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Enfermeiros fazem até marmitas de pacientes, denuncia sindicato

Além disso, apenas seis profissionais de enfermagem ficam responsáveis pela assistência de 60 internados

Por Lucia Morel | 16/02/2026 14:44
Enfermeiros fazem até marmitas de pacientes, denuncia sindicato
Fachada da Clínica Carandá, na saída para São Paulo. (Foto: Alex Machado/Arquivo)

O SIEMS (Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem do Estado de Mato Grosso do Sul) formalizou uma denúncia junto ao Ministério Público Estadual contra a Clínica Carandá, em Campo Grande, por irregularidades no dimensionamento de pessoal e desvio de função dos profissionais de enfermagem.

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O Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de Mato Grosso do Sul denunciou a Clínica Carandá, em Campo Grande, ao Ministério Público Estadual por irregularidades no dimensionamento de pessoal. Segundo a denúncia, apenas seis profissionais atendem cerca de 60 pacientes internados. A situação é agravada pelo desvio de função, com enfermeiros realizando tarefas como montagem de marmitas e distribuição de refeições. A promotoria deu prazo de dez dias para a clínica explicar seu quadro de pessoal e solicitou vistoria técnica ao Conselho Regional de Enfermagem.

Segundo o documento assinado em 26 de janeiro de 2026, a entidade constatou que apenas seis profissionais de enfermagem eram responsáveis pela assistência direta de aproximadamente 60 pacientes internados na unidade. Um para cada 10.

A denúncia aponta que essa proporção de um profissional para cada dez pacientes é "manifestamente incompatível com qualquer parâmetro mínimo de segurança assistencial". O sindicato sustenta que tal cenário expõe os internos a um risco concreto de eventos adversos graves, como erros de medicação, omissões de cuidados, atrasos em intervenções emergenciais e falhas no monitoramento clínico.

Além da sobrecarga numérica, o ofício detalha que os enfermeiros e técnicos são compelidos a desempenhar atividades totalmente alheias às suas atribuições legais, como montagem de marmitas dos pacientes, distribuição das refeições, além da execução de tarefas típicas de copeira e cozinheira.

O sindicato afirma que tais práticas retiram os profissionais de suas funções assistenciais essenciais, reduzindo o tempo dedicado ao cuidado direto e potencializando o risco à vida e à saúde dos pacientes internados.

Diante do relato, a promotora Daniella Costa da Silva, da 32ª Promotoria de Justiça da Saúde Pública, expediu ofícios à direção da Clínica Carandá e ao COREN/MS (Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso do Sul).

O estabelecimento de saúde recebeu um prazo de dez dias úteis para detalhar seu quadro de pessoal por turno, o número de pacientes internados e os critérios técnicos utilizados para o dimensionamento da equipe. Já o conselho de classe foi requisitado para realizar uma vistoria técnica in loco no prazo de trinta dias para verificar a adequação das escalas e apurar o suposto desvio de função dos profissionais.

A promotora do Ministério Público considerou que a situação apresentada pode comprometer a regularidade da prestação dos serviços de saúde e a segurança assistencial, justificando a intervenção do órgão.

A reportagem entrou em contato com a clínica e aguarda retorno.

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