“Formar médicos é uma responsabilidade social, não mercadológica”, diz CRM
Duas instituições privadas do Estado receberam nota 2 no Exame Nacional de Medicina

O baixo desempenho de faculdades particulares de Mato Grosso do Sul no Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) acendeu um alerta na comunidade acadêmica, avalia o CRM-MS (Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul). Duas instituições privadas do Estado receberam nota 2 no exame, conceito considerado insatisfatório, já que a pontuação máxima é 5.
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O baixo desempenho de faculdades particulares de Mato Grosso do Sul no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) preocupa o Conselho Regional de Medicina. Duas instituições privadas receberam nota 2, considerada insatisfatória, enquanto universidades públicas alcançaram as melhores avaliações. O CRM-MS alerta que lacunas na formação podem comprometer a segurança dos pacientes e destaca a necessidade de melhorias nos projetos pedagógicos e infraestrutura. O Sindicato dos Médicos ressalta que a falta de hospitais-escola e corpo docente qualificado são fatores críticos para o baixo desempenho.
Para o conselho, o Enamed cumpre papel relevante ao indicar fragilidades na formação médica. Em nota, a entidade destaca que resultados insatisfatórios, especialmente quando recorrentes, apontam para a necessidade de revisão dos projetos pedagógicos, qualificação do corpo docente e melhoria da estrutura de ensino.
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O CRM-MS ressalta ainda que a reversão desse cenário passa pela fiscalização contínua dos cursos de Medicina, fortalecimento da avaliação nacional com consequências efetivas para desempenhos abaixo do padrão, valorização dos professores, e "sobretudo, a compreensão de que formar médicos é uma responsabilidade social, não apenas acadêmica ou mercadológica", destaca.
Embora o Enamed não seja o único parâmetro de avaliação, o conselho avalia que o exame oferece um retrato importante da formação teórica. Na prática profissional, segundo a entidade, lacunas acadêmicas se refletem em dificuldades técnicas, insegurança clínica e falhas na tomada de decisão, o que pode comprometer a segurança do paciente.
“O exercício da medicina exige preparo técnico sólido, raciocínio clínico apurado e compreensão ética. Quando esses pilares não estão bem estabelecidos, quem sofre é a população”, pontua o CRM-MS.
A avaliação também é compartilhada pelo Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul. Para o diretor jurídico da entidade, Valdir Shigueiro Siroma, os resultados do Enamed evidenciam, principalmente, a carência de infraestrutura adequada para a formação médica, sobretudo na parte prática do curso.
Segundo ele, a ausência de hospitais-escola compromete o aprendizado dos acadêmicos. “Uma das causas dessas notas inadequadas é a falta de estrutura, como hospital-escola, para que os alunos tenham formação prática dentro das instituições”, afirmou.
Valdir também destacou a importância do corpo docente na qualidade do ensino. “O professor é fundamental para que os futuros médicos tenham boa formação e orientação adequada”, disse.
Dados divulgados pelo INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) mostram que a Uniderp Anhanguera, de Campo Grande, e a Unicesumar, de Corumbá, receberam conceito 2 no Enamed, enquanto as universidades públicas federais e estaduais alcançaram as melhores avaliações.
A UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) obteve nota máxima nos campi de Campo Grande e Três Lagoas, assim como a UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados). Já a UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) recebeu conceito 4, considerado satisfatório.


