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Cidades

Criança fica paraplégica e outras têm lesões graves após uso errado de cinto

Neurocirurgião que opera vítimas de acidentes relata casos que poderiam ser evitados com respeito às regras

Por Cassia Modena | 19/01/2026 10:22
Criança fica paraplégica e outras têm lesões graves após uso errado de cinto
Criança afivela cinto de segurança de três pontos, que prende cintura e tronco (Foto: Banco de imagens gratuitas/Freepik)

Em janeiro de 2025 e no mesmo mês de 2026, o neurocirurgião de Campo Grande, Diego Ramos, operou três crianças que não estavam usando o cinto de segurança do jeito certo e tiveram lesões graves na coluna e na medula causadas pelo impacto da batida de veículos.

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O uso incorreto do cinto de segurança por crianças, que costumam remover a parte que prende o tronco ao banco, pode resultar em graves consequências, incluindo paraplegia e tetraplegia. Em Campo Grande, o neurocirurgião Diego Ramos operou três crianças com lesões na coluna e medula devido a essa prática. O Detran/MS estabelece regras específicas para o transporte de crianças, como o uso de bebê conforto até 1 ano, cadeirinha até 4 anos e assento de elevação até 7 anos. A diretora de educação para o trânsito, Andrea Moringo, ressalta que transportar crianças sem os dispositivos adequados é infração gravíssima.

"Não é típico de criança? Você manda ela colocar o cinto, daqui a pouco o cinto está aonde? Ela deixa uma ponta presa embaixo e coloca a outra ponta atrás das costas. Vira um cinto de duas pontas e não de três. Foi o caso desses pacientes", comenta.

A paciente operada no ano passado tinha seis anos na época do acidente. Ela ficou paraplégica.

Criança fica paraplégica e outras têm lesões graves após uso errado de cinto
Arte: Lennon Almeida

Já as crianças operadas este ano são dois irmãos. Na menina de seis anos, a coluna ficou dividida em duas partes, "rachando" numa região menos crítica e reparável. Mas o menino, mais novo, teve uma fratura na cervical considerada gravíssima.

Enquanto ela pôde ter ossos reconstruídos com a cirurgia e se recupera, o menino sofre perda de força nos braços. Ele poderá perder os movimentos nesses membros gradualmente porque teve uma lesão na medula, estrutura que estava protegida pelos ossos fraturados.

"Foi uma contusão medular que o irmão teve. A irmã fraturou a lombar, chegou a ter perda de movimentos temporária porque ela estirou a medula e foi uma lesão grave, mas após a operação voltou 100% da força. Já o caso dele é mais grave", detalha o médico.

Criança fica paraplégica e outras têm lesões graves após uso errado de cinto
Neurocirurgião Diego Ramos fala sobre lesões na coluna e medula provocadas por acidente de trânsito (Foto: Marcos Maluf)

Movimento brusco - Incomodadas com a sensação de aperto e de estarem presas, as crianças podem burlar o uso correto do cinto de segurança jogando para trás a parte que prende transversalmente o tronco ao banco, ficando apenas com a parte que envolve a cintura.

Esse comportamento comum é mais perigoso do que se imagina, ainda mais nesta época de férias e viagens em rodovias. Ele reduz as chances de sobrevivência em acidentes de trânsito e pode trazer consequências sérias como paraplegia e tetraplegia, alerta o médico.

Preso só pela cintura, o passageiro não é ejetado do veículo, mas a coluna e a medula podem não sair ilesas. O especialista descreve o movimento durante o impacto: "ele vai para frente e o cinto segura embaixo, mas 'rasga' a coluna vertebral no meio, causando o que a gente chama de fratura tipo extração".

Regras e educação - A diretora de educação para o trânsito do Detran/MS (Departamento de Trânsito de Mato Grosso do Sul), Andrea Moringo da Silva, afirma que os pais ou outros adultos que estiverem no veículo são diretamente responsáveis pela segurança das crianças e devem ficar vigilantes, por mais difícil que seja prestar atenção o tempo todo no que os passageiros estão fazendo.

Ela reforça as regras para transportar crianças, de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro:

  • Do primeiro dia de vida até 1 ano - Transportar no bebê conforto no banco de trás, com o acessório virado de costas para o banco do motorista. Instalar um espelho ajuda a monitorar a criança, mas não é obrigatório;
  • De 1 aos 4 anos - Cadeirinha que pode ficar virada para frente em relação ao banco do motorista;
  • Dos 4 aos 7 anos de idade - Assento de elevação é obrigatório para a criança usar o cinto de segurança de três pontas na posição adequada;
  • Dos 7 anos em diante - Pode ser transportada no banco de trás sem uso de nenhum acessório, mas sempre com o cinto de segurança;
  • A partir dos 10 anos - Pode ser transportada no banco da frente nos carros e também já pode ser passageira na garupa de motocicletas, desde que com capacete.

A diretora acrescenta que todos os acessórios precisam ter o selo do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), que ateste a sua segurança, e que transportar bebês e crianças no colo é infração gravíssima, com multa de R$ 293,47, sete pontos na CNH (Carteira Nacional de Habilitação) e retenção do veículo.

Andrea sensibiliza os adultos quanto aos possíveis acidentes. "Imagine o corpo frágil do seu bebê se movendo durante uma freada brusca, que produz um efeito 'chicote'. Com o bebê conforto, a vida dele poderá ser preservada", diz.

Criança fica paraplégica e outras têm lesões graves após uso errado de cinto
Crianças de escola pública participam de atividade de educação no transito (Foto: Divulgação/Detran)

O Detran/MS tem um programa de educação no trânsito com atividades para crianças que conscientizam sobre o uso da cadeirinha, assento e cinto de segurança. A diretora orienta os pais a reforçarem esse trabalho também em casa, com muita conversa e ajuda de leituras e vídeos lúdicos. A série Detranzinho Play, disponível no canal do YouTube do Detran/MS, é uma opção gratuita para educar que está disponível aqui.