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Política

Câmara aprova criação do Horto Florestal da Região Norte em Campo Grande

Projeto que tramitou em regime de urgência prevê unidade de conservação com foco em preservação ambiental

Por Jhefferson Gamarra e Mylena Fraiha | 24/03/2026 12:57
Câmara aprova criação do Horto Florestal da Região Norte em Campo Grande
Área proposta para ser o novo Horto Florestal de Campo Grande (Foto: Paulo Francis)

A Câmara Municipal de Campo Grande aprovou, nesta terça-feira (24), em votação simbólica e em regime de urgência, o projeto de lei que institui o “Horto Florestal da Região Norte”. A proposta cria uma unidade municipal de conservação de uso sustentável em uma área verde pública situada nas proximidades do Jardim Seminário, da UCDB (Universidade Católica Dom Bosco) e do Bairro Água Limpa Park.

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A Câmara Municipal de Campo Grande aprovou projeto que cria o Horto Florestal da Região Norte, uma unidade de conservação sustentável próxima ao Jardim Seminário, UCDB e Bairro Água Limpa Park. A área, que inclui uma lagoa pública e áreas de preservação permanente, será destinada à preservação ambiental e atividades educacionais. O projeto, de autoria do vereador Ronilço Guerreiro, prevê a conservação da fauna e flora nativas, programas de educação ambiental, pesquisa científica e estruturas para lazer. A gestão será compartilhada entre poder público e comunidade, através de um Conselho Gestor, com prazo de 180 dias para elaboração do Plano de Manejo.

De autoria do vereador Ronilço Guerreiro (Podemos), o projeto estabelece que o espaço será destinado à preservação ambiental, recuperação de ecossistemas degradados, desenvolvimento de atividades de educação ambiental, pesquisa científica, lazer ecológico e convivência comunitária.

A área definida para implantação do horto inclui uma lagoa pública e suas respectivas APPs (Áreas de Preservação Permanente), cuja proteção segue as diretrizes do Código Florestal. Conforme o texto, os limites exatos e as confrontações do local ainda serão definidos por decreto do Poder Executivo, mediante uma série de etapas obrigatórias, como estudo técnico multidisciplinar, levantamento topográfico, identificação das APPs, consulta pública à comunidade local e manifestação do órgão ambiental competente.

Entre os objetivos previstos na proposta estão a conservação e recuperação da fauna e da flora nativas, com incentivo ao plantio de espécies do bioma local, a proteção e recuperação da lagoa e da qualidade da água, além da oferta de um espaço estruturado para lazer e atividades físicas, incluindo pista de caminhada e academia ao ar livre.

Câmara aprova criação do Horto Florestal da Região Norte em Campo Grande
Mapa da área sugerida para ser o Horto Florestal (Imagem: Reprdoução)

O projeto também prevê a implementação de programas de educação ambiental e pesquisa científica, com possibilidade de parcerias com instituições como a UCDB, além do estímulo à participação da comunidade na gestão e manutenção do espaço, por meio de conselhos consultivos e ações voluntárias.

Outras diretrizes incluem a melhoria da qualidade do ar, do microclima e da paisagem urbana da região, o desenvolvimento de banco de sementes e mudas de espécies nativas do Cerrado, a criação de um laboratório natural para estudos em ecologia urbana e a implantação de um sistema de monitoramento ambiental da lagoa e do entorno.

O texto aprovado também estabelece regras de proteção para a área, como a proibição de parcelamento do solo para fins urbanos, a vedação de atividades que comprometam os recursos hídricos e a cobertura vegetal, além da restrição ao uso direto dos recursos naturais, permitindo apenas manejo sustentável. Intervenções nas APPs só poderão ocorrer em casos excepcionais previstos em lei e com autorização do órgão ambiental competente.

A gestão do horto ficará sob responsabilidade do órgão municipal de meio ambiente, com diretrizes que incluem a criação de um Conselho Gestor com participação do poder público, da UCDB, da comunidade local, de organizações ambientalistas, do Ministério Público Estadual e da OAB-MS. O conselho terá caráter deliberativo em questões de manejo e consultivo em temas orçamentários.

Também está prevista a elaboração de um Plano de Manejo no prazo máximo de 180 dias após a implementação, além de programas permanentes de monitoramento ambiental, educação ambiental, pesquisa científica e regulamentação de visitação e uso público.

Para viabilizar a implantação e manutenção do horto, o projeto lista diferentes fontes de recursos, como dotações orçamentárias do município, convênios e parcerias, doações, compensações ambientais, multas por infrações ambientais e recursos de fundos específicos, incluindo a criação de um Fundo Municipal do Horto Florestal da Região Norte.

Durante a tramitação, o autor do projeto defendeu a necessidade de garantir proteção legal à área. “Não adianta você dizer que preserva o meio ambiente se você não criar leis específicas de proteção ambiental. Essa é uma área sobre a qual fizemos uma audiência pública de uso e ocupação do solo da região norte, no final do ano passado, lá na UCDB”, afirmou Ronilço Guerreiro.

O vereador destacou que o espaço é público, apesar da percepção de parte da população de que se trata de uma área privada. “O que nós queremos preservar é uma área que hoje muita gente acha que é particular, mas é pública. Ali tem uma lagoa, tinha um ipê-rosa lindíssimo, tem animais, tem duas casas próximas, mas é uma área pública.”

Segundo ele, a proposta busca aliar preservação ambiental com uso controlado e benefícios à comunidade. “A nossa ideia é que ali se torne uma área de preservação ambiental, que possa atender a comunidade, com uma escola de educação ambiental, pistas de caminhada, observação de pássaros e cuidado com os animais que vivem ali.”

Ronilço também comparou a iniciativa a estruturas já existentes na cidade. “Eu acredito que esse projeto, no contexto da COP 15, seria um presente para Campo Grande: mais uma área de preservação ambiental. Algo como é o Horto hoje, na região central: cercado, organizado, com entrada e saída, com Guarda Municipal, para garantir a preservação ambiental.”

Questionado sobre o diálogo com a Prefeitura, o parlamentar afirmou que houve tratativas anteriores, mas reforçou o papel do Legislativo na apresentação da proposta. “Eu fiz audiência pública, fiz reuniões. O que eles dizem é que seria competência deles, mas nós também queremos exercer a nossa competência. Nós somos representantes do povo, então estamos trazendo aqui a demanda da população e apresentando o projeto.”

Com a aprovação na Câmara, o projeto segue agora para análise do Poder Executivo, que poderá sancionar ou vetar a proposta.