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Artes

Artistas se unem e criam coletivo para ser resistência na cena cultural

Grupo reúne artistas de diferentes áreas em uma espécie de rede de apoio

Por Clayton Neves | 14/03/2026 08:13
Artistas se unem e criam coletivo para ser resistência na cena cultural
Corpocidade tem cerca de 45 artistas de diversas linguagens. (Foto: Arquivo Pessoal)

Em uma cidade onde fazer arte muitas vezes significa enfrentar portas fechadas, dezenas de artistas decidiram transformar a dificuldade em união. Foi assim que nasceu o Coletivo Corpocidade, grupo que reúne artistas de diferentes áreas em uma espécie de rede de apoio e resistência cultural em Campo Grande.

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O Coletivo Corpocidade, criado em abril de 2022 em Campo Grande, reúne 45 artistas de diferentes áreas como fotografia, literatura, artes visuais, dança e teatro. A iniciativa, que começou com 11 integrantes, surgiu como resposta à pouca valorização da cultura na cidade. O grupo, dirigido pelo artista plástico Murilo Rodrigues, atua de forma voluntária participando de eventos e feiras culturais. Com membros de diferentes gerações, o coletivo busca dar visibilidade aos artistas locais e fortalecer a produção cultural, apesar dos desafios enfrentados no cenário artístico da região.

Criado em abril do ano passado, o coletivo começou pequeno, com cerca de 11 integrantes. Em menos de um ano, o número saltou para 45 artistas de diversas linguagens, como fotografia, literatura, artes visuais, dança e teatro.

Diretor do coletivo, o artista plástico Murilo Rodrigues conta que a ideia surgiu ao perceber a pouca valorização da cultura na cidade.

Artistas se unem e criam coletivo para ser resistência na cena cultural
Coletivo foi criado em abril do ano passado e tem se fortalecido a cada mês. (Foto: Arquivo Pessoal)

“Infelizmente a cultura ainda não é tão valorizada. Muitas vezes acaba sendo deixada de lado. Pensando nisso, tive a ideia de criar um coletivo que pudesse reunir artistas e dar visibilidade para quem está começando ou para quem já está na estrada há muito tempo”, explica.

Segundo ele, o grupo nasceu para mostrar que a produção artística existe e precisa de espaço. “Quando criamos o coletivo, eram cerca de 11 pessoas. Hoje já somos mais de 40 e ainda temos espaço para crescer. A gente começou a ser convidado para eventos, participar de feiras e mostrar o trabalho de quem está dentro do coletivo”, relata.

Apesar da movimentação, o trabalho ainda é totalmente voluntário. “O objetivo é levar arte para as pessoas e dar visibilidade aos artistas. A gente não recebe para isso. É uma iniciativa coletiva mesmo”, diz Murilo.

Artistas se unem e criam coletivo para ser resistência na cena cultural
Adriano foi apresentado ao grupo pelo filho, Alex. (Foto: Arquivo Pessoal)

Para muitos integrantes, a força do coletivo está justamente na união entre artistas de gerações e trajetórias diferentes. O poeta Adriano Chastel, de 53 anos, escreve desde a adolescência e atua também no teatro e em projetos de palhaçaria em hospitais. Para ele, produzir arte na cidade ainda é um grande desafio.

“É muito difícil. Editais são escassos e, principalmente na literatura, faltam espaços para apresentar o trabalho. Muitas vezes você tem o que mostrar, mas não tem onde divulgar”, afirma.

Adriano conta que entrou no coletivo por meio do filho, Alex, que é  estudante de teatro. “A coletividade é o que mais me encanta. O Corpocidade tenta abraçar várias vertentes da arte e promove essa troca entre artistas de diferentes áreas. E é muito bonito estar no meio dessa juventude que tem uma visão mais colaborativa”, destaca.

Artistas se unem e criam coletivo para ser resistência na cena cultural
Além de um meio de resistência, coletivo é acolhimento para os artistas. (Foto: Arquivo Pessoal)

Entre os integrantes também estão artistas mais jovens que encontraram no coletivo um incentivo para continuar criando. A dançarina e atriz Júlia Samaniego, de 21 anos, lembra que o caminho artístico na região exige persistência.

“Fazer arte em Campo Grande é sempre um ato de resistência. Mesmo com editais e leis de incentivo, para quem está começando ainda é um caminho muito difícil”, comenta.

Segundo ela, fazer parte de um grupo fortalece quem está começando. “Estar dentro do coletivo me dá força para continuar. Ver tantas pessoas com o mesmo desejo de fazer arte e não desistir mostra que a gente segue produzindo cultura apesar de tudo”, detalha.

Artistas se unem e criam coletivo para ser resistência na cena cultural
Júlia destaca que fazer arte em Cam po Grande exige persistência. (Foto: Arquivo Pessoal)

Além de participar de feiras e eventos culturais, o coletivo também já realizou um sarau na região central da cidade, durante a Semana da Consciência Negra, em parceria com outros grupos culturais.

Agora, os artistas já preparam novas atividades para este ano e buscam apoio e editais. “Eu achei que seria muito mais difícil juntar tanta gente. Mas deu certo. Hoje eu me sinto muito realizado vendo tantos artistas juntos, mostrando o trabalho e levando arte para a cidade”, finaliza Murilo.

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