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Os quatro sofrimentos da vida, dos quais ninguém escapa

Por Mauro Condé (*) | 02/02/2026 08:30

“O Budismo nos ensina que dos quatro sofrimentos da vida ninguém escapa : nascimento... velhice... doença e... morte”.

Em uma manhã comum uma senhora de 93 anos aproveitou o cochilo do porteiro e escalou o muro lateral do asilo para fugir espetacularmente. Calçou seus sapatos errados de propósito, um marrom, outro azul. Não levou nada além de um batom antigo e uma fotografia sem legenda.

Fugir na idade dela não era desobediência, era correção histórica.
Pulou o muro, comprou um doce que fazia mal, sentou num banco público e conversou com estranhos como se fossem velhos amigos.

Acabo de voltar de uma viagem rumo ao conhecimento usando como meio de transporte excelentes filmes disponíveis na Netflix.

Eles me levaram para a região amazônica próxima a Manaus, onde fui recebido por Dona Tereza, a quem fui logo pedindo:
Ensina-me algo que eu ainda não saiba e tenha o poder de mudar a minha vida para melhor.

- Envelhecer, como ela exemplificou na história acima, não adoece. O que quase mata é desistir de viver muito antes do fim.

Tereza (Denise Weinberg) é a protagonista do filme “O Último Azul” que descobre que a sociedade decidiu em seu lugar que sua vida já tinha sido suficientemente vivida.

Para maximizar a produtividade econômica o governo ordena que os idosos se mudem para colônias habitacionais remotas. Mas Tereza se rebela e embarca em uma jornada pela selva amazônica em busca de realizar o voo mais alto de toda a sua vida.

Esse não é um filme sobre velhice.
É um filme sobre o incômodo que o desejo causa quando se recusa a morrer.
Ela foge porque entende algo essencial: quando a pessoa é reduzida a um objeto de proteção o sofrimento deixa de ser circunstancial e vira estrutural.

O azul que atravessa o filme não simboliza esperança fácil. Simboliza aquilo que ainda falta.
E desejar o que ainda falta é o que nos mantém humanos.
Tereza não quer juventude... nem passado.
Quer apenas ser a dona do seu próprio destino e do seu próprio tempo...antes que alguém o faça.

A verdadeira tragédia não é envelhecer.
É aceitar antes da morte que já não se tem mais direito ao próprio desejo.
E enquanto houver desejo de viver não há alta possível.
E talvez viver seja exatamente isso: não receber alta nunca.

 Filmaço! Que se eu fosse você não perderia.

(*) Mauro Condé é palestrante, consultor e fundador do Blog Maluco. 

 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.