirma que há expectativa de manutenção das atividades e até de uma possível venda da usina para outros grupos interessados.

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A Raízen, que possui uma unidade industrial em Caarapó (MS), entrou com pedido de recuperação extrajudicial para renegociar dívidas de R$ 65,1 bilhões. Apesar da situação, o sindicato local mantém expectativas positivas quanto à continuidade das operações, que empregam cerca de 1,7 mil trabalhadores. A empresa prevê a contratação de 140 trabalhadores temporários para a safra que inicia em abril. Além disso, grupos do agronegócio já demonstraram interesse na unidade de Caarapó, que é considerada moderna e possui boa logística, segundo o sindicato.

Presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Açúcar, Etanol e Bioenergia de Caarapó, Adeildo de Oliveira afirma que a empresa emprega atualmente cerca de 1,7 mil trabalhadores na cidade. No fim de 2025, porém, houve uma redução no quadro funcional com a demissão de aproximadamente 250 funcionários, tanto da área industrial quanto da agrícola.

“Hoje o quadro já está bem reduzido”, relata o dirigente sindical. Mesmo assim, segundo ele, a expectativa é de continuidade das operações, já que a empresa mantém compromissos produtivos. “Tem cana plantada, tem contratos e compromissos com credores. A safra precisa acontecer”, afirma.

Reunião - Adeildo afirma que alguns trabalhadores procuraram o sindicato em busca de informações após a notícia. No entanto, segundo ele, uma reunião virtual realizada na quarta-feira (11) por um dos diretores da empresa com gestores das unidades ajudou a reduzir parte da preocupação. “Foi uma conversa para tranquilizar os funcionários”, afirma.

Outro fator que alimenta a expectativa positiva, segundo o sindicato, é o interesse de empresas do setor na unidade de Caarapó. Adeildo relata que representantes de grupos do agronegócio já visitaram o local nos últimos dias para avaliar o ativo. “Isso traz esperança porque a unidade daqui é moderna e tem logística muito boa”, diz.

Adeildo não participou da reunião, mas foi informado que a empresa comunicou que a operação local deve seguir ativa no curto prazo e há previsão de contratação de mais 140 trabalhadores temporários nas próximas semanas para o início da colheita da safra, prevista para o fim de abril.

Dívida bilionária - A Raízen protocolou pedido de recuperação extrajudicial para renegociar aproximadamente R$ 65,14 bilhões em dívidas, considerado um dos maiores processos do tipo já registrados no país, envolvendo nove empresas do grupo, incluindo a Raízen Caarapó Açúcar e Álcool.

Segundo documentos apresentados à Justiça, a crise financeira foi agravada por fatores como queda de produtividade agrícola, redução de margens no setor sucroenergético e aumento do custo da dívida, impulsionado pela alta da taxa básica de juros.

A empresa afirma que o processo tem escopo exclusivamente financeiro e que as atividades operacionais continuam sendo conduzidas normalmente.

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