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Comportamento

Léo venceu preconceito e encontrou liberdade no próprio cabelo

Inspiração em outras mulheres negras ajudou técnica de enfermagem a ressignificar a aparência e a história

Por Clayton Neves | 09/01/2026 07:22
Léo venceu preconceito e encontrou liberdade no próprio cabelo
Aos 59 anos, Léo é sinônimo de alegria e autoaceitação. (Foto: Arquivo pessoal)

Com doses generosas de autoestima e coragem para ser quem sempre quis, a técnica de enfermagem Leonice Conceição de Melo, a Léo, de 59 anos, transformou o próprio cabelo em símbolo de liberdade.

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Leonice Conceição de Melo, técnica de enfermagem de 59 anos, transformou seu cabelo em símbolo de liberdade após anos enfrentando racismo. Após um episódio discriminatório no trabalho, encontrou apoio no movimento negro e começou a experimentar diferentes estilos, incluindo tranças e cores vibrantes. No ambiente hospitalar, seu visual colorido tornou-se ferramenta de cuidado, trazendo alegria aos pacientes. Atualmente, mantém o cabelo natural, mas sua jornada de autodescoberta e enfrentamento ao preconceito inspirou muitas pessoas ao seu redor, demonstrando que a liberdade de expressão pode ser um ato de resistência.

Negra, de cabelo crespo, ela cresceu em um tempo em que “nada podia” e em que o racismo era escancarado. Na infância e adolescência, as ofensas eram diretas, dolorosas e constantes. “Era chamada de preta com tom ofensivo, de nojenta. Era daí para baixo”, lembra.

Por muito tempo, a profissional de enfermagem aprendeu que precisava se esconder e não chamar atenção. Mas tudo mudou já na vida adulta, quando começou a se enxergar com outros olhos  e a se permitir.

Léo venceu preconceito e encontrou liberdade no próprio cabelo
Cabelo loiro com desenhos de patinhas foi um dos visuais adotados. (Foto: Arquivo pessoal)
Léo venceu preconceito e encontrou liberdade no próprio cabelo
Cabelo raspado com pintura rosa e preto também foi adotado. (Foto: Arquivo pessoal)

O processo de libertação começou depois de um episódio de racismo no antigo  trabalho, que a levou a buscar apoio no movimento negro. Foi ali que Léo passou a se reconhecer nas outras mulheres negras, nas roupas coloridas, nos cabelos vibrantes, nas estéticas que celebravam identidade e pertencimento. “Eu descobri que era linda, que eu podia”, conta.

A partir daí vieram as tranças, as cores e a mudança de estilo para uma estética cheia de personalidade. O desejo de raspar a cabeça também ganhou força, inspirado em mulheres negras americanas e modelos que via na televisão.

Durante cerca de dois anos, Léo assumiu o visual careca por escolha própria, enfrentando olhares atravessados, comentários maldosos e perguntas invasivas. Mesmo assim, ela se manteve firme com o visual que a fazia feliz e foi além. Teve cabelo verde, vermelho, rosa, amarelo, azul e até um loiro platinado com patinhas desenhadas. “Tive cabelo de todas as cores do arco-íris e amava cada vez que trocava”, revela.

Léo venceu preconceito e encontrou liberdade no próprio cabelo
Hoje, cabelos estão em processo de crescimento e Léo planeja o próximo visual. (Foto: Arquivo pessoal)

Nesse período, Léo conta que precisou lidar com olhares, comentários e o preconceito. Ainda assim, ela seguiu. No ambiente de trabalho, na área da saúde, chegou a ser a única com cabelo colorido, mas também foi ali que percebeu o impacto positivo da própria presença.

Técnica de enfermagem, Léo diz que as cores viraram também ferramenta de cuidado. Pacientes comentam que se sentem melhor só de vê-la chegar. “Já ouvi várias vezes pacientes dizerem que até a dor ia embora quando me viam chegar toda colorida. percebi que meu visual levava alegria para as pessoas’”, conta.

Hoje, o cabelo está natural, crescendo novamente, inspirado em outra colega negra. Mas a decisão segue sendo dela. “O tempo dirá”, responde quando perguntam se as cores vão voltar. Certo mesmo é que, depois de enfrentar o racismo desde cedo, Léo escolheu existir do jeito que quiser, e ao fazer isso, acabou iluminando o caminho de muita gente ao redor.

Léo venceu preconceito e encontrou liberdade no próprio cabelo
Técnica de enfermagem venceu com alegria o preconceito que enfrentou na infância. (Foto: Arquivo pessoal)

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