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Capital

Defesa diz que morte na Máxima foi homicídio e cobra apuração rigorosa

Advogada diz que detento relatou ameaças, pediu proteção à justiça e não teria perfil para suicídio

Por Bruna Marques | 21/02/2026 11:23
Defesa diz que morte na Máxima foi homicídio e cobra apuração rigorosa
Everton Gomes Rodrigues encontrado morto enforcado na cela da Máxima (Foto: Divulgação)

A defesa de Everton Gomes Rodrigues, de 38 anos, encontrado morto na sexta-feira (20), em cela do Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, a Máxima de Campo Grande, sustenta que ele foi assassinado dentro da unidade prisional e que houve simulação de suicídio.

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A defesa de Everton Gomes Rodrigues, encontrado morto em cela do Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, em Campo Grande, contesta a versão de suicídio. Segundo a advogada Étila Guedes, o cliente havia relatado ameaças e temia por sua vida dentro do presídio. Preso em dezembro por porte ilegal de arma, Everton estava em livramento condicional desde setembro de 2023, tendo cumprido mais de 89% de sua pena. A Agepen informou que o corpo foi encontrado enforcado durante o fechamento do banho de sol, e as circunstâncias da morte estão sendo investigadas.

A advogada Étila Guedes afirma que o cliente vinha relatando medo e risco de morrer. Segundo ela, na audiência de custódia realizada após a prisão por porte de arma, Everton informou ao juiz que estava sendo ameaçado e que corria risco dentro do presídio. A defesa pediu liberdade provisória, alegando insegurança, mas o pedido não foi atendido.

“Ele nunca tiraria a própria vida. Falei com ele dias antes. Ele queria sair de lá o mais rápido possível, perguntava se o pedido de liberdade tinha sido analisado,” afirmou.

Everton havia sido preso em 10 de dezembro de 2025, no Jardim Seminário, em Campo Grande, após ser flagrado com uma pistola calibre .380, municiada com quatro cartuchos. A arma estava sob o banco do passageiro do Honda City que ele conduzia. Ele confessou o porte irregular e disse que vinha sofrendo ameaças contra a própria vida e de familiares.

No processo, a defesa argumentou que a abordagem policial foi baseada em percepções subjetivas, como aceleração do veículo e suposto nervosismo. Sustentou que não houve violência, disparo ou outro crime no momento da prisão e pediu a revogação da preventiva.

Os advogados destacaram que Everton já havia cumprido 18 anos, 7 meses e 10 dias de pena, mais de 89% da condenação, com apenas uma falta disciplinar por uso de celular. Desde 26 de setembro de 2023, estava em livramento condicional. A defesa afirma que ele vinha se mantendo afastado da criminalidade e que o rompimento com o meio criminoso teria provocado ameaças.

Tentativa de homicídio - Ele também chegou a ser denunciado pelo Ministério Público por tentativa de homicídio qualificado, relacionada a um ataque ocorrido em 26 de agosto de 2020, no Jardim Itamaracá. A defesa afirma que ele foi absolvido da acusação que lhe foi atribuída.

Para os advogados, a prisão em regime fechado não cumpria função preventiva nem educativa e o expôs a risco. Eles pediram a aplicação de medidas cautelares alternativas, como monitoramento eletrônico, comparecimento periódico em juízo e proibição de portar arma.

A defesa afirma que não defende crimes, mas o direito do ser humano, e destaca que Everton era pai de quatro filhos. O sepultamento está marcado para às 16h30 deste sábado, no Cemitério Parque de Campo Grande.

Segundo a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário), o corpo foi localizado por volta das 15h durante o fechamento do banho de sol. O interno estava enforcado com cordas artesanais no saguão interno do Pavilhão 2, Galeria A. O local foi isolado e a perícia acionada. O órgão informou que apura as circunstâncias da morte.