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Economia

Credores do Master começam a receber; prejuízo de fundos ficará com prefeituras

No final de semana começou a funcionar o sistema para ressarcimentos; cerca de 800 mil têm créditos

Por Maristela Brunetto | 19/01/2026 11:31
Credores do Master começam a receber; prejuízo de fundos ficará com prefeituras
IMPCG é um dos institutos de previdência de MS que apostou no Master para aplicar recursos (Foto: Arquivo)

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) começa a liberar, a partir de hoje, valores para aproximadamente 150 mil credores do banco Master que tinham dinheiro investido em CDBs (Certificados de Crédito Bancário) na instituição que teve a liquidação extrajudicial (procedimento de encerramento de atividades) decretada pelo Banco Central. No sábado, o FGC ativou um aplicativo para receber pedidos e, até ontem, o sistema registrou 369 mil solicitações de ressarcimento de garantias dos credores.

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O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) inicia hoje o pagamento a cerca de 150 mil credores do banco Master, que teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central. O ressarcimento contempla investimentos em CDBs de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, beneficiando principalmente pessoas físicas. Cinco municípios de Mato Grosso do Sul foram prejudicados pela liquidação do banco, totalizando perdas de R$ 16,09 milhões em fundos previdenciários. O Tribunal de Contas do Estado abriu auditoria especial para investigar as decisões que levaram aos investimentos, enquanto as prefeituras deverão arcar com os prejuízos.

A condição dos credores comuns é mais confortável diante da existência do FGC, que assegura até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira, em caso de quebra do banco. Mas somente pessoas físicas podem requerer o ressarcimento pelo aplicativo. No caso de pessoas jurídicas, o caminho é site do FGC, no chamado Portal do Investidor.

A liquidação do banco, por má gestão, acabou prejudicando institutos de previdência que apostaram em lucros acima da média, que não têm previsão de receber o valor investido. No estado, a situação aconteceu em cinco cidades: Fátima do Sul, São Gabriel do Oeste, Jateí, Angélica e Campo Grande, somando R$ 16,09 milhões.

A União já se manifestou, apontando que a legislação indica que a falta de créditos para pagamento de aposentadorias e pensões deve ser complementada pelo poder público, no caso os cofres municipais. Fátima do Sul fez a maior aplicação no Master (R$ 7 milhões); Angélica, São Gabriel do Oeste e Jateí aplicaram, respectivamente, R$ 2,2 milhões, R$ 3 milhões e R$ 2,5 milhões. O IMPCG (Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande) colocou R$ 1,2 milhão no banco do empresário Daniel Vorcaro, que chegou a ser preso.

Além de assumir o prejuízo, os institutos municipais terão que explicar ao TCE/MS (Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul) por que escolheram o Master para investir dinheiro dos servidores reservado à aposentadoria. A Corte Fiscal divulgou na semana passada que abriu uma auditoria especial após manifestação do MPC/MS (Ministério Público de Contas de Mato Grosso do Sul), que destacou a gravidade dos fatos, a relevância dos recursos públicos envolvidos e o risco concreto de prejuízo ao patrimônio previdenciário dos servidores municipais.

O TCE deve avaliar como foi a cadeia de decisões que levou aos investimentos, apurar possíveis indícios de gestão temerária, imprudente ou negligente, assim como a verificação de eventuais conflitos de interesse.

Segundo divulgou o jornal O Globo, o FGC inicialmente estimou que cerca de 1,6 milhão de investidores do Master teriam direito a ressarcimento pelo FGC, número depois revisado e reduzido para cerca de 800 mil. O valor total das garantias soma R$ 40,6 bilhões, e o FGC informou dispor de liquidez de R$ 125 bilhões, com base em dados de novembro de 2025.

O pagamento é feito por transferência para uma conta bancária em nome do próprio credor.