ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
JANEIRO, QUINTA  08    CAMPO GRANDE 31º

Economia

Brasil discute situação de carne bovina em trânsito após nova cota da China

País asiático respondeu por aproximadamente metade de todas as exportações brasileiras do ano passado

Por Gabriel Neris | 07/01/2026 08:49
Brasil discute situação de carne bovina em trânsito após nova cota da China
Funcionário manuseia carne em frigorífico de MS (Foto: Fiems/Divulgação)

O governo brasileiro ainda não tem definição sobre se a carne bovina que já está em trânsito para a China será contabilizada dentro das novas cotas de importação anunciadas por Pequim na semana passada. A informação foi confirmada por uma autoridade brasileira nesta terça-feira (6), em meio à preocupação crescente do setor exportador.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

O governo brasileiro enfrenta incertezas sobre a contabilização da carne bovina em trânsito para a China nas novas cotas de importação anunciadas por Pequim. A dúvida surge após o país asiático impor uma tarifa adicional de 55% sobre importações que excedam os limites estabelecidos para seus principais fornecedores. A China fixou a cota brasileira em 1,106 milhão de toneladas para 2026, com aumentos graduais nos anos seguintes. Em 2025, o país asiático foi destino de 53% das exportações brasileiras de carne bovina, gerando receita de US$ 8,8 bilhões. O setor teme que cargas já em trânsito sejam descontadas da cota futura.

Segundo Herlon Brandão, chefe do departamento de estatísticas do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), o volume de carne bovina brasileira atualmente em trânsito representa uma parcela considerada pequena quando comparada às cerca de 1,5 milhão de toneladas exportadas pelo Brasil para a China em 2025. No ano passado, o país asiático respondeu por aproximadamente metade de todas as exportações brasileiras de carne bovina, que somaram mais de 3 milhões de toneladas, o maior volume já registrado.

A incerteza ganhou peso após a China impor uma tarifa adicional de 55% sobre as importações que ultrapassarem as cotas estabelecidas para seus principais fornecedores, entre eles Brasil, Austrália e Estados Unidos. A medida faz parte de uma estratégia do governo chinês para proteger o mercado interno de carne bovina.

Entidades do setor avaliam que o risco está na interpretação das regras. Em nota divulgada nesta terça, o Sindifrigo-MT (Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso) afirmou que autoridades chinesas indicaram que o cálculo da cota será feito com base nas entradas efetivas no país a partir de 1º de janeiro de 2026, sem considerar contratos já firmados, cargas em trânsito ou produtos já embarcados. Se esse entendimento for mantido, o Brasil teria de descontar cerca de 350 mil toneladas de sua cota para 2026, volume estimado de cargas que estão em portos chineses aguardando liberação, em navios a caminho do país ou ainda estocadas em portos brasileiros.

O MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária) não se manifestou até o momento sobre as preocupações levantadas pelo setor. Dados oficiais indicam que, em 2025, cerca de 53% das exportações brasileiras de carne bovina tiveram como destino a China, gerando uma receita de US$ 8,8 bilhões.

De acordo com o anúncio de Pequim, a cota de importação de carne bovina brasileira foi fixada em 1,106 milhão de toneladas para 2026, com aumentos graduais previstos para os anos seguintes: 1,128 milhão de toneladas em 2027 e 1,151 milhão em 2028 (com informações da Agência Reuters).