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Cidades

Grupo de MS fica preso em bloqueio na Bolívia durante protestos contra governo

Turistas estão parados na estrada a caminho de La Paz; ato segue sem previsão de término

Por Clara Farias | 08/01/2026 18:49

A douradense Janaína Mello, de 30 anos, que fazia um mochilão pela América do Sul, está presa há mais de 24 horas em uma rodovia que dá acesso a La Paz, capital da Bolívia. Ela viajava acompanhada de outra pessoa de Dourados e seis de Campo Grande, todas de Mato Grosso do Sul, e retornava de Cusco, no Peru, quando teve a viagem interrompida por bloqueios realizados por manifestantes bolivianos.

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Um grupo de brasileiros de Mato Grosso do Sul está retido há mais de 24 horas em uma rodovia próxima a La Paz, na Bolívia, devido a protestos contra o governo. Os manifestantes bloqueiam vias em protesto ao decreto presidencial que extinguiu o subsídio dos combustíveis, causando aumentos de até 160% nos preços. A douradense Janaína Mello, que integra o grupo de oito viajantes, relata que, apesar dos transtornos, a população local tem sido solidária. Os protestos, que começaram em dezembro, já somam 36 pontos de bloqueio nas rodovias bolivianas, sendo La Paz a região mais afetada, com 17 bloqueios registrados.

Ao Campo Grande News, Janaína relatou que saiu de Cusco no dia 6 e, na quarta-feira (7), já foi impedida de seguir viagem. Os manifestantes exigem a anulação de um decreto presidencial que retirou o subsídio dos combustíveis no país.

“Está tudo parado aqui. Veio um caminhão do Exército, mas não conseguiram resolver nada ontem à noite. Hoje já aconteceram três reuniões, mas nenhuma teve resultado. Eles se reúnem, fazem reuniões, mas nada se agiliza,” detalhou Janaína.

Vídeo feito por Janaína, mostra o momento em que os manifestantes se reuniam em assembleia. Em seguida, os camponeses passaram pelos brasileiros que estão presos na rodovia cumprimentando.

Ela contou que tentou entrar em contato com o consulado da Embaixada do Brasil em La Paz, mas recebeu a informação de que não há como intervir na situação. “Eles estão contra esse governo que cortou o subsídio dos combustíveis, algo que existia há cerca de 20 anos. O povo está muito revoltado”, explicou a douradense.

Grupo de MS fica preso em bloqueio na Bolívia durante protestos contra governo
Barricada realizada pelos camponeses (Foto: Direto das Ruas)

Apesar dos transtornos, Janaína destacou a solidariedade da população local com os viajantes retidos no engarrafamento. “Eles ofereceram chá e ajudam como podem. Estamos em uma região que tem uma vendinha ao lado; conseguimos comprar lenços umedecidos para tomar banho e alguns salgadinhos para o almoço”, contou.

Segundo ela, o mochilão tinha como destino final Cusco. Após visitar a cidade peruana, o grupo retornava pelo mesmo trajeto. “Fizemos boa parte da viagem de ônibus. Vans só são usadas dentro das cidades, como La Paz ou Cusco”, explicou. Janaína ainda detalha que viu turistas bolivianos e estrangeiros atravessando as barreiras a pé, carregando malas e mochilas.

Grupo de MS fica preso em bloqueio na Bolívia durante protestos contra governo
Fila de ônibus na estrada que dá acesso à La Paz (Foto: Direto das Ruas)

Desde 22 de dezembro, bolivianos realizam protestos contra o decreto assinado pelo presidente Rodrigo Paz, que extinguiu o subsídio aos combustíveis. A medida provocou aumento de 86% no preço da gasolina e de 160% no diesel. No dia 3, teve início uma marcha que saiu de Calamarca em direção a La Paz, passando por trechos próximos de onde Janaína está parada.

Além do reajuste nos combustíveis, o decreto também proíbe novas contratações no serviço público e estabelece a livre negociação entre patrões e trabalhadores, em moldes semelhantes à reforma trabalhista aprovada no Brasil em 2017.

O bloqueio começou na terça-feira (6). De acordo com o portal boliviano Unitel, há 36 pontos de bloqueio nas rodovias do país na tarde desta quinta-feira. O departamento de La Paz é o mais afetado, com 17 bloqueios registrados.

Na última reunião feita na tarde de hoje, os camponeses recusaram a proposta do governo boliviano de congelar os preços. Segundo o que foi relatado a Janaína, os manifestantes irão acatar o que for decidido na reunião de amanhã entre a COB (Central Operariana Boliviana) e o presidente.

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