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Comportamento

Para manter o boteco da família aberto, Joelson vende até botina

Dono vende nó de cachorro, calças, chinelos, petiscos e ainda toca violão para os clientes

Por Natália Olliver | 24/02/2026 07:56
Para manter o boteco da família aberto, Joelson vende até botina
Joelson herdou bar dos pais, que mantiveram negócio por 47 anos Foto: Natália Olliver)

Bem-humorado e dono de bar mercearia que resiste há mais de 47 anos na Vila Margarida, Joelson Lima dos Reis é daqueles que anima qualquer um e até toca violão. O espaço era dos pais e foi herdado por ele há alguns anos. Por lá tem pinga de raízes e frutas batizadas de nó de cachorro ou fedegoso, frango assado, botina e até calça de cowboy. Os itens tiveram que entrar no negócio para atrair novos públicos e manter o caixa.

RESUMO

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Joelson Lima dos Reis mantém viva a tradição do bar mercearia herdado dos pais na Vila Margarida, em Campo Grande, há mais de 47 anos. O estabelecimento, que começou vendendo apenas bebidas artesanais, hoje diversificou seu comércio para incluir roupas, calçados e lanches, adaptando-se às necessidades do mercado. Aos 50 anos, Joelson preserva o legado familiar, produzindo mais de 20 tipos de pingas artesanais com frutas e raízes, como fazia seus pais, que vieram de Pernambuco. Além de comerciante, ele é músico e compositor, tendo aprendido a tocar violão com o pai, mantendo viva a tradição musical do estabelecimento.

Depois de tantos anos dos pais dedicados só às bebidas artesanais, hoje o bar já não se sustenta apenas com as doses vendidas de R$ 2 a R$ 3. Joelson se rotula como uma palha de aço, que se vira nos 30 para conseguir sobreviver. O pai faleceu há 15 anos e a mãe há menos de 2 anos.

Aos 50 anos, o dono explica que, mesmo sendo criado vendo os pais no bar, nunca tinha tocado um, mas que tem amado cada minuto. Ele fala com orgulho da trajetória dos pais, que saíram de Pernambuco para a cidade morena em busca de uma vida melhor. Aqui encontrou mais que isso, uma oportunidade de tocar a vida.

O letreiro que o pai mandou fazer sobre não vender fiado mesmo que acabe os amigos ou a amizade já não é mais aplicado, porém rende boas risadas de quem chega.

Para manter o boteco da família aberto, Joelson vende até botina
Para manter o boteco da família aberto, Joelson vende até botina
Pingas variadas caseiras e até botinas são vendidas no bar de Joelson Lima (Foto: Natália Olliver)

“Meu pai quase foi fundador do bairro, viemos do Nordeste. Ele comprou aqui próximo e quis ampliar depois, comprou a esquina. Eles ficaram quase 47 anos. Meus irmãos não quiseram ficar. O bar ficou um tempo fechado, mais de 6 meses. Resolvi vir e assumir. Gostei e vou levar a história deles adiante”.

Ele conta que, quando veio para Campo Grande, ainda era um bebê de colo e que, aos 9 anos, voltou para Pernambuco com a família. A mudança não durou muito, pouco tempo depois estavam aqui novamente.

“Meu pai ganhou um dinheiro aqui e fomos embora. Ficamos 1 ano, não nos acostumamos mais lá. Pai gastou tudo que tinha e voltamos. O resto da família ficou. A gente nunca mais voltou. É difícil ir visitar, nunca fomos”.

Joelson apresenta o pequeno bar e mostra o talento com violão, dom que aprendeu com o pai. Ele pega uma cadeira e toca uma das 18 músicas que compôs ao longo dos anos, a que homenageia Campo Grande. O repertório é composto por 150 canções. O que os clientes pedem, ele toca.

Para manter o boteco da família aberto, Joelson vende até botina
Para manter o boteco da família aberto, Joelson vende até botina
Em bar, Joelson toca ar música que os clientes escolhem (Foto: Natália Olliver)

“Minha terra Campo Grande, minha terra querida. Tudo o que pedi para Deus realizei em minha vida. Foi aqui neste lugar que nasci e constituí família, hoje agradeço a minha terra querida. Terra do Pantanal, do Mato Grosso do Sul, vou dizer com carinho, terra das araras azul”.

“Eles me ensinaram tudo e agradeço a eles. Aprendi a tocar com meu pai, ele tocava também, era 3 vezes melhor que eu. Ele me ensinou demais, não precisou deixar dinheiro, o que ele fez por mim, tudo o que me proporcionou e ensinou. Isso é a maior riqueza para mim. Não precisou de dinheiro, precisou fazer o que ele fez, ser honesto, me ensinou a trabalhar, a fazer as coisas que me fariam vencer. Hoje sou uma pessoa feliz. Não sou rico, mas sou feliz pelo que meu pai me deu. O que eu tenho para morrer pobre já está bom”.

Ele explica que o lugar virou uma espécie de “tem de tudo”, ou quase tudo. Faz lanches na chapa, petiscos como calabresa e vende roupas.

Para manter o boteco da família aberto, Joelson vende até botina
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Até limão ele vende no Bar, localizado na Vila Mragarida (Foto: Natália Olliver)

“Aqui virou um misto de tudo. Bebida o lucro é bem pequeno. Agreguei tudo. Coloquei um pouco de calça, um pouco de bota, a cerveja. Tem dia que está frio não vende bebida, mas vende uma bota. Eu cobro de R$ 140 a R$ 250, tem tênis de R$ 60. Pego numeração na loja e faço minha correria. Tenho até chinelo”.

Joelson conta que tem mais de 20 pingas e que ele mesmo faz, assim como a mãe e o pai faziam. Algumas são de cascas de madeira, como imburana, bálsamo, carobinha e imbé. Outras frutadas, jabuticaba, acerola, pequi, caju do campo. Há também as feitas com raízes, catuaba, fedegoso, cancorosa, nó de cachorro e maleitoso.

“Minha mãe e meu pai tocavam tudo. Ficavam só no bar porque antigamente era bom. Aqui tem uma máquina de jukebox. O pessoal chega, escolhe a música e anima. Eu também toco violão, pedem as modas”.

Confira a galeria de imagens:

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O bar de Joelson Lima fica na Rua Carneiros de Campos, 2006, bairro Vila Margarida.

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