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Capital

“É mentira”, diz delegado sobre versão de Bernal para legítima defesa

Ex-prefeito foi preso por matar a tiros o fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini na terça-feira

Por Ana Paula Chuva e Gabi Cenciarelli | 27/03/2026 10:53


RESUMO

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O delegado Danilo Mansur, responsável pela investigação do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, revelou que o ex-prefeito Alcides Bernal mentiu em seu depoimento inicial. O crime ocorreu em uma casa no Jardim dos Estados, em Campo Grande, que havia sido arrematada pela vítima em leilão. Segundo as investigações, Bernal não agiu em legítima defesa, como alegou. Imagens mostram que ele chegou ao local, retirou a arma da caminhonete e entrou na residência já atirando. O delegado também desmentiu a versão de que o ex-prefeito morava no imóvel, fato confirmado pela empresa de monitoramento.

Atuando na investigação sobre o assassinato do fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, o delegado Danilo Mansur relata que o ex-prefeito Alcides Bernal (partido-UF) mentiu quando procurou a 1ª Delegacia de Polícia Civil logo após o crime, na tarde de terça-feira (25), em uma casa na Rua Antônio Maria Coelho, Jardim dos Estados, arrematada pela vítima em leilão.

Ao Campo Grande News, Mansur explicou que por volta das 14h daquele dia, Bernal foi até a delegacia e o procurou. Na ocasião, ele tinha acabado de atirar em Roberto e contou que duas pessoas haviam invadido a sua casa e, uma delas, teria avançado contra ele, por isso, ele efetuou os disparos.

O ex-prefeito ainda declarou que a vítima estava caída no imóvel e a outra pessoa teria fugido e que ele estava preocupado por não saber se o baleado havia morrido. “Eu fui tentar entender a história e questionei ele sobre como tudo teria acontecido. Imaginei que pudesse ser um bandido que tivesse invadido a casa porque ele já tinha relatado perseguição. Então fui na casa ver o que era”, pontuou o delegado.

Quando o delegado chegou, Roberto estava sendo atendido por equipe do Corpo de Bombeiros e então ele percebeu que a vítima não era bandido. “Ele não tinha morrido ainda e eu pensei que a história estava esquisita, porque não era bandido que tinha invadido a casa dele. Fui até a empresa de monitoramento e peguei o documento da vítima”, diz Mansur.

“É mentira”, diz delegado sobre versão de Bernal para legítima defesa
Ficha zebrada na calçada da casa onde crime aconteceu (Foto: Osmar Veiga)

O responsável pela investigação então identificou que Roberto era servidor estadual e então ligou os pontos sobre a casa ter sido arrematada em leilão. “Eu acionei a perícia e a equipe da Depac para dar apoio no local e voltei para a delegacia para conversar com o Bernal para entender direito a história”, explica o delegado.

Foi então que o delegado confirmou que Roberto havia arrematado o imóvel em leilão e que estava querendo tomar posse, mas errou ao entrar no imóvel sem auxílio da polícia ou oficial de justiça.

“Ele teria que fazer uma imissão da posse primeiro. Ele errou nisso. Só que o Bernal se excedeu. Para evitar que ele entrasse na casa, foi lá e acabou matando a vítima. Mas ele disse que estava com a arma na cintura e se afastou para retirar a arma e atirar no chão e depois na vítima. Isso é mentira”, afirma Mansur.

O delegado explica que no vídeo é possível ver claramente que Bernal chegou na casa, retirou a arma da caminhonete e já entrou com ela em mãos efetuando o disparo. “A versão dele de legítima defesa não se sustenta. Agora eu preciso do laudo necroscópico para ver como o projétil entrou no corpo da vítima e por que um deles transfixou, além do laudo de local, de áudio e vídeo para saber certinho o momento do disparo”, alega.

Outra versão do ex-prefeito que não se sustentou é a de que ele morava na residência onde o crime aconteceu. “Conversa fiada, você entra lá e vê que não mora ninguém. A empresa de monitoramento também confirmou que ele não residia lá, então é mais uma versão que não bate com o que a gente apurou”, finalizou.

“É mentira”, diz delegado sobre versão de Bernal para legítima defesa
Policiais militares na garagem da acasa onde Roberto foi morto (Foto: Renan Kubota)


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