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Cidades

Coca-Cola é investigada por usar indígenas de MS para melhorar imagem ambiental

O Ministério Público quer saber se a empresa fez artimanha para conseguir certificação internacional

Por Inara Silva | 28/01/2026 15:19
Coca-Cola é investigada por usar indígenas de MS para melhorar imagem ambiental
Fachada da empesa Coca-Cola em Campo Grande (Foto: Arquivo)

O MPF (Ministério Público Federal) em Mato Grosso do Sul abriu um procedimento para acompanhar a certificação internacional da fábrica da Coca-Cola FEMSA Brasil, em Campo Grande, após denúncia de uso da imagem de indígenas das etnias Kinikinau e Terena, como forma de mostrar diversidade e aumentar a nota da marca para certificação internacional.

RESUMO

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O Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul iniciou investigação sobre possível uso indevido da imagem e identidade cultural dos povos Kinikinau e Terena pela Coca-Cola FEMSA Brasil, em Campo Grande. A apuração está relacionada ao processo de certificação internacional AWS da empresa. A investigação começou após denúncia indicando que indígenas foram envolvidos em reuniões para obtenção do selo AWS. A empresa afirma que os encontros fazem parte do diálogo com comunidades locais sobre gestão de recursos hídricos. O MPF solicitou documentação completa do processo de certificação e deu prazo de dez dias para esclarecimentos.

A suspeita é de que a empresa se aproveitou da identidade cultural e participação de indígenas como parte do processo para obter o certificado AWS, voltado à gestão do uso da água.

A apuração foi formalizada por meio de portaria assinada pelo procurador da República Luiz Eduardo Camargo Outeiro Hernandes, em janeiro deste ano. O caso começou a partir de uma denúncia registrada no próprio Ministério Público.

De acordo com a denúncia, indígenas das comunidades Kinikinau e Terena teriam participado de reuniões ligadas ao processo de certificação da unidade de Campo Grande. Isso levantou dúvidas sobre se houve uso indevido da imagem ou da identidade cultural desses povos.

A certificação AWS é um selo internacional voluntário que exige, entre outros pontos, diálogo com comunidades que vivem no entorno das empresas certificadas.

Antes de abrir o procedimento, o MPF pediu informações à Coca-Cola FEMSA Brasil e à Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) em Campo Grande.

O órgão quis saber por que os indígenas foram convidados, como funcionou a reunião citada na denúncia e se houve autorização para uso de imagens ou referências culturais.

Em resposta, a Coca-Cola FEMSA Brasil afirmou que segue um padrão internacional de certificação que prevê diálogo com diferentes grupos da sociedade, incluindo comunidades próximas às fábricas.

A empresa informou que, em agosto de 2025, dois líderes indígenas Kinikinau e Terena participaram de uma reunião com esse objetivo. Segundo a companhia, o encontro serviu para apresentar suas atividades, impactos ambientais, plano de uso da água e os critérios da certificação.

Mesmo após as explicações, o MPF decidiu manter o procedimento aberto para acompanhar o processo de certificação de forma mais detalhada.

A empresa terá dez dias úteis para informar em que fase está a certificação AWS e deverá apresentar documentos sobre eventuais outros contatos com comunidades indígenas.

Também foi solicitado o relatório completo da auditoria presencial realizada na fábrica em 2025 e toda a documentação usada para tentar obter o selo internacional.

O procedimento terá duração inicial de um ano e tem como foco verificar se houve ou não uso indevido da imagem e da identidade cultural dos povos Kinikinau e Terena.

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Mato Grosso do Sul tem cerca de 116 mil indígenas. A etnia Terena é a mais numerosa no Estado, com aproximadamente 42 mil pessoas. Em menor escala, os Kinikinau somam cerca de 600 habitantes que vivem em áreas cedidas por comunidades terena e kadiwéu, nos municípios de Porto Murtinho, Miranda e Nioaque.