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Economia

Senado vai debater impactos sociais e econômicos da expansão do Vale da Celulose

Eucaliptais levam riqueza ao leste de MS, mas expõem fragilidade dos municípios para receber novos moradores

Por Viviane Monteiro, de Brasília | 29/08/2025 10:07
Senado vai debater impactos sociais e econômicos da expansão do Vale da Celulose
Produção da Suzano, uma das fábricas em funcionamento em MS (Foto: Assessoria)

A Comissão de Desenvolvimento Regional do Senado realizará um debate sobre os desafios da expansão da celulose em Mato Grosso do Sul, região que concentra investimentos bilionários e abriga algumas das maiores indústrias do setor no mundo, mas também sofre o impacto social e ambiental dos empreendimentos. O requerimento do senador Nelson Trad Filho, do PSD (Partido Social Democrático) de Mato Grosso do Sul, foi aprovado nesta semana pela Comissão.

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O Senado Federal promoverá debate sobre os impactos da expansão da indústria de celulose em Mato Grosso do Sul, região que concentra investimentos de R$ 103 milhões e responde por 24% da produção nacional do setor. A audiência pública, proposta pelo senador Nelsinho Trad, reunirá prefeitos, empresários e autoridades. O crescimento do setor traz desafios significativos para os municípios do Vale da Celulose. Com previsão de gerar 100 mil empregos nos próximos cinco anos, a região enfrenta problemas como déficit habitacional, alta nos preços de imóveis e pressão sobre serviços públicos, além de impactos ambientais que demandam atenção especial.

Sob a coordenação de Nelsinho, a audiência pública, ainda sem data prevista, discutirá os efeitos do setor da celulose em onze municípios do estado e reunirá prefeitos do Vale da Celulose, empresários da indústria, parlamentares e representantes do governo de Mato Grosso do Sul.

Segundo o senador, a dependência da celulose torna as cidades vulneráveis, o que torna necessário diversificar a economia, garantir justiça social e qualificar a gestão urbana. "A industrialização deve vir acompanhada de políticas públicas para evitar exclusão e fragmentação territorial. O crescimento econômico só se traduzirá em desenvolvimento se houver redistribuição de renda, acesso à terra e fortalecimento de economias locais".

Foram convidadas as prefeitas de Água Clara, Gerolina da Silva Alves, e de Bataguassu, Wanderleia Duarte Caravina. Também os prefeitos de Inocência (Antônio Ângelo Garcia dos Santos), de Ribas do Rio Pardo (Roberson Luiz Moureira), de Santa Rita do Pardo (Lúcio Roberto Calixto Costa) e de Três Lagoas (Cassiano Rojas Maia). Do lado da indústria, foram chamados representantes da Arauco, da Suzano e da Bracell, além do secretário da Semadesc (Secretaria do Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), Jayme Verruck, e o deputado estadual Pedro Caravina.

Embora a expansão da celulose seja positiva para a economia regional, o senador Nelsinho Trad aponta os gargalos da região diante da falta de planejamento adequado. “É lógico que, com a instalação dessas empresas, os problemas também vêm, porque é uma cidade de 8 mil habitantes; dali a pouco, para construir uma empresa dessa, precisa de igual número de gente que mora na cidade.”

As novas fábricas no Vale da Celulose devem gerar cerca de 100 mil empregos nos próximos cinco anos, o equivalente a mais de 14 mil contratações por ano.

Senado vai debater impactos sociais e econômicos da expansão do Vale da Celulose
O requerimento do senador Nelson Trad Filho, do PSD (Foto: Arquivo)

Investimentos

Pelos cálculos de Trad, as cidades produtivas do Vale da Celulose reúnem investimentos da ordem de R$ 103 milhões em curto e médio prazos, com capacidade produtiva de até 14,25 milhões de toneladas da commodity ao ano, o que torna a região referência tanto no Brasil como no exterior.

O impacto local reverbera diretamente na economia nacional. “Mato Grosso do Sul responde por quase 8% do valor bruto da produção florestal e cerca de 24% da produção de celulose do país, um setor que já superou a soja entre as exportações do estado e faturou US$ 1,44 bilhão em vendas no mercado internacional no início de 2025.”

No caso de Três Lagoas, o principal polo da celulose, o Produto Interno Bruto (PIB) do município, segundo o senador, cresceu mais de 16 vezes em pouco mais de uma década, enquanto a população aumentou 13% entre 2021 e 2024.

Paralelamente, o crescimento rápido traz desafios emergenciais, entre eles os ambientais. Para o senador, os serviços públicos, moradias e infraestrutura urbana são insuficientes diante da demanda crescente. Além disso, os preços dos imóveis e aluguéis dispararam, pressionando principalmente as populações mais vulneráveis e obrigando-as a se deslocarem para áreas periféricas carentes de estrutura. “Nenhum desenvolvimento pode ser desenhado sem ouvir as pessoas que vivem e trabalham no Vale da Celulose. Essa audiência é o espaço para isso”, exemplifica Nelsinho Trad.

O entendimento do senador é de que a audiência pública convocada na Comissão de Desenvolvimento Regional deve contribuir para acelerar um planejamento mais eficiente, em que o estado defina sua trajetória, construindo um modelo de desenvolvimento que una economia forte, melhores condições de vida para a população e preservação ambiental.