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Fake news alimentares: como a desinformação afeta o que você come

Por Giovana Bucci (*) | 21/01/2026 08:30

Consumir alimentos sem glúten e sem lactose mesmo sem ter intolerância a esses itens. Comprar “água com gás que emagrece” ou comer banana para prevenir cãibras. Esses hábitos que circulam nas redes sociais como saudáveis são, na verdade, influenciados por fake news alimentares. É o que diz a pesquisa de Pedro Antônio Palhano Arantes Silva, do curso de Engenharia de Alimentos da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), no Campus Patos de Minas.

Com orientação dos professores Neiton Carlos da Silva e Marieli de Lima, o estudo, defendido no final de 2025, confrontou casos emblemáticos de desinformação a respeito de alimentos com evidências científicas da área. “Há quem corte glúten da dieta sem necessidade. Não há nenhuma comprovação científica de que o glúten cause inflamação em pessoas saudáveis, só em quem tem doença celíaca e intolerância. A mesma coisa com pessoas que cortam leite, mesmo sem ter intolerância à lactose”, esclarece Pedro.

Para o pesquisador, o fenômeno da desinformação já está disseminado na área de alimentos, desde casos bem conhecidos da população. “Não há evidência científica de que banana cure ou previne câimbras. Essa informação a gente nunca vai conseguir desmistificar. A gente chega na partida de tênis e todo mundo tem ali duas bananas”, exemplifica.

Mesmo que as fake news tenham ganhado destaque com a vinda da internet e das redes sociais, a desinformação já atinge a sociedade há séculos. É famosa a fake news de que “leite com manga faz mal”, criada durante o período do Brasil Colônia, que se disseminou e afeta o comportamento de consumidores até os hoje.

Além de desmistificar casos de desinformação na área, a pesquisa do engenheiro de alimentos resgatou a evolução das fake news, evidenciando a existência de fake news antes da era digital e mostrando como o fenômeno se amplificou com o crescimento dos meios de comunicação.

Tipos de fake news de alimentos

A pesquisa examinou diversas fake news relacionadas à área de alimentos, que podem ter ou não intenção maliciosa. Informações falsas não maliciosas não são intencionadas, mas são transmitidas rapidamente. A crença popular de que a banana pode prevenir cãibras musculares é um exemplo clássico. O pesquisador esclarece que ela promove alterações lentas e leves nos níveis de potássio, mas que não são suficientes para impedir a cãibra.

Já as informações maliciosas são intencionadas e enganosas, normalmente associadas à manipulação e ao marketing, tal como a teoria de que água com gás ajuda na perda de peso, quando, na verdade, apesar do gás carbônico presente na água aumentar o consumo de glicose, a proporção é imperceptível, ou seja, não ajuda no emagrecimento.

Os pesquisadores reforçam o papel da educação científica como ferramenta essencial para combater as fake news e fortalecer a confiança no sistema alimentar. “A vulnerabilidade da população diante da desinformação se deve, em parte, à falta de compreensão sobre a ciência de alimentos e aos efeitos de amplificação das redes sociais”, avalia o orientador.

Para o professor Neiton Carlos da Silva, essa pesquisa é um primeiro passo para estudos futuros, já que o tema está em pauta e se tornou um problema social. “A gente pretende desenvolver outros projetos, outros TCCs, e até mesmo dissertações de mestrado [...] visando também não só identificar, mas, também, como mitigar”, comentou o professor.

Na área de alimentação, a situação pode se agravar caso não haja a divulgação correta das informações, por isso é necessário o uso de métodos de detecção de fake news, como por exemplo analisar a credibilidade e a intenção da fonte. O trabalho “Evolução das fake news: categorização e ocorrência na área de alimentos”, com a análise de diversos casos que circulam nas redes sociais, pode ser acessado na íntegra no Repositório da UFU.

(*) Giovana Bucci, estudante na Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.