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Cidades

Acusado de golpe com ex-deputado, empresário relata ameaças de produtor rural

Pedro Henrique Cardoso divulgou vídeo nas redes sociais afirmando desacordo comercial com a vítima

Por Ana Paula Chuva | 05/03/2026 08:37


RESUMO

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A disputa comercial entre o empresário Pedro Henrique Cardoso e um produtor rural ganhou novos contornos após denúncias de ameaças de morte. O caso, investigado pela Polícia Civil na Operação Agro-fantasma, envolve um suposto golpe de R$ 58 milhões. Segundo Cardoso, a parceria iniciada em 2025 movimentou R$ 35 milhões em negociações. O conflito escalou após questionamentos sobre qualidade de produtos e cobranças consideradas abusivas. Apesar de ofertas de garantias patrimoniais superiores a R$ 150 milhões, as tentativas de acordo foram frustradas, levando à concessão de medida protetiva judicial.

O empresário Pedro Henrique Cardoso divulgou nas redes sociais um vídeo em que relata ter recebido ameaças de morte durante uma disputa comercial relacionada a negociações investigadas pela Polícia Civil na Operação Agro-fantasma que apura um suposto golpe de R$ 58 milhões contra um produtor rural de 56 anos.

Na gravação, Pedro Henrique afirma que a parceria comercial entre o grupo Imaculada e o produtor rural de 56 anos começou em abril de 2025. Segundo ele, um erro de precificação no início da relação teria gerado prejuízo financeiro para sua empresa, mas, mesmo assim, os compromissos comerciais foram mantidos.

“Quem age de má-fé não paga milhões. Quem quer dar golpe não oferece nenhum tipo de garantia”, afirma no vídeo.

De acordo com o empresário, ao longo do relacionamento comercial foram realizadas compras, entregas e pagamentos que somariam mais de R$ 35 milhões.

Ele afirma que as divergências começaram após questionamentos sobre a qualidade de produtos entregues e negociações envolvendo descontos. Também teriam surgido multas relacionadas à troca de notas fiscais que, segundo ele, teriam sido geradas de forma irregular pela empresa do produtor rural..

Conforme o relato, com o avanço do impasse começaram cobranças consideradas abusivas, incluindo juros elevados, “juros sobre juros e atualizações da dívida que, aumentaram o valor do débito além do que havia sido originalmente contratado”, diz o empresário.

Pedro Henrique também afirma que passaram a ser incluídas cobranças por supostos lucros cessantes que, segundo ele, nunca teriam sido previstos no contrato firmado entre as empresas.

Mesmo diante do conflito, o empresário diz que tentou negociar a dívida e apresentou garantias patrimoniais que, segundo seu relato, ultrapassariam em até 20 vezes o valor do débito apresentado. Entre as propostas estariam a devolução de uma aeronave e a oferta de patrimônio avaliado em mais de R$ 150 milhões.

Segundo ele, as propostas teriam sido recusadas sob a justificativa de que o credor desejava apenas pagamento em dinheiro.


Ameaças - No vídeo, Pedro Henrique afirma que o ponto mais grave da disputa ocorreu após o recebimento de um áudio em que o produtor rural fazia ameaças contra sua família, incluindo menção à filha dele, de quatro anos. (Ouça acima).

Mesmo após o episódio, ele afirma que ainda tentou retomar as negociações em um grupo criado para discutir um possível acordo entre as partes. Durante uma ligação telefônica, segundo o empresário, novas ameaças teriam sido feitas após uma queda na conexão. Ele afirma que possui gravações das conversas e que os áudios foram apresentados à Justiça.

Após os episódios, Pedro Henrique diz que decidiu encerrar qualquer tentativa de negociação direta e acionou o departamento jurídico da empresa. Segundo ele, a Justiça concedeu uma medida protetiva em razão da gravidade das ameaças.

No vídeo divulgado nas redes sociais, o empresário afirma que reconhece a existência de um débito comercial e que cumprirá eventuais decisões judiciais, mas sustenta que ameaças contra familiares ultrapassam os limites de uma disputa empresarial.

A reportagem procurou a defesa do produtor rural e aguarda o retorno.

Ex-deputado - A defesa de Sérgio Pereira Assis divulgou nota oficial negando qualquer participação do ex-parlamentar nas operações investigadas. Segundo os advogados, o ex-deputado estadual não integra o quadro societário da empresa Imaculada Agronegócios Ltda nem de qualquer outra empresa mencionada na investigação, cujos sócios seriam seu filho, Mário Sérgio, e o empresário Pedro Henrique Cardoso.

A defesa afirma ainda que o ex-deputado não exerce funções de gestão ou administração na empresa e nunca recebeu procuração ou qualquer instrumento que lhe concedesse poderes para representar ou negociar em nome da companhia.

Ainda conforme a nota, a tentativa de vincular o nome de Sérgio Pereira Assis ao caso apenas por laços familiares seria arbitrária e desconsidera a autonomia jurídica das empresas.

Os advogados informaram também que o ex-deputado está em sua residência, em liberdade, e à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

Acusado de golpe com ex-deputado, empresário relata ameaças de produtor rural
Relógios apreendidos durante a operação (Foto: Divulgação | PCMT)

Operação - Segundo a investigação, a empresa se apresentava ao mercado com aparência de solidez, oferecendo supostas parcerias comerciais a produtores rurais. Os empresários convenciam as vítimas a utilizar o nome de suas propriedades para realizar compras milionárias de grãos a prazo. Em seguida, os produtos eram revendidos à vista para indústrias. Inicialmente, o grupo pagava os débitos normalmente para ganhar confiança.

Depois de algum tempo, parava de quitar as dívidas, deixando os produtores responsáveis pelos valores. Em apenas um dos casos investigados, a fraude gerou inadimplência superior a R$ 58 milhões para a vítima.

Durante a investigação, a polícia também identificou indícios de fraude fiscal e recebimento de créditos indevidos. Entre os bens alvo de sequestro está uma aeronave avaliada em mais de R$ 5,8 milhões, além de veículos de alto padrão. De acordo com a Polícia Civil, o grupo mantinha vida de luxo, com casa em condomínio de alto padrão e veículos importados como Porsche e Dodge Ram.

Ao todo foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão em Campo Grande e nas cidades mato-grossenses Cuiabá e Alto Taquari, além de bloqueio de contas bancárias e indisponibilidade de bens móveis e imóveis dos investigados.

Acusado de golpe com ex-deputado, empresário relata ameaças de produtor rural
Avião apreendido durante a ação avaliado em R$ 5,8 milhões (Foto: Divulgação | PCMT)


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