Mochileira de MS relata uso de rotas clandestinas para sair da Bolívia
Grupo retornava de Cusco, no Peru, quando a viagem foi interrompida por manifestações

A douradense Janaína Mello, de 30 anos, já está em casa após viver momentos de tensão durante um mochilão pela América do Sul. Ela e outros sete amigos, todos de Mato Grosso do Sul, chegaram a Campo Grande ontem (12), depois de ficarem retidos por mais de 24 horas, no fim de semana, em uma rodovia de acesso a La Paz, capital da Bolívia, em razão de bloqueios provocados por protestos no país.
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Janaína viajava acompanhada de outra pessoa de Dourados e seis amigos de Campo Grande. O grupo retornava de Cusco, no Peru, quando a viagem foi interrompida por manifestações que se espalharam por rodovias e cidades bolivianas.
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Segundo a mochileira, a saída do país exigiu mudanças de rota e decisões improvisadas. “Depois que saímos de Tiahuanaco, pegamos uma van clandestina e fizemos caminhos alternativos, desviando da rota principal até La Paz por causa dos bloqueios”, contou. O trajeto, que normalmente levaria cerca de duas horas, acabou durando aproximadamente seis horas.
Durante o percurso, o grupo passou por situações de insegurança. “Vimos gangues no meio do caminho, pessoas armadas com pedaços de madeira. Não era só a gente, havia vários carros e vans fazendo o mesmo trajeto clandestino”, relatou.
Ao chegar à região de El Alto, na entrada de La Paz, os manifestantes queimavam pneus e gritavam nas ruas. O grupo conseguiu se hospedar em um Airbnb e permaneceu dois dias na cidade, aguardando a liberação de voos. “Estava muito difícil conseguir passagem, não havia ônibus circulando. Conseguimos um voo de La Paz para Santa Cruz”, disse.
De Santa Cruz, o deslocamento até Puerto Quijarro, na fronteira com Mato Grosso do Sul, ocorreu sem novos bloqueios, já que as manifestações se concentravam no norte do país. O restante do trajeto até o Brasil foi feito de ônibus. “Deu tudo certo. Valeu a pena conhecer, é um lugar incrível, mas infelizmente enfrentamos essa situação”, afirmou Janaína.
Outras famílias também deixam La Paz - Outra família de Mato Grosso do Sul também conseguiu deixar La Paz após ficar retida na cidade. O grupo seguia para Machu Picchu, no Peru, mas acabou impedido de continuar a viagem. “Saímos de madrugada. Pegamos bloqueio, mas o motorista fez um desvio por estrada de chão”, contou o dentista Wésner Vargas, de 38 anos.
Na manhã desta terça-feira (13), ele viajava com a mãe, o irmão e a cunhada e já estava próximo da fronteira com a Argentina. “Agora sim, estamos aliviados”, disse. Inicialmente, a família pretendia seguir de avião até Santa Cruz de la Sierra e depois retornar por terra até Corumbá, mas, diante do agravamento da tensão nas ruas, decidiu deixar La Paz de ônibus. A viagem de volta ainda inclui passagem pela Argentina e pelo Paraguai até o retorno a Mato Grosso do Sul.
Protestos e crise no país - Desde 22 de dezembro, a Bolívia enfrenta uma onda de protestos contra um decreto assinado pelo presidente Rodrigo Paz, que extinguiu o subsídio aos combustíveis. A medida provocou aumento de 86% no preço da gasolina e de 160% no diesel. Além disso, o decreto prevê o fim de novas contratações no serviço público e estabelece a livre negociação entre patrões e trabalhadores, em moldes semelhantes à reforma trabalhista brasileira de 2017.
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