Invasão de javalis ameaça nascente do Rio Mimoso em Bonito
Ministério Público Estadual abriu procedimento administrativo para apurar a implementação de medidas
A presença de javalis está colocando em risco uma das joias ambientais de Bonito: as nascentes do Rio Mimoso. O avanço da espécie invasora já provoca assoreamento, destruição de áreas de preservação permanente e ameaça direta à qualidade da água.
RESUMO
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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul iniciou procedimento administrativo para controlar a população de javalis europeus em Bonito, após constatação de danos ambientais significativos nas nascentes do Rio Mimoso. A espécie invasora tem causado assoreamento, destruição de áreas de preservação e comprometimento da qualidade da água. Relatório técnico do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul confirmou presença expressiva dos animais nas fazendas União, Ouro Fino e áreas próximas. O MPMS solicitou informações a diversos órgãos sobre planos de controle, dados populacionais e medidas de recuperação das áreas afetadas.
Diante do cenário, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) instaurou procedimento administrativo para acompanhar a implementação de medidas de controle do javali europeu (Sus scrofa) e seus cruzamentos na região de Bonito, com foco especial nas áreas de nascentes do Rio Mimoso.
A medida considera estudos científicos que apontam os severos impactos ambientais causados pelo javali europeu. Entre os danos estão a destruição de nascentes, degradação de APPs (Áreas de Preservação Permanente), predação de fauna nativa, competição com espécies autóctones (que evolui naturalmente), disseminação de doenças e alterações profundas na estrutura dos ecossistemas.
Também foi levado em consideração ofício encaminhado pela Câmara Municipal de Bonito denunciando a situação crítica das nascentes do Rio Mimoso.
Manifestação técnica elaborada pelo Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), datada de 16 de setembro de 2025, confirmou a presença significativa de javalis nas propriedades Fazenda União, Fazenda Ouro Fino e áreas adjacentes. O relatório apresenta registros fotográficos que documentam danos ambientais às nascentes e aos cursos d’água da região.
O Ministério Público solicitou ao Imasul informações detalhadas sobre o Plano de Controle e Manejo do javali europeu implementado na região, incluindo cronograma de ações, metodologias empregadas, recursos humanos e materiais disponíveis.
Também foram requisitados dados estatísticos sobre a população estimada da espécie, as áreas mais afetadas e a evolução do problema nos últimos 5 anos, além de um plano de recuperação das Áreas de Preservação Permanente degradadas.
O órgão também oficiou o Batalhão de Polícia Militar Ambiental de Mato Grosso do Sul, solicitando informações sobre operações de controle e manejo realizadas nos últimos dois anos e dados de ocorrências envolvendo danos causados por javalis em APPs e recursos hídricos.
A Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) também foi acionada para informar sobre políticas estaduais voltadas ao controle de espécies exóticas invasoras. Já a Prefeitura Municipal de Bonito deverá detalhar as ações municipais em andamento para enfrentar o problema.
Em nota, a Prefeitura de Bonito informou que por meio de uma provocação do Conselho Municipal de Meio Ambiente de Bonito, o Governo do Estado instituiu uma câmara técnica, com participação pública, de instituições e de especialistas de diversas áreas, para discutir as dificuldades, os procedimentos legais e as experiências relacionadas aos “Conflitos e à Coexistência entre Populações Humanas e Javalis”.
No momento, os trabalhos da câmara técnica estão na fase final de elaboração de uma Nota Técnica, que será entregue ao governador, apontando caminhos legais e adequados para o tratamento do tema.
"A partir da conclusão dessas análises e dos entendimentos técnicos construídos no âmbito da câmara técnica, temos como objetivo estabelecer ações piloto em nosso território, com foco inicial nas unidades de conservação, que são áreas onde o município possui competência legal para intervir e realizar ações de conservação junto aos seus proprietários e cuidadores", disse em nota.
A Prefeitura também ressalta que em muitas unidades de conservação de Bonito também ocorrem atividades turísticas, "o que agrava a situação quando consideramos os problemas que a coexistência com essa fauna pode trazer", completou.
* Matéria atualizada às 9h44 para acrescentar nota da Prefeitura de Bonito
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