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Comportamento

Depois de anos de espera, irmãs realizam sonho de ter Casa de Pão

O que começou com um fogão e uma mesa virou fonte de renda e orgulho para a família indígena da etnia Atikum

Por Natália Olliver | 14/03/2026 07:44
Depois de anos de espera, irmãs realizam sonho de ter Casa de Pão
Marinalva Conceição Vicente, começou Casa de pão com irmãs (Foto: Arquivo pessoal)

Na Aldeia Cabeceira, em Nioaque, o cheiro de pão quente que sai do forno carrega muito mais que farinha, água e fermento. Carrega um sonho antigo que nasceu no coração de Marinalva Conceição Vicente, de 41 anos, liderança do povo Atikum no Estado e das irmãs.

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Na Aldeia Cabeceira, em Nioaque, Marinalva Conceição Vicente e suas irmãs transformaram um sonho em realidade ao criar a Casa de Pão, um empreendimento que nasceu de conversas simples há cerca de cinco anos. A iniciativa surgiu enquanto Marinalva, que antes trabalhava na roça, preparava alimentos para os trabalhadores que construíam sua casa. O negócio, que começou modestamente com um fogão e uma mesa de mármore, hoje produz pães e bolos vendidos na aldeia e na cidade. As irmãs buscaram capacitação no Sebrae-MS e expandiram suas atividades. Além de empreendedora, Marinalva mantém importante papel como liderança do povo Atikum, atuando como conselheira de saúde indígena e representante estadual dos povos originários.

Filha de Aliano José Vicente e Luiza Conceição Vicente, Marinalva nasceu em Aporé, em Goiás mas traz na história da família as raízes de Carnaubeira da Penha, de onde vieram seus pais. Hoje, é na aldeia onde vive que um sonho começou a ganhar forma: a Casa de Pão, criada dentro da comunidade.

A ideia nasceu há cerca de 5 anos, em conversas simples entre ela e as irmãs Eliane conceição Vicente e Ana Lucia conceição Vicente. Na época, a vida ainda era dividida entre o trabalho pesado da roça e os cuidados com os animais.

Depois de anos de espera, irmãs realizam sonho de ter Casa de Pão
Depois de anos de espera, irmãs realizam sonho de ter Casa de Pão
Pão de queijo e pão doce das irmãs são os mais procurados na aldeia (Foto: Arquivo pessoal)

“Eu sempre gostei de fazer massas caseiras. A gente ama muito o que fazemos”, conta. Antes de vender pães e bolos, Marinalva ajudava o pai e os irmãos na lavoura, carpindo plantações, limpando pastos com foice e cuidando das vacas e bezerros. Era uma rotina de muito trabalho, como a de tantas famílias criadas na roça.

Foi justamente nesse período que o sonho começou a tomar forma. Enquanto a casa dela era construída dentro da aldeia, Marinalva preparava café, pão e bolo para as pessoas que trabalhavam na obra.

De manhã cedo ou no café da tarde, ela servia as massas feitas por suas próprias mãos. E ali, entre uma fornada e outra, guardava o plano que dividia apenas com as irmãs: montar uma pequena cozinha para produzir pães dentro da comunidade.

Depois de anos de espera, irmãs realizam sonho de ter Casa de Pão
Sonho virou realidade em 2025, na aldeia Atikum, em Nioaque Foto: Arquivo pessoal)

“Era um sonho só nosso. A gente pensava: vamos comprar um fogão, uma mesa e trabalhar aqui mesmo na aldeia.” Quando a casa ficou pronta, a alegria veio junto com o primeiro passo do projeto. A Casa de Pão começou simples, do jeito que ela falou, com um fogão, uma mesa de mármore e muita vontade de fazer dar certo. E deu.

Hoje, Marinalva trabalha ao lado das irmãs preparando massas caseiras que são vendidas dentro da aldeia e, mais recentemente, também na cidade. O pequeno negócio se tornou fonte de renda e orgulho. “Hoje me sinto uma empreendedora”, brinca.

Ao longo do caminho, elas buscaram capacitação em cursos e seminários do  Sebrae-MS (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), aprendendo novas técnicas e formas de melhorar o trabalho.

Mesmo com a padaria comunitária crescendo, Marinalva continua atuando em várias frentes. É conselheira distrital de saúde indígena, conselheira estadual dos povos originários e uma das representantes do povo Atikum em Mato Grosso do Sul. A liderança, inclusive, vem de casa. Seu pai foi líder da comunidade e faleceu há oito anos. Desde então, Marinalva assumiu a responsabilidade de continuar o legado.

Depois de anos de espera, irmãs realizam sonho de ter Casa de Pão
Depois de anos de espera, irmãs realizam sonho de ter Casa de Pão
Irmãs fazem pão de queijo, pão doce, pão caseiro comum e bolos (Foto: Arquivo pessoal)

Além do trabalho e da representatividade política, ela também participa de eventos culturais, ajudando a manter vivas a dança e as tradições do seu povo.

“Carrego a cultura viva, a nossa identidade como povo originário.” Hoje, o sonho da Casa de Pão segue crescendo. O objetivo agora é ampliar o espaço e profissionalizar ainda mais o trabalho. Mas, para Marinalva, tudo até aqui já representa uma grande vitória.

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