Projeto que paga crédito de carbono a catadores em MS é lançado na COP15
Programa promete remunerar catadores por impacto ambiental e conecta reciclagem à agenda climática

Visita do presidente da COP15 ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul (Crea-MS), na manhã desta quarta-feira (25), em Campo Grande, serviu de palco para o lançamento de uma iniciativa inédita: projeto que promete remunerar catadores de recicláveis com crédito de carbono. A ação integra a programação paralela da conferência internacional e ocorre dentro do 1º simpósio sobre resíduos sólidos.
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O projeto Reciclarbono, uma iniciativa pioneira mundial que conecta reciclagem ao mercado de carbono, foi lançado durante a COP15 em Campo Grande. A parceria entre o Ministério Público de Mato Grosso do Sul e o Instituto Brasileiro de Pesquisa Aplicada em Resíduos e Clima visa remunerar catadores pelo serviço ambiental prestado. O presidente da COP15, João Paulo Capobianco, destacou a importância do projeto para a redução do impacto ambiental e inclusão social. Com o Brasil produzindo mais de um quilo de lixo por pessoa diariamente, a iniciativa busca diminuir a pressão sobre aterros sanitários e proteger a fauna de contaminações por resíduos inadequadamente descartados.
Batizado de Reciclarbono, o projeto é fruto de parceria entre o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) e o Ibraparc (Instituto Brasileiro de Pesquisa Aplicada em Resíduos e Clima). A proposta, segundo os organizadores, é pioneira no mundo ao conectar diretamente a reciclagem com o mercado de carbono, pagando pelo serviço ambiental prestado por catadores.
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Durante o evento, o presidente da COP15, João Paulo Capobianco, defendeu a proposta e ampliou o debate. Ele destacou que o Brasil produz mais de um quilo de lixo por pessoa por dia, o que torna a gestão de resíduos um dos principais desafios ambientais do país.
“É fundamental esse projeto por vários aspectos. Primeiro na área ambiental: quanto menos lixo você jogar na natureza, quanto menos resíduo sólido for para os aterros, melhor para a gestão de toda a questão do lixo, que é um problema muito sério”, afirmou.
Capobianco ressaltou que a reciclagem reduz custos operacionais, reaproveita materiais e diminui a pressão sobre aterros sanitários. Também destacou o impacto social do projeto. “Você gera empregos, você gera inclusão social, alimentando essa cadeia dos catadores e catadoras que prestam um serviço ambiental importantíssimo”, disse.
O presidente da COP15 também fez uma conexão direta entre o tema do simpósio e a própria conferência internacional, voltada à proteção de espécies migratórias. Segundo ele, o descarte inadequado de resíduos é uma ameaça concreta à fauna.
“As pessoas não se dão conta disso, mas tartarugas, golfinhos, baleias e aves muitas vezes morrem ou são contaminadas porque um material inadequado deixado na natureza acaba sendo ingerido”, alertou. Representando os catadores, a presidente sindical Gilda Macedo destacou o impacto do projeto para a categoria.
“Seria com nós, cooperativa da Associação de Catadores. Muito obrigada por vocês não desistirem da nossa luta. Quero também dar um salve de palmas para todos os catadores e catadoras aqui presentes”, afirmou.
“Esse projeto eu assinei em nome de todos, representando os catadores e catadoras do estado, que na sua maioria são mulheres. É com muito orgulho que eu assinei esse projeto Reciclar Carbono. Nós, que somos protagonistas dessa história, estamos lá na ponta, e esse projeto vem para dar mais dignidade e mais visibilidade para nós”, disse.
“Nós estamos fazendo a nossa parte, fazendo a descarbonização da atmosfera. Estou muito orgulhosa de estar aqui hoje e de assinar esse projeto que foi construído em parceria com o doutor Luciano Lopé, junto com os catadores”, completou.
“Precisamos sempre buscar avançar e mostrar a nossa principal atitude, que é proteger o planeta, fazendo economia circular e trazendo bem-estar para toda a sociedade”, concluiu.
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