Depois de anos de espera, irmãs realizam sonho de ter Casa de Pão
O que começou com um fogão e uma mesa virou fonte de renda e orgulho para a família indígena da etnia Atikum
Na Aldeia Cabeceira, em Nioaque, o cheiro de pão quente que sai do forno carrega muito mais que farinha, água e fermento. Carrega um sonho antigo que nasceu no coração de Marinalva Conceição Vicente, de 41 anos, liderança do povo Atikum no Estado e das irmãs.
RESUMO
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Na Aldeia Cabeceira, em Nioaque, Marinalva Conceição Vicente e suas irmãs transformaram um sonho em realidade ao criar a Casa de Pão, um empreendimento que nasceu de conversas simples há cerca de cinco anos. A iniciativa surgiu enquanto Marinalva, que antes trabalhava na roça, preparava alimentos para os trabalhadores que construíam sua casa. O negócio, que começou modestamente com um fogão e uma mesa de mármore, hoje produz pães e bolos vendidos na aldeia e na cidade. As irmãs buscaram capacitação no Sebrae-MS e expandiram suas atividades. Além de empreendedora, Marinalva mantém importante papel como liderança do povo Atikum, atuando como conselheira de saúde indígena e representante estadual dos povos originários.
Filha de Aliano José Vicente e Luiza Conceição Vicente, Marinalva nasceu em Aporé, em Goiás mas traz na história da família as raízes de Carnaubeira da Penha, de onde vieram seus pais. Hoje, é na aldeia onde vive que um sonho começou a ganhar forma: a Casa de Pão, criada dentro da comunidade.
A ideia nasceu há cerca de 5 anos, em conversas simples entre ela e as irmãs Eliane conceição Vicente e Ana Lucia conceição Vicente. Na época, a vida ainda era dividida entre o trabalho pesado da roça e os cuidados com os animais.
“Eu sempre gostei de fazer massas caseiras. A gente ama muito o que fazemos”, conta. Antes de vender pães e bolos, Marinalva ajudava o pai e os irmãos na lavoura, carpindo plantações, limpando pastos com foice e cuidando das vacas e bezerros. Era uma rotina de muito trabalho, como a de tantas famílias criadas na roça.
Foi justamente nesse período que o sonho começou a tomar forma. Enquanto a casa dela era construída dentro da aldeia, Marinalva preparava café, pão e bolo para as pessoas que trabalhavam na obra.
De manhã cedo ou no café da tarde, ela servia as massas feitas por suas próprias mãos. E ali, entre uma fornada e outra, guardava o plano que dividia apenas com as irmãs: montar uma pequena cozinha para produzir pães dentro da comunidade.
“Era um sonho só nosso. A gente pensava: vamos comprar um fogão, uma mesa e trabalhar aqui mesmo na aldeia.” Quando a casa ficou pronta, a alegria veio junto com o primeiro passo do projeto. A Casa de Pão começou simples, do jeito que ela falou, com um fogão, uma mesa de mármore e muita vontade de fazer dar certo. E deu.
Hoje, Marinalva trabalha ao lado das irmãs preparando massas caseiras que são vendidas dentro da aldeia e, mais recentemente, também na cidade. O pequeno negócio se tornou fonte de renda e orgulho. “Hoje me sinto uma empreendedora”, brinca.
Ao longo do caminho, elas buscaram capacitação em cursos e seminários do Sebrae-MS (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), aprendendo novas técnicas e formas de melhorar o trabalho.
Mesmo com a padaria comunitária crescendo, Marinalva continua atuando em várias frentes. É conselheira distrital de saúde indígena, conselheira estadual dos povos originários e uma das representantes do povo Atikum em Mato Grosso do Sul. A liderança, inclusive, vem de casa. Seu pai foi líder da comunidade e faleceu há oito anos. Desde então, Marinalva assumiu a responsabilidade de continuar o legado.
Além do trabalho e da representatividade política, ela também participa de eventos culturais, ajudando a manter vivas a dança e as tradições do seu povo.
“Carrego a cultura viva, a nossa identidade como povo originário.” Hoje, o sonho da Casa de Pão segue crescendo. O objetivo agora é ampliar o espaço e profissionalizar ainda mais o trabalho. Mas, para Marinalva, tudo até aqui já representa uma grande vitória.
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