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Política

Com 588 cabos à espera, proposta amplia formação e destravar carreira na PM

Mais de 200 militares já aptos à promoção e centenas aguardam há mais de sete anos

Por José Cândido | 26/03/2026 13:52
Com 588 cabos à espera, proposta amplia formação e destravar carreira na PM
Coronel David defende mais vagas em formação para aliviar fila de ascensão na corporação.

A proposta de ampliar o número de vagas no Curso de Formação de Sargentos (CFS/31) da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul recoloca no centro do debate um problema antigo da corporação: o represamento na carreira. Apresentada nesta quinta-feira (26) pelo deputado estadual Carlos Alberto Davi dos Santos, coronel David (PL), a indicação pede ao governo estadual a abertura de mais 217 vagas no curso em andamento, elevando o total de 230 para 447.

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A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul enfrenta um desafio histórico com o represamento na carreira de seus militares. Uma proposta apresentada pelo deputado estadual Coronel David (PL) busca ampliar de 230 para 447 o número de vagas no atual Curso de Formação de Sargentos, visando destravar promoções estagnadas.Atualmente, 217 terceiros-sargentos aguardam promoção para segundo-sargento, enquanto 588 cabos esperam progressão há mais de sete anos. A proposta sugere a adoção de um modelo híbrido de ensino para reduzir custos e, alternativamente, propõe a abertura de um novo curso em 2026 caso a ampliação imediata não seja viável.

O pedido foi encaminhado ao governador Eduardo Riedel, ao secretário de Justiça e Segurança Pública, Antonio Carlos Videira, e ao comandante-geral da PM, Renato dos Anjos Garnes. A base da solicitação é uma demanda formal da ASPRA/MS.

Segundo dados do próprio comando da corporação, pelo menos 217 terceiros-sargentos já estão aptos à promoção para segundo-sargento, enquanto cerca de 588 cabos aguardam progressão há mais de sete anos. O cenário, descrito como de “estagnação funcional”, afeta diretamente a base da Polícia Militar e trava o fluxo natural da carreira.

A ampliação das vagas no curso, conforme defende o parlamentar, teria efeito imediato na reorganização do efetivo. Isso porque a promoção dos atuais terceiros-sargentos abriria novas posições nas graduações inferiores, criando um efeito em cadeia que permitiria destravar promoções represadas e dar mais fluidez à estrutura hierárquica.

Outro argumento apresentado é o de viabilidade. Com a adoção de modelos híbridos de formação — combinando ensino presencial e a distância —, o custo por aluno tende a cair, o que, na avaliação do deputado, abre margem para ampliar o número de vagas ainda dentro do edital vigente, sem impacto significativo no orçamento.

A proposta também dialoga com a política estadual de fortalecimento da segurança pública, ao associar valorização profissional e eficiência administrativa. Na prática, a medida busca alinhar dois pontos sensíveis: a motivação da tropa e a capacidade operacional da corporação.

Caso a ampliação não seja possível no processo atual, o deputado sugere uma alternativa: a abertura de um novo curso de formação (CFS/32) ainda em 2026. A ideia é evitar a interrupção do ciclo de promoções e garantir previsibilidade para os militares que aguardam ascensão.

Ao colocar a pauta em discussão, a indicação expõe um desafio recorrente na gestão da segurança pública: equilibrar orçamento, estrutura e valorização profissional sem comprometer o funcionamento da máquina — e, ao mesmo tempo, responder à pressão interna de uma tropa que espera, há anos, avançar na carreira.