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Cidades

Instituições federais de MS registram 13 casos de assédio sexual em 10 anos

Ocorrências integram levantamento que aponta 132 acusados em instituições do país

Por Kamila Alcântara | 28/08/2025 17:58
Instituições federais de MS registram 13 casos de assédio sexual em 10 anos
Acadêmicas pintam cartazes para protesto contra atuação de professor condenado por estupro (Foto: Henrique Kawaminami)

Um levantamento inédito do portal Metrópoles, divulgado nesta quinta-feira (28), com base na LAI (Lei de Acesso à Informação), revelou a dimensão da violência de conotação sexual dentro de instituições federais de ensino em todo o país. O dossiê identificou 128 PADs (processos administrativos disciplinares) instaurados nos últimos dez anos contra professores e servidores públicos de universidades e institutos federais.

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Um levantamento do portal Metrópoles revelou 13 casos de assédio sexual em instituições federais de ensino de Mato Grosso do Sul nos últimos dez anos. Os casos fazem parte de um total de 128 processos administrativos disciplinares instaurados em todo o país, envolvendo 132 acusados e 265 vítimas. O IFMS registrou quatro ocorrências, a UFGD apresentou três denúncias e a UFMS contabilizou seis casos. As denúncias incluem desde mensagens inadequadas até casos de estupro, resultando em demissões e suspensões. As instituições afirmam manter programas de prevenção ao assédio e políticas de conscientização.

No total, os documentos apontam 132 acusados e pelo menos 265 vítimas, entre estudantes, professoras e funcionárias. Os casos incluem constrangimentos, agressões e até estupros. Em Mato Grosso do Sul, foram 13 ocorrências envolvendo instituições de ensino federais, conforme aponta o mapa interativo publicado pelo Metrópoles.

Os PADs são investigações conduzidas no âmbito da administração pública para apurar denúncias contra servidores. As punições variam de advertência e suspensão (podendo ser convertida em multa) até demissão ou cassação de aposentadoria.

Esses casos relatados mostram que a violência contra mulheres em instituições de ensino federais é um problema recorrente e distribuído em todo o território nacional, de norte a sul. A reportagem reuniu histórias e depoimentos que dão dimensão do impacto das condutas abusivas no ambiente acadêmico.

Registros - No IFMS (Instituto Federal de Mato Grosso do Sul), foram apontados quatro casos, sendo dois relacionados ao mesmo professor. Entre os abusos relatados na reportagem, estão mensagens no WhatsApp dizendo "deixa eu comer você?", "eu tenho tesão em você, gosto de baixinhas"; toques na virilha e perna das alunas. Dessas situações, dois foram demitidos e um suspenso, mas a instituição alega aplicar "ações educativas e preventivas para prevenção aos assédios".

A UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) aparece com três denunciados. O primeiro é um assistente administrativo que tinha o "hábito de abraçar, beijar e tocar mulheres sem consentimento", que foi demitido em 2018. Os outros dois citados são professores e aparecem envolvidos sexualmente com estudantes indígenas, no que chamam de "relação de autoridade entre professor e aluna", a ponto de uma delas ter ficado grávida. Ambos foram demitidos e a Universidade também aplica políticas internas de prevenção.

Já a UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) figura com seis registros, sendo quatro deles professores e dois servidores. Os abusos registrados vão de professor de Medicina Veterinária sugerindo sexo em troca de notas a abordagem constrangedora a meninas lésbicas: "gosta de homem?". Cinco deles foram demitidos e um afastado para aposentadoria. A Universidade destacou a aplicação da campanha "Eu Respeito", sobre temas ligados à mulher, ambiente acolhedor e valores de uma convivência respeitosa, desde 2018.

Protesto - Um professor de Biologia da UFMS condenado por estupro, que segue recebendo salário mesmo após condenação criminal e motivou um protesto na última quarta-feira (20), não é citado nesse dossiê.

Esse caso ocorreu em 2016, quando a vítima, então com 22 anos, estudante de Ciências Biológicas, denunciou o professor por violência sexual em uma festa universitária. Segundo a investigação, ele se aproveitou da vulnerabilidade da aluna, a seguiu até um quarto e trancou a porta. Até agora, o professor segue afastado, mas sem perder o vínculo nem a remuneração.

Na oportunidade, a instituição informou que "o servidor segue integralmente afastado, aguardando a conclusão do processo administrativo disciplinar, que segue o trâmite jurídico adequado. Não existe meio de acelerar ou influenciar o seu andamento".

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