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Saúde e Bem-Estar

Equipe 100% sul-mato-grossense começa a aplicar polilaminina em pacientes

Cirurgia em vítima de bala perdida ficou nas mãos de neurocirurgiões locais

Por Cassia Modena | 25/03/2026 10:10
Equipe 100% sul-mato-grossense começa a aplicar polilaminina em pacientes
Dhyego deitado antes de ir para o centro cirúrgico e Geisa, sua acompanhante (Foto: Arquivo pessoal)

Na manhã desta quarta-feira (25), mais um paciente de Mato Grosso do Sul passou por cirurgia para a injeção da polilaminina, um medicamento que está em fase de estudos e ainda não é aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Ele é considerado promissor para devolver movimentos a pessoas que tiveram lesão grave na medula, mas sua eficácia ainda não foi comprovada.

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A polilaminina, medicamento experimental ainda não aprovado pela Anvisa, foi aplicada pela quarta vez em Mato Grosso do Sul. O paciente Dhyego Paredes, de 35 anos, que ficou paraplégico após ser atingido por uma bala perdida em Campo Grande, recebeu o tratamento após autorização judicial. O procedimento foi realizado pelo neurocirurgião Wolnei Zeviani no Hospital Proncor. O medicamento foi fornecido gratuitamente pelo Laboratório Cristália, associado à pesquisa da UFRJ. Outros três pacientes já receberam o tratamento no estado, com o primeiro caso apresentando evolução nos movimentos das mãos após um mês da cirurgia.

O operado foi Dhyego Paredes, 35 anos, atingido por uma bala perdida no Bairro Tarumã, em Campo Grande, no dia 27 de novembro de 2025. A família conseguiu autorização judicial para o uso fora do estudo e de forma compassiva, já que não existe outra alternativa para o tratamento.

O homem estava na rua da casa da irmã quando o acidente aconteceu. O episódio é contado pela mãe, a diarista e vendedora Ramona Paredes, 58 anos, que está no hospital para acompanhá-lo até a alta.

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Ramona Paredes acompanha filho durante a cirurgia e ficará até a alta (Foto: Juliano Almeida)

Por pouco, o disparo não tirou a vida de Dhyego. "Os médicos e enfermeiras disseram para ele que a bala passou a 1 milímetro do coração", diz Ramona. O tiro entrou pelo lado direito do peito e atravessou de forma transversal o corpo, acertando a medula.

Ainda segundo a mãe, ele lembra que já não sentia as pernas minutos após ser alvejado. "É que ele ficou consciente", explica.

Dhyego trabalhava como vendedor de cestas básicas. Hoje, está paraplégico, sem movimentos e sem sensibilidade do umbigo para baixo. É cuidado por Geisa Araújo, uma amiga da família.

Aplicação por médico treinado - Neurocirurgião do Hospital Militar de Campo Grande que participou das três primeiras cirurgias com polilaminina no Estado, Wolnei Zeviani foi o responsável por essa quarta aplicação. As primeiras experiências dele foram tidas ao lado de equipe de médicos do Hospital Souza Aguiar, do Rio de Janeiro (RJ), que viaja pelo Brasil levando o medicamento cedido pelo Laboratório Cristália, associado à pesquisa da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) liderada pela professora Tatiana Sampaio, que chegou à fórmula após mais de 20 anos.

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Neurocirgião Wolnei Zeviani segura isopor onde dose de polilaminina estava (Foto: Juliano Almeida)

O médico de Mato Grosso do Sul explica que a aplicação ocorre de forma independente por ele já ter sido treinado, mas a supervisão é feita no Rio.

"Nós estamos vinculados ao grupo de pesquisa da UFRJ, inclusive, nós teremos que passar todo o protocolo para eles, como está sendo realizado o acompanhamento e tudo mais. Isso é para acontecer não só aqui, mas em todo lugar no Brasil porque a logística para a aplicação está sendo difícil", finaliza.

Participou também da cirurgia o neurocirurgião Antonio Martins de freire, que é coordenador do setor de urgência e emergência em neurologia na Santa Casa de Campo Grande.

Decisão judicial - Ramona e a ex-nora correram atrás da polilaminina após saber do primeiro caso de uso compassivo em Mato Grosso do Sul. A decisão favorável para Dhyego teve aval da Anvisa e saiu ontem (24), cerca de dois meses após o processo chegar à Justiça.

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Hospital onde a 4ª cirurgia foi realizada fica no Bairro Chácara Cachoeira (Foto: Renan Kubota/Arquivo)

A família não pagou pela dose nem pela cirurgia nem pelo leito que o paciente ocupará até a alta. O medicamento foi fornecido gratuitamente pelo Cristália. O centro cirúrgico e o leito foram cedidos pelo Hospital Proncor, onde a operação foi realizada.

4 casos - A diarista e vendedora afirma que somente precisou arcar com valores acessíveis cobrados pelo serviço de um escritório de advocacia, o mesmo que atendeu as famílias de outros três pacientes e conseguiu decisões favoráveis a eles em Mato Grosso do Sul.

O primeiro foi Luiz Otávio Santos Nunez, que também foi atingido por um tiro acidental. O segundo e terceiro são Maria José Gonçalves e Daniel Aparecido Costa dos Santos. Esses dois últimos ficaram paraplégicos após sofrerem acidente doméstico e de trabalho, respectivamente.

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Primeira aplicação da polilaminina em MS, no Hospital Militar de Campo Grande (Foto: Divulgação/CMO)

A primeira operação foi realizada em 21 de janeiro deste ano. A segunda e a terceira foram realizadas anteontem, em 23 de março.

Evolução - Maria José e Daniel já receberam alta. Eles farão sessões de fisioterapia conforme a indicação após o uso da polilaminina e poderão apresentar evoluções em breve. É o que a família e médicos envolvidos esperam.

Já Luiz Otávio, operado há mais de dois meses, relatou ter "dado o comando" para movimentar uma coxa já na primeira semana após a cirurgia. Quando ela completou um mês, a família compartilhou vídeos em que ele aparece escrevendo e comendo bolo com um garfo, o que não fazia antes. O movimento dos dedos das mãos é parcial, mas houve um avanço aparente. Laudos oficiais sobre a evolução do primeiro paciente ainda não foram divulgados.

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