Soja bate recorde no Brasil e MS acelera produção com salto de 14% na safra
Estado deve colher 15 milhões de toneladas em 2026 e reforça posição entre os maiores produtores do país

A safra brasileira de soja caminha para um novo recorde histórico em 2026 — e Mato Grosso do Sul aparece entre os destaques do crescimento. Segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado pelo IBGE, a produção nacional do grão deve atingir 173,3 milhões de toneladas, superando as 166,1 milhões colhidas em 2025.
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A projeção foi revisada para cima no levantamento de fevereiro, com ajuste de 0,4% em relação à estimativa anterior. Na comparação anual, a produção brasileira da oleaginosa deve crescer 4,3%, impulsionada pela recuperação climática em regiões que sofreram com estiagem no último ciclo.
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No cenário nacional, Mato Grosso do Sul aparece como um dos estados com maior avanço proporcional da produção. A estimativa aponta que o Estado deve colher 15 milhões de toneladas de soja em 2026, volume 14% superior ao registrado no ano passado.
O resultado consolida Mato Grosso do Sul entre os principais polos agrícolas do país. No ranking nacional de produção de grãos, o Estado responde por 7,6% da safra brasileira, ocupando a quinta posição entre os maiores produtores.
Segundo o gerente de Agricultura do IBGE, Carlos Alfredo Guedes, a melhora nas condições climáticas explica parte da recuperação da safra em diversas regiões do país.
“O Rio Grande do Sul foi muito prejudicado no ano passado por falta de chuvas e altas temperaturas. Essas condições também afetaram outros estados, como o norte do Paraná e o sul do Mato Grosso do Sul”, explicou o pesquisador.
Com clima mais favorável nesta temporada, o rendimento das lavouras tende a crescer. A produtividade média nacional deve chegar a 3.600 quilos por hectare, aumento de 3,5% em relação ao ciclo anterior. Já a área plantada de soja no país deve atingir 48,2 milhões de hectares, expansão de 0,8%.
MS entre os gigantes da soja
No ranking de produção, os números reforçam a força do agronegócio sul-mato-grossense.
O levantamento do IBGE indica que os principais produtores de soja em 2026 devem ser:
Mato Grosso: 48,5 milhões de toneladas
Paraná: 22,3 milhões de toneladas
Rio Grande do Sul: 20,8 milhões de toneladas
Mato Grosso do Sul: 15,0 milhões de toneladas
Apesar de liderar a produção nacional, Mato Grosso deve registrar queda de 3,3% na colheita, resultado associado à redução da produtividade média no estado.
Enquanto isso, Mato Grosso do Sul segue na trajetória oposta, ampliando a produção e consolidando a soja como uma das principais bases da economia estadual.
Safra total de grãos passa de 344 milhões de toneladas
Considerando todas as culturas agrícolas — cereais, leguminosas e oleaginosas — o Brasil deve produzir 344,1 milhões de toneladas em 2026. O volume é 0,6% menor que o registrado em 2025, quando a safra atingiu 346,1 milhões de toneladas.
A área total colhida, porém, deve crescer e alcançar 82,9 milhões de hectares, expansão de 1,6%.
Entre as culturas, soja, milho e arroz continuam dominando o campo brasileiro, respondendo por 92,8% da produção e 87,5% da área plantada.
Soja: crescimento de 4,3% na produção
Milho: 134,3 milhões de toneladas, com queda de 5,3%
Arroz: 11,6 milhões de toneladas, recuo de 8,0%
Centro-Oeste lidera produção nacional
A região Centro-Oeste segue como o grande celeiro do país. Em 2026, deve concentrar 167,9 milhões de toneladas, o equivalente a 48,8% de toda a produção brasileira de grãos.
Na divisão por estados, seis unidades federativas concentram quase 80% da produção nacional:
Mato Grosso – 30,2%
Paraná – 13,9%
Rio Grande do Sul – 11,7%
Goiás – 10,7%
Mato Grosso do Sul – 7,6%
Minas Gerais – 5,5%
Somados, esses estados respondem por 79,6% da safra brasileira.
Com crescimento da produção e ganho de produtividade, Mato Grosso do Sul amplia sua relevância no mapa do agronegócio brasileiro, reforçando o peso do Estado na oferta de alimentos e na movimentação econômica do campo — um setor que segue entre os principais motores da economia regional.

