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Cidades

Mochileira de MS relata uso de rotas clandestinas para sair da Bolívia

Grupo retornava de Cusco, no Peru, quando a viagem foi interrompida por manifestações

Por Viviane Oliveira | 13/01/2026 11:56
Mochileira de MS relata uso de rotas clandestinas para sair da Bolívia
Imagem mostra manifestações que se espalharam por rodovias e cidades bolivianas (Foto: Janaína Mello)

A douradense Janaína Mello, de 30 anos, já está em casa após viver momentos de tensão durante um mochilão pela América do Sul. Ela e outros sete amigos, todos de Mato Grosso do Sul, chegaram a Campo Grande ontem (12), depois de ficarem retidos por mais de 24 horas, no fim de semana, em uma rodovia de acesso a La Paz, capital da Bolívia, em razão de bloqueios provocados por protestos no país.

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Uma mochileira de Dourados, Mato Grosso do Sul, relatou ter utilizado rotas clandestinas para deixar a Bolívia durante protestos que bloquearam rodovias no país. Janaína Mello, de 30 anos, viajava com outros sete amigos quando ficou retida por mais de 24 horas em uma via de acesso a La Paz.O grupo enfrentou situações de insegurança, incluindo encontros com gangues armadas durante o trajeto alternativo. A viagem, que normalmente levaria duas horas, durou cerca de seis. Os protestos na Bolívia foram motivados por um decreto presidencial que extinguiu subsídios aos combustíveis, aumentando significativamente seus preços.

Janaína viajava acompanhada de outra pessoa de Dourados e seis amigos de Campo Grande. O grupo retornava de Cusco, no Peru, quando a viagem foi interrompida por manifestações que se espalharam por rodovias e cidades bolivianas.

Segundo a mochileira, a saída do país exigiu mudanças de rota e decisões improvisadas. “Depois que saímos de Tiahuanaco, pegamos uma van clandestina e fizemos caminhos alternativos, desviando da rota principal até La Paz por causa dos bloqueios”, contou. O trajeto, que normalmente levaria cerca de duas horas, acabou durando aproximadamente seis horas.

Durante o percurso, o grupo passou por situações de insegurança. “Vimos gangues no meio do caminho, pessoas armadas com pedaços de madeira. Não era só a gente, havia vários carros e vans fazendo o mesmo trajeto clandestino”, relatou.

Ao chegar à região de El Alto, na entrada de La Paz, os manifestantes queimavam pneus e gritavam nas ruas. O grupo conseguiu se hospedar em um Airbnb e permaneceu dois dias na cidade, aguardando a liberação de voos. “Estava muito difícil conseguir passagem, não havia ônibus circulando. Conseguimos um voo de La Paz para Santa Cruz”, disse.

De Santa Cruz, o deslocamento até Puerto Quijarro, na fronteira com Mato Grosso do Sul, ocorreu sem novos bloqueios, já que as manifestações se concentravam no norte do país. O restante do trajeto até o Brasil foi feito de ônibus. “Deu tudo certo. Valeu a pena conhecer, é um lugar incrível, mas infelizmente enfrentamos essa situação”, afirmou Janaína.

Mochileira de MS relata uso de rotas clandestinas para sair da Bolívia
Manifestação interrompe tráfego e mantém veículos parados na estrada (Foto: Janaína Mello)

Outras famílias também deixam La Paz - Outra família de Mato Grosso do Sul também conseguiu deixar La Paz após ficar retida na cidade. O grupo seguia para Machu Picchu, no Peru, mas acabou impedido de continuar a viagem.  “Saímos de madrugada. Pegamos bloqueio, mas o motorista fez um desvio por estrada de chão”, contou o dentista Wésner Vargas, de 38 anos.

Na manhã desta terça-feira (13), ele viajava com a mãe, o irmão e a cunhada e já estava próximo da fronteira com a Argentina. “Agora sim, estamos aliviados”, disse. Inicialmente, a família pretendia seguir de avião até Santa Cruz de la Sierra e depois retornar por terra até Corumbá, mas, diante do agravamento da tensão nas ruas, decidiu deixar La Paz de ônibus. A viagem de volta ainda inclui passagem pela Argentina e pelo Paraguai até o retorno a Mato Grosso do Sul.

Protestos e crise no país - Desde 22 de dezembro, a Bolívia enfrenta uma onda de protestos contra um decreto assinado pelo presidente Rodrigo Paz, que extinguiu o subsídio aos combustíveis. A medida provocou aumento de 86% no preço da gasolina e de 160% no diesel. Além disso, o decreto prevê o fim de novas contratações no serviço público e estabelece a livre negociação entre patrões e trabalhadores, em moldes semelhantes à reforma trabalhista brasileira de 2017.

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